Cinco vezes Daniel de Oliveira

O ator mineiro, durante o Festival de Berlim, falou à Encontro sobre participações no cinema em 2015, incluindo o filme que abriu uma mostra no evento alemão de cinema: Sangue Azul

por Manoella Barbosa - Especial para Encontro Digital 19/02/2015 09:22

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Brigitte Dummer/Divulgação
O ator Daniel de Oliveira durante a apresentação do filme Sangue Azul no Festival de Berlim de 2015 (foto: Brigitte Dummer/Divulgação)
Manhã de inverno na capital da Alemanha, Berlim. Os termômetros apontam - 5°C. O mineiro Daniel de Oliveira, ator, recebe a equipe da Encontro no bar de um hotel nas proximidades da praça Postdamer Platz, para falar sobre sua passagem pela cidade, em ocasião do Festival de Cinema de Berlim.

O ator esteve na cidade europeia apresentando o longa-metragem Sangue Azul. O filme abriu a mostra Panorama do conceituado festival de cinema. O atraso de 20 minutos é logo perdoado diante da simpatia do entrevistado. "Você quer uma água ou um café? Ou os dois?", pergunta o intérprete de Cazuza, antes de depositar o sobretudo de lã sobre a cadeira de couro vermelha.

Dirigido por Lírio Ferreira, Sangue Azul ganhou o troféu Redentor de melhor filme e diretor na categoria ficção do Festival do Rio de 2013, além do troféu de melhor ator coadjuvante para Rômulo Braga, com quem Daniel começou a fazer teatro em Belo Horizonte: "Conheço o Rômulo há anos, ele é meu 'brother'. Foi bom demais voltar a trabalhar com ele depois de tantos anos", diz Daniel.

Ao seu lado, a namorada Sophie Charlotte, que troca algumas palavras e se despede, com a promessa de busca-ló em uma hora. Um apaixonado Daniel explica: "Trouxe minha tradutora oficial junto comigo para a Alemanha, a Sophie. Eu acho muito lindo vê-la falando alemão".

Confira abaixo alguns trechos da conversa:

ENCONTRO – Bom dia, Daniel. Como está sendo sua estadia na Alemanha?
DANIEL DE OLIVEIRA – Opa, esse sotaque mineiro eu reconheço de longe [risos]. Estamos há três dias em Berlim, uma estadia muito curta para conhecer uma cidade deste tamanho, tão espalhada. Visitamos o museu dos judeus e alguns monumentos. Quero ir ao museu da RDA, a antiga Alemanha Oriental. Também fomos ao muro de Berlim e ao Tegelhof, o antigo aeroporto, construído pelos nazistas. Sophie e eu alugamos bicicletas. Estou adorando.

Divulgação
Cena do filme Estrada 47, que retrata a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial (foto: Divulgação)


E você já fala alemão? Já que sua namorada nasceu aqui.
Faço aulas de francês, falo um pouco de italiano e de inglês, mas com o alemão ainda tenho poucas referências. Acho uma língua linda. Aqui em Berlim, alugamos um apartamento no bairro de Kreuzberg. É de uma francesa, amiga do Renatinho [Renato Rondon, diretor de produção de Sangue Azul]. Estamos os quatro lá: Sophie, Renato, Pedrinho [Pedro Minas, assistente de produção] e eu. É minha primeira vez na Alemanha. Quero aprender essa língua. Até agora só sei falar 'wunderbar' [Daniel se alinha na cadeira, ajusta a camisa, engrossa a voz, para, em seguida, morrer de rir de si mesmo]. A Sophie tem me dado uma força.

Você está em Berlim apresentando o filme Sangue Azul. É sua primeira parceria com o diretor pernambucano Lírio Ferreira. Fale um pouco do filme e do seu personagem.
São diretores como o Lírio que me levam a fazer os filmes que escolho. Gosto dessa conversa mais aberta do cinema, de perceber que o o cara está buscando e que não tem medo de arriscar. Com o Lírio foi muito assim. Meu pensamento é: 'Pode até dar errado, mas que dê errado com todo mundo junto'. O Lírio traz um frescor enorme para a equipe; ele muda as coisas na hora; é muito criativo. É um diretor inesperado e com um certo descompromisso, mas, ao mesmo tempo, com um amor inabálavel ao cinema. E minha personagem é um presente. É uma personagem que tem um relação incestuosa com a irmã e é um artista de circo. Estou grato por ter participado desse filme.

Você esteve em janeiro no Festival de Cinema de Tiradentes, promovendo um outro filme, Órfãos do Eldorado, com a Dira Paes.
Isso, e foi bom 'demais da conta, sô'! [Daniel ri, carregando no sotaque mineiro]. Órfãos do Eldorado foi dirigido por Guilherme Coelho e inspirado no romance de Milton Hatoum. O filme foi filmado no Pará. É um projeto sensível e bonito. Eu fui de carro do Rio até Belém, uma coisa que escolhi fazer, assim, pra me ajudar na preparação do personagem. Deve sair na segunda metade do ano. Ficou muito bacana o resultado.

E como foram os dias em Tiradentes?
Foi bem corrido por que o festival foi entre o aniversário do Raul [um dos dois filhos de Daniel com a atriz Vanessa Giácomo, e que fez sete anos no dia 21 de janeiro] e o da minha mãe, que fez 61 no dia 25. Aproveitei para mostrar Bichinho para Sophie. [neste momento, Daniel interrompe para saber se a repórter já foi à cidadezinha mineira. Confrontado com a resposta negativa, o ator fica indiganado: 'Mas você precisa ir a Bichinho']

Divulgação
Daniel de Oliveira e Dira Paes contracenam no longa Órfãos do Eldorado (foto: Divulgação)


E por que Bichinho?
Ah, por tudo. O clima na cidade, a natureza, as pessoas...Bichinho 'é colada' em Tiradentes, e possui um artesanato forte. Você tem de ir para lá. [diz, com o dedo em riste e cara séria]. É um dos lugares que mais curto quando estou em Minas. Comprei um Divino Espírito Santo de madeira lá, lindo, e que, agora, está na parte de cima da minha casa, no Jardim Oceânico,no Rio de Janeiro.

Falando em Minas Gerais: como é a sua relação com Belo Horizonte?
Eu fui criado entre Padre Eustáquio, Calafate e Prado. Meu pai é do Calafete e minha mãe do Padre Eustáquio. A última vez em que estive lá foi na Copa do Brasil, do ano passado, quando o Atlético levou o título. Eu tinha de estar em Belo Horizonte para ver aquele jogo. Gosto de levar meus filhos aos lugares da minha infância, como naqueles brinquedinhos de madeira da praça do Papa. Fiz questão de colocá-los ali e tirar uma foto, com BH ao fundo. Tenho muitos amigos na cidade. Gosto de reunir a galera e levar todo mundo para comer no Xapuri, que tem uma comida excelente e um atendimento muito bom. Embora a costelinha da minha avó seja a melhor coisa que eu já comi na vida. [Daniel lambe os beiços, fingi estar cheirando o aroma de uma panela imaginária].

O que o público poderá ouvir sobre Daniel de Oliveira em 2015?
Ah, esse ano vai ser uma verdadeira overdose de Daniel [gargalhadas]. Além de Sangue Azul, que tem estreia prevista no Brasil em abril, e de Órfãos do Eldorado, vamos estrear mais dois filmes: o Romance Policial e A Estrada 47. Em Romance Policial, tive o privilégio de ser dirigido pelo Jorge Duran. É um filme de mestre. O Jorge é um cara que tem uma longa estrada no roteiro, na construção, na feitura do texto. Eu interpreto Antônio, um funcionário público que quer ser escritor e que viaja ao deserto do Atacama [no Chile] em busca de inspiração para redigir um conto. Mas, tudo acaba mudando de rumo. E tem A Estrada 47, do Vicente Ferraz, que a gente gravou no norte da Itália, com neve até aqui [Daniel levanta, mostra a mão rente à altura do joelho, frisando a palava 'aqui1 e ri]. O filme possui uma pegada bacana, é 'cinemão' mesmo. Conta a história dos pracinhas brasileiros que lutaram na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. A estreia no Brasil está programada para o dia 7 de maio, coincidindo com as comemorações dos 70 anos do Dia da Vitória, que é o final da guerra.

Rodrigo Valença/Divulgação
O filme Sangue Azul abriu a mostra Panorama do Festival de Berlim este ano (foto: Rodrigo Valença/Divulgação)


E os projetos televisivos?
Fui convidado para participar de Assombrações, uma minissérie de cinco capítulos, feita pelo núcleo Miguel Arraes e com direção da Flávia Lacerda, que é uma diretora de Pernambuco, muito boa. Este deve ser o meu único projeto na Globo, este ano. Se não me engano, vai ao ar em maio. Nossa, agora, falando isso é que 'tô' vendo... Vai 'ter eu' [sic] cinco vezes este ano.

Sophie aponta na porta do bar. Daniel sorri para a namorada, bebe um gole da água que pediu no começo da entrevista e nem tocou. Despede-se, pega o sobretudo e levanta. Ainda querem visitar o Castelo de Charlottenburg, a residência de verão da primeira rainha da Prússia, que leva o nome de...Sophie Charlotte. A paixão observada pela reportagem em Berlim confirmou: dias após a entrevista em Berlim, Daniel e Sophie surgiriam no Rio de Janeiro usando alianças de noivado, durante o Carnaval.

Aqui estão os trailers dos filmes em que Daniel de Oliveira participa este ano (exceto Órfãos do Eldorado, que não permite incorporação):

A Estrada 47


Sangue Azul


Romance Policial

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