Acervo do maestro Luiz Aguiar deverá se tornar público

Considerado um dos maiores conhecedores de música erudita em Minas, especialmente de ópera, sua extensa coleção de fitas VHS, fotos, livros, partituras e discos, será doada à Fundação Clóvis Salgado

por João Paulo Martins 15/04/2014 15:38

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Arquivo/EM/D. A Press
O maestro Luiz Aguiar faleceu em 21 de março deste ano, e deixou um acervo inestimável de peças ligadas à música erudita (foto: Arquivo/EM/D. A Press)
No final de março deste ano, Minas perdeu um de seus maiores expoentes da música erudita, que tinha acabado de completar 60 anos de carreira – de sucesso – em 2013: maestro Luiz Aguiar. Um dos responsáveis por espalhar a cultura da ópera em Belo Horizonte, além de sua qualidade profissional, era reconhecido por seu grandioso acervo. Fitas de VHS, livros, partituras, discos e fotos, que estão em todos os cantos de sua casa no Santa Efigênia, serão doados para a Fundação Clóvis Salgado – aliás, a primeira montagem de Aguiar, baseada na obra Os Sertões, de Euclides da Cunha, foi realizada em 1953, no Teatro Francisco Nunes, a convite da cantora lírica Lia Salgado.

“A casa toda tem armários repletos de itens de sua coleção. Até na cozinha tem coisa guardada. Toda a vida dele se deu em função da música. Não ligava para mais nada”, conta Maria da Glória Aguiar, sobrinha do maestro. Ela morava com Luiz Aguiar, e explica que existem milhares de itens em seu acervo. “Não sei dizer quantas coisas ele colecionava. Mas sua grande paixão eram as obras do compositor brasileiro Carlos Gomes”.

Entre os valiosos itens guardados na casa do maestro, três peças se destacam: uma fita VHS com a montagem da ópera Oberto, de Giuseppe Verdi; uma fita da ópera Loreley, que se chamava originalmente Elda, de Alfredo Catalani; e uma gravação raríssima da obra Messa da Requiem, de Verdi, com a voz da soprano italiana Renata Tebaldi.

Sobre a doação para a Fundação Clóvis Salgado (FCS), Maria da Glória diz que a primeira conversa se deu ainda no velório do maestro. “Em vida ele sempre falou que doaria toda sua coleção para o Palácio das Artes. A sua vontade era de que outras pessoas também pudessem aproveitar a música erudita”, lembra.

Como a morte de Luiz Aguiar é recente, nem completou um mês ainda, o processo de doação do acervo ainda está no estágio embrionário. Segundo Fernanda Medeiros Azevedo Machado, presidente da Fundação Clóvis Salgado, estão agendadas reuniões com a família, para oficializar a forma com que serão catalogadas e retiradas as peças. “A gente vai in loco, para entender como é esse acervo, e o que será necessário fazer. A partir do tamanho da coleção, poderemos pensar como ela será abrigada no Palácio das Artes”, diz. Quem deve ajudar nesse processo é o Arquivo Público Mineiro, que já está digitalizando os arquivos da FCS, e vai orientar a fundação sobre a melhor forma de disponibilizar o acervo do maestro para o grande público.

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