Internet: uma verdadeira galeria de arte para novos artistas mineiros

Uma ideia na cabeça, uma conexão com a internet e muita criatividade compõem a receita usada por muitos artistas para se expressar, e, claro, divulgar o trabalho sem depender de espaços físicos

por Fernanda Nazaré 19/11/2014 10:40

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Maria Navarro/Divulgação
As flores na boca, do projeto Beija-Flor, é uma analogia com a reprodução da planta e a propagação de ideias, que saem por meio da fala (foto: Maria Navarro/Divulgação)
Novos artistas não estão mais dependendo de galerias de arte, exposições ou mesmo concursos para ganhar visibilidade. A internet, com suas várias redes sociais, tem sido uma espécie de "vitrine informal", com infinitas possibilidades para as mentes criativas, como as do casal Maria Navarro, de 25 anos, e Ciro Thielmann, de 22.  Ambos são fotógrafos, e um auto-retrato de Ciro com uma flor de hibisco na boca serviu de inspiração para criarem o projeto Beija-Flor. Ele consiste no ato de se fotografar pessoas com uma flor na boca, numa espécie de paralelo entre o sistema reprodutor da planta e a parte do corpo humano que verbaliza as ideias. "Um dia conversamos sobre a foto do Ciro, e como poderíamos criar o mesmo conceito, mas com outras pessoas, texturas de fundo e flores. Fizemos a página no Facebook para mostrar aos nossos amigos, e logo surgiram vários seguidores", conta Maria.

A partir daí, o trabalho do casal já foi exposto até no Mercado Distrital do Cruzeiro, como parte do projeto Conexão BH. Eles também foram convidados a apresentar as fotos no Primavera dos Museus, no Circuito Cultural Praça da Liberdade. O próximo passo dos artistas é fotografar pessoas e flores pelo mundo, mostrando as peculiaridades de cada local por meio da mesma pose. "Duas colaboradoras do projeto já fizeram fotos na Argentina. O Ciro está na Alemanha, onde deve ficar por um ano, e está aproveitando para fotografar. Eu também vou passar seis meses em Londres e farei mais fotos", diz a jovem fotógrafa.

Instagram/Reprodução
Dizeres Imperfeitos trabalha frases anônimas ou não de forma gráfica, para valorizar a mensagem que passam (foto: Instagram/Reprodução)


Outro mineiro de alma artística que vem ganhando espaço na internet é o designer Felipe Ambrosio, de 28 anos, mais conhecido pelo apelido "Pil". O que era para ser fruto de um momento de tristeza, devido ao fim de um relacionamento, virou um trabalho sério: frases de personalidades e pessoas comuns estilizadas graficamente. Atualmente, o projeto Dizeres Imperfeitos é a principal ocupação do designer. "Larguei meu antigo emprego e, hoje, recebo encomendas de quadros e pinturas em paredes quase diariamente. Além disso, por causa do projeto, fui convidado para dar diversas palestras e, mais recentemente, workshops", conta.

Ainda segundo Ambrosio, o projeto só ganhou tal dimensão – hoje conta com mais de 6 mil seguidores no Instagram – graças ao engajamento nas redes sociais e ao potencial de engajamento que essas redes oferecem. "Tem sido nove meses muito divertidos, e como escolhi não pagar para promover minhas publicações, o crescimento que obtive foi única e exclusivamente devido ao 'boca a boca' e compartilhamento espontâneo dos leitores. Isso é ainda mais legal para mim", diz.

Divulgação
Depois de ganhar as ruas de BH, os corações 'frágeis' de Sabrina Abreu se transformam em produtos, que podem ser adquiridos pelo público (foto: Divulgação)


Fragilidade

O coração de toda pessoa é frágil. Sem exceção, no mundo todo. Se houvesse uma etiqueta que alertasse para essa vulnerabilidade, talvez alguns corações partidos pudessem ser poupados. Será? Foi com esse pensamento em mente que, em maio deste ano, a escritora Sabrina Abreu passou a espalhar pelas ruas de Belo Horizonte cartazes com corações desenhados, sobre os quais se lia a palavra "frágil", em português, inglês, hebraico e japonês. A diversidade dos idiomas apontava para a universalidade do tema e, meses depois, pela internet, cartazes com os mesmos dizeres foram vistos em intervenções urbanas pelo mundo afora, como Jerusalém (Israel), Roma (Itália) e Sidney (Austrália) – além de se espalhar pela internet.

Agora, Sabrina se juntou à designer Juliana Porfírio, do ateliê Quarto de Costura, e, juntas, criaram novos produtos com o mesmo conceito e traço dos lambe-lambes fixados em postes e pendurados em estátuas nas ruas de BH. O primeiro lançamento das duas artistas, em novembro de 2014, são almofadas decorativas e pôsteres que pretendem disseminar, dentro das casas, a mensagem que ganhou as ruas e a rede mundial de computadores. A almofada, de R$ 90, será vendida nas lojas da região da Savassi e pela internet. "Nela, por enquanto, existe apenas a palavra 'frágil' em português, mas quem quiser, pode encomendar com o nome do casal, por exemplo", diz Sabrina.

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