Roberto Bomtempo declara seu amor por Tiradentes

Após quatro anos desde a última encenação, ator carioca revisita o monólogo Raul Fora da Lei, sobre a vida do principal rockeiro brasileiro, no festival de teatro da cidade histórica mineira

por Fernanda Nazaré 21/05/2014 10:11

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Divulgação
Montagem de sucesso, idealizada por Roberto Bomtempo, e encenada de 1999 a 2009, Raul Fora da Lei voltou aos palcos para única apresentação no festival Tiradentes em Cena (foto: Divulgação)

O ator Roberto Bomtempo, de 50 anos, decidiu matar a saudade de 1,2 mil fãs de “Raulzito”, e fez uma apresentação especial da peça Raul Fora da Lei, no último final de semana, em Tiradentes. Foram 10 anos encenando o grande compositor e cantor Raul Seixas, um dos principais ícones do rock brasileiro. Há quatro anos sem interpretar o maluco beleza, Bomtempo retomou o monólogo e o ensaio com a banda especialmente para a segunda edição do festival de teatro Tiradentes em Cena, que vai até o dia 25 de maio, na cidade histórica mineira.

Nascido no Rio de Janeiro e criado em Belo Horizonte, o ator conversou com a Encontro, junto com a esposa e também atriz, Míriam Freeland. Ele falou sobre seu amor por Minas Gerais, sobre sua casa em Tiradentes e a preparação para encarnar Raul novamente.

Encontro – Roberto, por que escolheu encenar Raul mais uma vez?
Roberto Bomtempo – Aline Garcia (organizadora do festival) me propôs fazer a peça na primeira edição. O problema é que ano passado, estava morando fora do país.  Em 2014, o convite foi refeito e achei perfeito. Tem tudo a ver interpretar Raul Seixas em Tiradentes. Além disso, tenho um filho de três anos, e queria que ele visse a peça. Fiquei nervoso para subir ao palco, afinal, já se foram quatro anos. O corpo enferruja e a peça é uma parada dura.

Fernanda Nazaré/Encontro Digital
Roberto e Míriam encontraram refúgio em Tiradentes, numa casa localizada próximo ao centro histórico: "Gosto de sair do Rio de Janeiro e repousar aqui", diz o ator (foto: Fernanda Nazaré/Encontro Digital)
Como foi a preparação para retomar a peça?
A primeira coisa foi colocar para tocar os CD's ao vivo do Raul, em casa. Os discos de estúdio são muito comportados. E, afinal, ele não era nada comportado. Eu gosto de seus trabalhos ao vivo porque ele erra a letra, começa a cantar uma música e troca para outra. Isso faz com que eu adquira seu espírito de novo. Também fui pro estúdio com a banda, fizemos dois dias de ensaio. Depois fiquei passando o texto em casa, mas essa foi a parte que 'cabulei' mais (risos). Claro que ensaiar em casa não é a mesma coisa de se estar no palco. É um espetáculo muito orgânico, muito físico. O monólogo recebe 20 intervenções musicais, com a banda, durante a apresentação. Fizemos o espetáculo na praça, que é um lugar que tende a dispersar a atenção do público. Quando encenamos ao ar livre, aviso a banda para esperar de tudo. Às vezes, tocamos só as músicas, sem canto. Fiquei muito emocionado por interpretar Raul num palco no meio da praça. Coincidentemente, estreei a peça em 1999, em Ouro Preto.

Você pensa em novas apresentações de Raul Fora da Lei?
Agora, a gente já está falando em voltar com a peça. Eu completei 50 anos este ano, e quando comecei a encenar o 'Maluco Beleza', tinha 36. Disse que ia parar quando fizesse 44, que é a idade com a qual Raul Seixas morreu. Só que acabei interpretando o músico até os meus 47 anos.

 

Como é a sua relação com Tiradentes? Vocês possuem uma casa na cidade, não é mesmo?
Eu venho aqui desde criança. Minha família é de Belo Horizonte. Em 1994, fiz filme O Menino Maluquinho, que tinha gravações aqui na cidade histórica. Em 2005, comecei a namorar com a Míriam em Tiradentes, quando gravávamos a novela Essas Mulheres, da Rede Record. Há três anos compramos uma casa no centro histórico. Sempre que podemos, vimos para cá. A alma mineira sempre me encantou. Apesar de ter nascido no Rio, fui criado em BH. Adquiri esse espírito de mineiro, da relação com a cidade, o universo e a natureza, e, principalmente, com a comida. Tiradentes é muito bonita. É muito gostoso sair do Rio de Janeiro e repousar aqui. Eu gosto de tomar café na padaria, sentar na beira da calçada e ficar batendo papo. Este lugar sempre teve muita ligação com a cultura, a gastronomia, as artes plásticas, a fotografia e o artesanato.

Míriam Freeland -
O que me chama a atenção é essa alma preservada, um pedacinho da história. Tiradentes retrata muito bem isso. É uma pérola no meio do Brasil. Na época em que íamos comprar a casa, começamos a procurar num lugar mais afastado, mas preferimos ficar mais perto do centro histórico.  Meu filho adora ficar na praça, brincando com os cavalos. Eu adoro curtir nossa casinha, ter uma vida menos turística. E, claro, poder tomar café na padaria, de manhã, e jogar bola na praça (risos).

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