Daniel comemora 30 anos de carreira

O cantor paulista fala sobre as três décadas de uma bem sucedida trajetória musical, além do programa The Voice e da sua biografia Minha Estrada

por João Paulo Martins 27/10/2014 16:39

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Facebook/Daniel/Reprodução
O cantor Daniel se apresenta ao lado do pai, José Camilo, que foi sua inspiração para aprender a tocar violão e iniciar a carreira musical (foto: Facebook/Daniel/Reprodução)
Em 1968, na cidade paulista de Brotas, que tem menos de 22 mil habitantes, nascia José Daniel Camillo, que ficou conhecido em todo o Brasil como o cantor sertanejo Daniel – que faz show em BH no dia 1º de novembro, no Chevrolet hall.

Aos cinco anos ele já tocava violão, que aprendera com o pai. Mais tarde, ao participar de festivais na região de Brotas, conheceu José Henrique dos Reis, que viria a ser seu parceiro, o João paulo. O primeiro disco da dupla foi lançado em 1985, mas só em 1992, eles emplacaram um sucesso nacional: Desejo de Amar.

Em 1997, um acidente de carro na rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo, encerraria a parceria de cinco anos da dupla. João Paulo morre, mas os brasileiros ainda guardam a música Te Amo Cada Vez Mais como um símbolo do sucesso dos dois sertanejos.

A partir de 1998, Daniel inicia sua carreira solo, que contempla 17 discos, quatro DVD's e muitos prêmios. Em 2009, ele lança o filme O Menino da Porteira, uma refilmagem do clássico de Sérgio Reis. A trilha sonora do longa rende ao Daniel o prêmio Grammy Latino. Ele também atuou no filme. Aliás, o cantor já fez participações na Rede Globo, incluindo o papel do peão Zé Camilo, na novela Paraíso (2009).

Confira abaixo a entrevista exclusiva de Daniel à Encontro:

Revista Encontro – Como é cantar para o público mineiro, ainda mais que Belo Horizonte está se tornando cada vez mais "sertaneja"?
Daniel – É maravilhoso poder voltar a BH e reencontrar esse povo que ama suas origens e sempre me recebeu com muito carinho.

São 30 anos de carreira e mais de 13 milhões de discos vendidos. Como você avalia sua trajetória? Sua música mudou ao longo do tempo, especialmente após a perda do companheiro João Paulo?
Posso dizer que me sinto realizado com a minha trajetória, pois, nesses 30 anos de carreira, procurei levar o meu amor pela música e me dedicar ao público, com muita verdade. A gente muda e, com isso, a nossa música também se transforma. Isso é muito positivo: poder transitar em vários gêneros; ter outras experiências. Sou muito eclético e acho que nada deve ser tão engessado. Tudo passa por transformações necessárias.

Como você avalia o novo momento da música sertaneja no Brasil, em que o chamado sertanejo universitário está "bombando"?
Acho super positivo termos novos representantes no mercado. É um jeito um pouco diferente de fazer os arranjos, mas sou contra os rótulos, por que, no final, a música é uma mistura. Ela vai agregando elementos, com o tempo, e resgatando também legados do nosso passado. Fico feliz quando escuto música boa. E não importa o gênero. É o que fica, é o que tem qualidade.

Para celebrar a carreira, você lançou o DVD Daniel 30 Anos, O Musical. Como foi essa experiência de fazer um show diferente, mais teatralizado?
Foi uma experiência incrível, bem complexa, mas que trouxe um resultado acima do que eu esperava. Idealizei esse show no formato de um musical, há muitos anos, quando assisti pela primeira vez o Fantasma da Ópera. Sempre carreguei comigo essa vontade de trazer elementos dos musicais para meu palco. Foi então que retomei essa ideia para contar a minha história. Montamos um repertório que foi se encaixando à grande produção: estiveram envolvidos mais de 200 profissionais. No palco, comigo, tivemos 16 atores/cantores, que me ajudaram a narrar minha trajetória de 30 anos na música.

Alex Carvalho/Rede Globo/Divulgação
Os 'técnicos' do programa The Voice Brasil; Carlinhos Brown, Cláudia Leitte, Daniel e Lulu Santos (foto: Alex Carvalho/Rede Globo/Divulgação)


O show em BH terá a mesma estrutura do DVD?
Não, esse show só apresentamos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Infelizmente ele tem uma estrutura muito grande, que não possibilitou levar para várias cidades. Em BH, vamos apresentar um show dinâmico, que tem um repertório mesclando grandes sucessos da minha carreira, e, também, homenagens em forma de 'pot pourri', com músicas dos meus colegas técnicos do The Voice Brasil [Carlinhos Brown, Cláudia Leitte e Lulu Santos].

Este ano, você foi convidado para participar do 30º Brazilian Day, em Nova Iorque. Como foi a experiência? Por que escolheu Carlinhos Brown como seu convidado para o show?
Todas as vezes em que participei de um Brazilian Day, tive gratas surpresas, por que é um evento extremamente organizado e com uma energia maravilhosa. As pessoas que estão ali querem matar a saudade do Brasil, e ser um instrumento para isso, é muito especial. Levei o Carlinhos para participar do meu show por que temos muito em comum, ficamos amigos no The Voice e já fizemos ótimas parceiras desde então.

Por falar em Carlinhos Brown, conte um pouco sobre o trabalho no The Voice Brasil. É difícil escolher um novo talento, entre tantas vozes que se destacam? Como foi o convite para fazer parte do programa?
Fui convidado pelos diretores para participar desse projeto da Globo, que é muito especial. Um programa que tem um cuidado incrível, e que traz talentos da nossa música brasileira, para a televisão, me fascinou de cara. Mas, nossa missão ali é, simk muito difícil. O Brasil é um celeiro de talentos. Gente que, às vezes, chega ali e já está até pronta. Eu procuro agir com o meu coração, desde a primeira edição do programa. A voz precisa me arrepiar, ter qualidades técnicas, é claro, mas ter emoção.

A sua biografia Minha Estrada é um sucesso de vendas em todo o Brasil. Por que o público ficou tão interessado em sua história? Como chegou a ser considerado o "príncipe" da música brasileira?
Fico feliz que minha biografia esteja sendo tão bem recebida. E, na verdade, ali coloquei meu coração, abri a minha vida, que sempre foi muito acessível às pessoas. Mas, trouxe detalhes que talvez muita gente que me acompanha não soubesse, senão, não faria sentido. Fico ainda mais realizado ao saber que a renda referente à minha parte desse livro está sendo revertida para as Apae's do Brasil. Pois, somar na vida das pessoas é algo que eu sempre procuro fazer, e a Apae é até citada no livro, pois fez parte da vida da minha família, por meio do meu irmão Gilmar. Sobre o titulo de príncipe, o Lulu Santos me deu essa honra, de ser chamado assim, por que talvez tenha me achado educado, gentil. Mas, eu sempre fui assim, é minha natureza. Não é algo fabricado para o programa. Não me considero príncipe, sou uma pessoa como outra qualquer. Esse meu jeito de ser veio da educação que recebi dos meus pais.

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