A culinária mineira será tema de enredo de escola de samba do Rio de Janeiro

A Acadêmicos do Salgueiro acabou de anunciar que seu enredo do carnaval 2015 será baseado nas tradições culinárias de Minas, a partir do livro História da Arte da Cozinha Mineira por Dona Lucinha

por João Paulo Martins 04/06/2014 14:06

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João Paulo Martins/Encontro Digital
Em coletiva de imprensa realizada no restaurante Dona Lucinha, o deputado Fred Costa (centro) e a presidente do Salgueiro, Regina Celi, anunciaram o enredo 2015 da escola de samba: culinária mineira (foto: João Paulo Martins/Encontro Digital)
Tutu de feijão, broa de fubá, pastel de angu e frango com ora-pro-nobis. Delícias mineiras como essas, com certeza, conquistam não apenas os moradores do estado, e sim, todo o mundo. E para que os quitutes de Minas possam ter ainda mais visibilidade, nada melhor do que se apresentar na grande passarela do samba, durante a maior festa popular do mundo: no carnaval do Rio de Janeiro, na Marquês de Sapucaí.

Há cerca de um ano, o deputado estadual Fred Costa (PEN) convidou os familiares de Dona Lucinha, fundadora de um dos mais importantes restaurantes mineiros de Belo Horizonte, para tentar emplacar o tema "cozinha mineira" em um das escolas de samba do Rio de Janeiro, no carnaval de 2015. Na verdade, segundo o político, a viagem já tinha destino certo: a Acadêmicos do Salgueiro. Isso porque a escola de samba que fica no bairro do Andaraí, na capital fluminense, tem as mesmas cores da bandeira do estado de Minas Gerais, ou seja, vermelho e branco.

"O projeto tem como intuito levar a realidade de Minas e suas tradições para todo o mundo, a partir de uma grande escola de samba do Brasil, que é a Salgueiro", diz o deputado estadual Fred Costa, que usou o livro História da Arte da Cozinha Mineira por Dona Lucinha, escrito pela fundadora do restaurante, Maria Lúcia Clementino, e sua filha, Márcia Clementino Nunes, como ferramenta para convencer a diretoria da escola de samba a aceitar o enredo. "Esperamos que essa mistura consiga mostrar a essência do que é ser mineiro, ou seja, a capacidade de trabalhar a simplicidade e os ingredientes que vêm do quintal de casa, para construir uma culinária extremamente rica", completa o político. Ele garante que não será usado dinheiro público na construção do carnaval da vermelho e branco carioca.

Divulgação
O livro História da Arte da Cozinha Mineira por Dona Lucinha foi a inspiração para o novo enredo da escola de samba carioca (foto: Divulgação)
Para a presidente do Salgueiro, Regina Celi, o que mais chamou a atenção no tema que lhe foi proposto por Fred Costa e pelos parentes de Dona Lucinha foi o sentimento de família que ele engloba, especialmente com relação ao tradicional e famoso restaurante mineiro. "Este é, sem dúvida, o enredo que mais me tocou. Sou mãe de quatro filhos, e o que me encantou foi ver a história de Dona Lucinha e seus 11 filhos. O amor me move, e sem dúvida, também pode ser visto na cozinha mineira". Ela está à frente da agremiação há seis anos, e já levou um título e dois vice-campeonatos. Sobre o carnaval "mineiro" de 2015, a resposta está na ponta da língua: "Nós vamos ser campeões".

A filha de Dona Lucinha, Márcia Clementino Nunes, coautora do livro, lembra que a mãe – exímia cozinheira – passou anos guardando receitas e informações sobre os quitutes de nosso estado. "Ela dedicou toda sua vida para guardar as informações que levaram ao livro. Mamãe chegou a desenhar a história da evolução dos fogões a lenha, pois dizia que as receitas evoluíram junto com esse principal utensílio da cozinha mineira", diz. Sobre o fato de ter parte de sua história contada na Marquês de Sapucaí, ela não esconde a alegria: "É uma honra muito grande para a família ver o livro ser usado como ferramenta de desfile de uma escola de samba tão importante".

Quem terá o desafio de transformar o principal símbolo da cultura de Minas, a gastronomia, em fantasias e carros alegóricos é o casal de carnavalescos da Acadêmicos do Salgueiro, Márcia e Renato Lage. "Eu devorei o livro e adorei o assunto. Embora não seja mineira, nem tenha tido experiência numa fazenda, através da narrativa da Dona Lucinha e de sua filha, pude sentir a cozinha da época, até o cheiro dos pratos. Agora só nos resta botar essa panela no fogo e acrescentar o tempero especial, o samba", conta Márcia.

Como o enredo acabou de ser definido, ainda é cedo para se ter uma ideia de como a escola virá no carnaval 2015. Ainda em junho, os carnavalecos devem entregar a sinopse do enredo para os compositores da agremiação, que, a partir dele, construirão letras e melodias, na tentativade emplacar o melhor samba-enredo, que só será conhecido em outubro deste ano. O cenógrafo e carnavalesco Renato Lage está otimista: "Com certeza vamos utilizar todos os ingredientes possíveis para que se tenha um desfile muito 'saboroso', com a melhor representação do jeito e da cultura mineira".

Não é a primeira vez que a escola de samba: em 1961 a vermelho e branco falou sobre as obras do mestre Aleijadinho; em 1963 sobre Chica da Silva; em 1964 foi a vez de uma figura emblemática de Ouro preto, o Chico Rei; e na última vez, em 1968, a escola falou sobre Araxá, sobre Dona Beja. Agora, é só esperar até fevereiro do ano que vem, para ver se a Salgueiro conseguirá capturar o espírito mineiro, que se manifesta na culinária. Vale arriscar e dizer que teremos pães de queijo e o tradicional cafezinho desfilando na Sapucaí.

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