Matheus Nachtergaele fala sobre sua "alma mineira" e a vida em Tiradentes

O ator paulista, que, há uma década tem casa na cidade histórica mineira, fala sobre a realização do desejo de dirigir uma peça com atores locais

por Fernanda Nazaré 23/05/2014 10:05

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Marlon de Paula/Coletivo Sem Eira Nem Beira/Divulgação
Matheus Naschtergaele (ao centro) com o grupo Entre&Vista, que dirige na peça O País do Desejo do Coração (foto: Marlon de Paula/Coletivo Sem Eira Nem Beira/Divulgação)
O cenário bucólico, cercado pela serra de São José, somado aos vários festivais culturais que acontecem na cidade de Tiradentes, que fica no campo das vertentes, em Minas Gerais, foram os atrativos para que o ator paulista Matheus Nachtergaele escolhesse a região para viver. "O primeiro imóvel que adquiri na vida foi aqui. É uma cidade que tem seus momentos de vida interiorana, mas que se agita culturalmente de tempos em tempos. É um paraíso na terra", conta. Ele escolheu uma casinha na rua Padre Toledo, no centro histórico, e até ajudou a restaurá-la. Na cidade para a abertura da 2ª edição do festival de teatro Tiradentes em Cena, o ator de O Auto da Compadecida, faz sua estreia como diretor de teatro, dirigindo o grupo Entre&Vista, que é de Tiradentes.

Com 25 anos de carreira, Matheus diz à Encontro que ainda tem muito fôlego e vários projetos pela frente. Ele terminou o filme sobre a história do carnavalesco Joãozinho 30, que estreia em outubro, e deve participar de mais duas produções cinematográficas, além de gravar o seriado Doce de Mãe, da Rede Globo.

Encontro - Você possui uma casa em Tiradentes e está dirigindo uma peça no festival de teatro da cidade. Podemos dizer que já é quase um mineiro?
Matheus Nachtergaele - Infelizmente não nasci em Minas, mas acho que a minha alma é mineira. Desde 1991, quando estive aqui pela primeira vez, me encantei a tal ponto que o primeiro imóvel que adquiri na vida foi em Tiradentes. Uma casinha pequena, histórica, no centro. Depois, com o tempo, fui reformando e, após oito anos de trabalho, ela ficou pronta. Venho sempre que posso à cidade. Bem menos do que gostaria...

Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
Matheus, sobre Tiradentes: "É um paraíso na Terra" (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Tiradentes seria, então, um refúgio?

É uma cidade que respira arte e cultura. Além de ser uma aula viva de história, que, aliás, está bem preservada. Poucas cidades históricas no Brasil são tão bem cuidadas quanto Tiradentes. Eu me orgulho disso, de ser parte das pessoas que cuidam do patrimônio. Minha casa foi toda restaurada de acordo com as regras do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), como tem que ser numa cidade como esta. É um prazer andar pelas ruas, ver as exposições de arte. Sempre existe algo bonito acontecendo aqui. Sejam as artes plásticas, a música, o teatro, a dança, o festival de jazz, de cinema, seja o de gastronomia. Transita entre momentos de quietude, próprios da vida interiorana, e os de agitação cultural, que surgem de tempos em tempos.  É um paraíso na Terra. Eu adoro. Minha intuição de comprar uma casa em Tiradentes estava certa.

Como foi trabalhar com o grupo de teatro Entre&Vista, já tradicional na cidade, onde atua há 20 anos?
Foi uma 'super' honra. Conheço o grupo desde que comecei a frequentar a cidade. Já assisti suas peças, mas nunca pude trabalhar com eles. Sempre tive o desejo de fazer algo com o Entre&Vista. Este ano consegui, graças à Aline Garcia (organizadora do Tiradentes em Cena), que teve a ideia maravilhosa de criar o festival de teatro na cidade. Ano passado estive aqui na abertura, mas não pude acompanhar o restante do evento, devido a um trabalho. Este ano, quando terminei o seriado Doce de Mãe, vim correndo para cá. Me reuni com a Aline para pensarmos em algo. Em princípio, a ideia era criar um monólogo, mas gostei da sugestão de convidar o Entre&Vista para fazer uma peça de William B. Yeats, que sempre quis montar: O País do Desejo do Coração. Já dirigi outras produções, não sou totalmente iniciante. Porém, é a primeira vez que dirijo uma montagem com texto nunca antes encenado, que tem apoios culturais e um elenco experiente.

Você está nervoso para a estreia?
Sim, mas estou confiante. Acho que o texto é muito bonito, e o Yeats, um grande poeta irlandês. Ele é considerado pelos críticos tão importante quanto William Shakespeare. Desde quando estava na escola de arte dramática, nos anos 1990, sempre lia as obras de Willian B. Yeats, e claro, sempre tive o desejo de montá-las, especialmente a que será apresentada em Tiradentes. É uma peça que, apesar de ter sido escrita em 1870, conversa com Minas Gerais de hoje. Ela fala das tradições cristãs irlandesas em choque com as forças da natureza. Acho que tem tudo a ver com o que acontece aqui em Tiradentes, onde existe uma tradição católica forte, mas que coexiste com as forças naturais e a própria modernidade. É uma batalha entre a religião e os deuses da natureza. A peça, em si, é uma oração. Parecia a hora ideal de montar a peça, e o grupo Entre&Vista 'amou' o texto. Já estamos ensaiando há um mês. Vamos apresentar um ensaio aberto no dia 24, sábado. A estréia profissional será também aqui, em 18 de julho.

Quais são seus próximos projetos?
Depois da Copa do Mundo, vou fazer o filme Big Jato, com a direção do Cláudio Assis. E, em seguida, faço também o Mãe Só Há Uma, da Anna Muylaert. Na TV, devo gravar a segunda temporada de Doce de Mãe.


Serviço:

O quê: Tiradentes em Cena
Onde: Centro Cultural Yves Alves - Sesi
Endereço: rua Direita 168, Centro, Tiradentes, Minas Gerais
Data: 24/5
Entrada franca
Informações:
www.tiradentesemcena.com.br

Últimas notícias

Comentários