Lygia Clark ganha exposição inédita nos Estados Unidos

O MoMA de Nova Iorque abre mostra de 300 trabalhos da artista plástica mineira, que foi uma das precursoras do neoconcretismo

por João Paulo Martins 10/05/2014 10:11

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MoMA/Divulgação
Obra Máscara Abismo com Tapa-olhos, de 1968, que está em exposição no MoMA (foto: MoMA/Divulgação)
Natural de Belo Horizonte, a artista plástica Lygia Clark (1920-1988) começou sua carreira no Rio de Janeiro, em 1947, sob os ensinamentos do paisagista Roberto Burle Marx e da escultora e desenhista Zélia Salgado. O grande momento de sua carreira foi a participação no chamado Manifesto Neoconcreto, que abriu o mundo da arte brasileira para o neoconcretismo. Junto com Amílcar de Castro, Ferreira Gullar, Franz Weissmann, Lygia Pape, Reynaldo Jardim e Theon Spanudis, em 1959, na primeira exposição desse movimento recém-criado, mostrou, através da obra Unidades, que a pintura não pode ficar presa em seu suporte, devendo ir além dele. Sua visão de que a arte deve se tornar parte do público, interagir com ele, ajudou a ser escolhida para protagonizar uma mostra inédita nos Estados Unidos, mais precisamente em Nova Iorque, no mais famoso museu de arte moderna do mundo, o MoMA.

Muitos estudiosos de arte classificam a obra da belo-horizontina em três fases: a primeira, da pintura, inclui figuras geométricas, abstratas, e vai de 1940 a 1959; a segunda, nos anos 1960, transcende as telas e passa para trabalhos tridimensionais, do neoconcretismo, que possuem o ideal de interação com o público; a partir daí, evolui até a chamada fase terapêutica, em que o visitante só percebe a arte se usá-la, se transformá-la em algo que mais lhe agrada. Neste momento, Lygia Clark dizia ter abandonado a arte, e passado a fazer algo mais orgânico. "No MoMA, quando pensamos em quem melhor representaria a arte latinoamericana, a artista estava, com certeza, nos primeiros lugares de nossa lista", diz Cornelia Buttler, curadora da exposição Lygia Clark: The Abandonment of Art, 1948–1988, que apresenta 300 obras da artista mineira, e vai de 10 de maio a 24 de agosto, no museu de arte moderna de Nova Iorque.

Apesar de a artista mineira nunca ter sido exposta publicamente nos Estados Unidos, a curadora do MoMA não acha que a audiência do público americano será pequena, ao contrário. "Algo curioso e até empolgante, é que quando pensamos na exposição, especialmente sobre a fase interativa de Lygia, percebemos que é perfeita para a socialização com o público. As pessoas adoram a ideia de participar do trabalho artístico, de misturar o pensamento do artista com sua vida. É como se fosse a capacidade de interação de uma rede social transportada para a realidade. Os jovens de hoje estão muito receptivos para a arte interativa", explica.

O museu, atualmente, também possui outros artistas brasileiros em exposição, como Maria Martins, Lygia Pape e Hélio Oiticica. De acordo com o curador de arte latinoamericana do MoMA, Luis Pérez-Oramas, o Brasil sempre fez parte das mostras permanentes, e que a escolha das obras não leva em conta a nacionalidade: "Estamos mais preocupados com a importância do trabalho artístico e das relações significativas que podemos criar entre ele e as demais coleções que compõem nosso acervo".

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