Livro fala como David Bowie mudou a geração dos anos 1970

De autoria do jornalista Peter Doggett, a publicação apresenta uma análise da carreira do músico inglês de 1969 a 1980, de forma a entender como sua obra influenciou o estilo de vida e de se vestir de artistas e até dos próprios fãs

por João Paulo Martins 24/11/2014 15:03

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Vimeo/Reprodução
Cena do videoclipe da música Ziggy Stardust, de 1973, que traz David Bowie já caracterizado como um personagem das 'estrelas' (foto: Vimeo/Reprodução)
"É, com certeza, verdade que David Bowie mudou seu estilo musical e sua aparência nos anos 1970. Mas eu não acho totalmente certo dizer que ele foi uma espécie de 'camaleão'. O mais importante é que fez suas mudanças antes que o restante do cenário cultural à sua volta tivesse se alterado", diz Peter Doggett (de A batalha pela alma dos Beatles), jornalista e escritor responsável pela obra David Bowie e os Anos 70 – O Homem que Vendeu o Mundo, da editora Nossa Cultura, que chegou ao mercado brasileiro em outubro deste ano.

O livro é um relato intenso sobre como a música do inglês David Bowie refletia e influenciava o mundo que o cercava. Mais do que isto: como o mundo que o cercava influenciava no seu processo de criação como artista. Foi durante a década de 1970 que o cantor se tornou a lenda que é hoje, após uma série de discos incríveis, acompanhados de grandes revoluções no modo de se vestir e de incorporar diferentes personagens nos palcos – e fora deles.

Divulgação
O jornalista Peter Doggett: "Eu tentei entrar na cabeça do músico, para analisar suas letras e melodias" (foto: Divulgação)
A obra de Peter Doggett começa com o primeiro disco de Bowie, intitulado Space Oddity, de 1969. "Escolhi esse título porque considerei o primeiro que o cantor começa a falar sobre seu mundo de forma mais íntima e honesta. Houve tanta emoção e orgulho após a 'conquista' da Lua em 1969, e tanta ansiedade nos meses que antecederam esse evento, que foi preciso muita coragem de Bowie para mostrar ao mundo um disco sobre a viagem espacial sendo uma espécie de 'rua sem saída'", explica o escritor inglês.

De acordo com Doggett, essa opção do cantor foi uma demonstração antecipada de que ele seria a pessoa ideal para registrar o crescente sentimento de depressão e anticlímax que viria a pairar nos anos 1970 – ao contrário do otimismo e excitação dos anos 1960. "David Bowie já trabalhava com música há anos, mas apenas com Space Oddity começou a ter sucesso. Ele percebeu que, para ser conhecido, precisava mostrar ao mundo que ele era uma estrela, mas não no sentido da fama, e sim, que era originário do espaço. Foi então que criou o personagem Ziggy Stardust", conta o jornalista inglês, que escreve sobre música pop, indústria do entretenimento e história social e cultural desde 1980.

O personagem deu a Bowie a tão esperada ascenção no mercado musical da época. Muitos artistas, como explica Peter Doggett, teriam deixado que Ziggy Stardust "vivesse" até o fim de suas carreiras, para lhes garantir o sucesso "eterno". Mas esse não foi o caso do cantor inglês. "Bowie chegou a citar uma frase antiga usada no showbiz: 'Sempre deixe a plateia querendo mais'. E ao 'matar' Ziggy no auge da popularidade desse personagem, ele o transformou numa lenda do rock, e teve certeza de que os fãs ficariam desesperados para saber o que viria a seguir", diz.

O livro David Bowie e os Anos 70 – O Homem que Vendeu o Mundo termina nos anos 1980, com o lançamento de Scary Monsters. A obra também fala da relação do artista com outras personalidades da época, como Andy Warhol, Iggy Pop e Lou Reed. Diferente de outros livros já escritos, Peter Doggett se concentrou em falar de David Bowie como um artista produtivo, polêmico e com grande tino para se autopromover, e não como uma celebridade e seus escândalos. "Já foram escritor vários livros sobre ele, mas a maioria se concentra nas histórias sobre sexo e drogas. Meu livro é uma verdadeira coleção de ensaios sobre as músicas de Bowie. Eu tentei entrar na cabeça do músico, para analisar suas letras e melodias. Ouvi as mesmas músicas que ele ouviu, li os mesmos livros e vi os mesmos filmes. Eu queria mostrar extamente a forma como David consturiu suas memoráveis gravações, e como elas foram uma perfeita descrição para a conturbada e fascinante década de 1970", completa Petter Doggett.

Assista abaixo ao clipe de Starman, música de David Bowie produzida em 1972, e que faz parte do álbum The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (A Ascenção de Ziggy Stardust e as Aranhas de Marte):

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