Abertura do Cine Pathé está cada vez mais distante

Uma disputa comercial adia as obras de restauração e modernização de um dos primeiros cinemas da capital mineira

por Fernanda Nazaré 26/08/2014 10:45

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Beto Novaes/EM/D.A Press
O prédio histórico do Pathé chegou a funcionar por alguns dias em dezembro de 2013 como um shopping popular (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)
Já são 15 anos de espera. Um dos mais tradicionais cinemas de rua de Belo Horizonte ensaia uma reabertura que parece nunca chegar. Desde a exibição de sua última sessão, em 1999, o imóvel que abrigou o Cine Pathé, no coração da Savassi – a meio quarteirão da praça Diogo de Vasconcelos –, região centro-sul de Belo Horizonte, já foi igreja evangélica, feira popular e estacionamento. Atualmente, de portas fechadas, ele espera o início das obras de restauração da fachada e a construção de um prédio de nove andares.

Anunciada no início de 2013, a prometida reforma nem chegou a sair do papel. Em 2012, o Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de BH aprovou o projeto da Farkasvölgyi Arquitetura e da construtora PHV Engenharia, para a edificação de uma torre comercial. A condição para essa obra, segundo a Fundação Municipal de Cultura (FMC), era a manutenção da fachada e a doação do andar térreo, onde está o cinema, à administração da prefeitura.

O projeto, que continua engavetado, prevê a construção de um edifício comercial com entrada pela rua Alagoas, além de dois níveis subterrâneos com garagem. Os andares que dão acesso à avenida Cristóvão Colombo receberiam um cinema multiuso, com capacidade para 252 poltronas, além de espaço para exposição e uma cafeteria.

De acordo com a assessoria da FMC, as negociações entre os autores do projeto e o dono do imóvel, o empresário Bruno Henriques, não vingou. O local está alugado até 2017 para o shopping Xavantes. Aliás, no final do ano passado, durante o Natal, o imóvel do Pathé chegou a abrigar uma "filial" do comércio popular, que durou pouco, e foi fechada por falta de alvará. Como explica a FMC, no mês passado, foi protocolada junto ao Conselho do Patrimônio Cultural a intenção de se reabrir o local para instalação do shopping popular.

Arquivo EM/D.A Press
O charmoso letreiro luminoso do Cine Pathé ainda convidava os belo-horizontinos para uma sessão de cinema na década de 1970 (foto: Arquivo EM/D.A Press)
Preservação


Inaugurado em 8 de maio de 1948, na avenida Cristóvão Colombo 315, na Savassi, seu nome é uma homenagem a Charles Pathé, que construiu, na França, no início do século passado, o primeiro império cinematográfico. O tradicional cinema faz parte da história de muitos belo-horizontinos e já foi até inspiração para a música Tão Seu, letra de Chico Amaral e Samuel Rosa: "Não diga que não vem me ver. De noite eu quero descansar. Ir ao cinema com você. Um filme à toa no Pathé".

A socióloga Celina Albano, ex-secretária de Cultura de Minas Gerais e autora de um livro sobre o Cine Pathé, afirma que é preciso lutar para preservar o patrimônio cultural de BH. Sobre o cinema de rua da Savassi, ela explica que tentou negociar com o prefeito, na época de seu secretariado. "Tem quem haver uma aliança do poder público com o privado", diz.

Celina ainda lamentou a notícia de que o cinema, que um dia estampou um letreiro luminoso ao estilo de Hollywood, continua sem um uso definido. "A gente vive num mundo em que o empresariado brasileiro só quer ganhar dinheiro, não tem aquela generosidade de espalhar cultura".

O dono do imóvel, Bruno Henriques, que também é diretor do complexo de cinemas Cineart, e os representantes da PHV Engenharia não retornaram os contatos da redação até o fechamento da matéria.

Divulgação
A perspectiva mostra como deve ficar a sala de cinema do Pathé, de acordo com o projeto da PHV Engenharia (foto: Divulgação)

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