Costurando histórias e sentimentos

Apesar de ser uma das referências do Cidade Nova, Museu do Bordado, único do tipo no país, encontra dificuldades para se manter

por Gabriela Garcia 09/06/2014 14:50

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Samuel GÊ/Encontro
Beth Lírio, artista plástica: "Temos um material e uma história de interesse público, mas não recebemos apoio", lamenta (foto: Samuel GÊ/Encontro)
Quando se mudou para o bairro Cidade Nova, na década de 1970, a artista plástica Beth Lírio quase não tinha vizinhos em uma rua que acabara de ser loteada, ao lado de uma fazenda. Muito comunicativa, ela não escondeu o descontentamento em se sentir isolada da cidade. Beth não imaginava, no entanto, que, quatro décadas depois, sua casa se tornaria uma das mais frequentadas da região. Tampouco imaginava o impacto que causaria na vida de pessoas que estudam artes, história, moda e dos apaixonados por trabalhos manuais. É ali, no segundo andar da casa onde vive, que fica agora o Museu do Bordado, primeiro e único no país que conta a história do bordado, com um acervo de mais de 2 mil peças catalogadas, algumas do século XVIII. De acordo com Beth, mais do que material para estudo acadêmico, a exposição das peças tem efeito terapêutico e leva os visitantes a resgatar lembranças familiares marcantes.

Filha de uma professora de bordado, Beth começou a pesquisar essa prática para seus trabalhos no campo das artes plásticas – que já foram expostos em vários países, como Portugal, França, Grécia e até mesmo na sede da ONU, em Nova York. Com peças únicas e um bom acervo, ela foi estimulada pela amiga jornalista Tetê Rios a criar um museu com o material. “São peças maravilhosas, com muita riqueza em bordado e em cultura feminina. O museu já estava pronto ali”, conta Tetê. Beth, então, encarou a ideia.

No início, ela recebia doações de amigos próximos, mas, com a divulgação do museu, passou a acolher, mesmo pelos Correios, peças de todos os cantos do país. Uma das maiores doadoras, a também artista plástica mineira Conceição Rosière, tornou-se amiga de Beth. Ela conheceu o museu por meio de um programa de TV e resolveu doar uma coleção de peças que herdou da família do marido. Segundo ela, foram dois sacos de 100 litros cheios de peças, algumas com mais de 100 anos de existência. “Eram peças que eu não podia usar e que se desgastavam com o passar dos anos. No museu, mesmo as marcas do tempo podem ajudar a contar essa história”, conta Conceição. Ela agora também se engaja na Associação Amigos da História do Bordado, criada por Beth com o intuito de manter vivo o museu.

Os amigos da criadora do Museu do Bordado também ajudam durante as visitas maiores, enquanto o marido, depois de ter estudado inglês, assume as visitas internacionais. Ela contabiliza mais de 2 mil visitantes em 12 anos de existência. “Uma vez nos ligaram avisando que viria uma excursão com 30 turistas de Uberlândia. Chamei algumas amigas para me ajudar, mas, quando chegaram, eram 80 pessoas dentro da minha casa. Foi uma bagunça”, conta a artista, com bom humor. O movimento dentro da própria casa e a falta de estrutura para visitas maiores são um dos principais motivos que fazem Beth buscar, ainda sem sucesso, uma sede adequada para o museu.

No ano passado, o projeto foi aprovado na Lei Municipal de Incentivo à Cultura, o que garantiu a obtenção de alguns equipamentos para a exposição das peças. Mas Beth não se contenta: “Temos um material e uma história de interesse público, mas não recebemos apoio. Não temos sequer condições de nos preparar para recebermos turistas da Copa”, conta. Sem se abater, ela continua tecendo a história que começou em família, mas, segundo Beth, conta um pouco da vida de todas as mulheres.

Quer doar ou visitar?

As visitas ao Museu do Bordado devem ser agendadas por telefone. Quem quiser doar peças também pode falar diretamente com a dona do museu, Beth Lírio, no mesmo número. Telefone: (31) 3484-1067. Endereço: rua Jornalista Afonso Rabelo, 47, Cidade Nova, Belo Horizonte.

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