Livraria Status fecha a porta na Savassi

A tradicional loja deixa espaço que ocupou por 40 anos na região, que é um dos principais pontos turísticos de Belo Horizonte

por João Paulo Martins 16/03/2015 15:30

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Google Maps/Reprodução
Depois de funcionar por décadas na rua Pernambuco, na Savassi, a livraria Status deve reabrir num espaço bem menor, na mesma região (foto: Google Maps/Reprodução)
Depois de vários restaurantes fecharem as portas, agora, chegou a vez de tradicionais livrarias da região centro-sul de Belo Horizonte. Em 2013, com as obras de requalificação da Savassi, a Livraria e Café da Travessa não suportou o aumento de 100% do aluguel e deu adeus a seus frequentadores assíduos – era referência na região e funcionou por 15 anos. Este ano, chegou a vez da livraria Status Café Cultura e Arte, que está há 40 anos no mesmo imóvel, na rua Pernambuco, e, além da loja, promovia constantemente shows e eventos culturais.

"O aluguel ficou muito caro e não temos condição de pagar", diz o proprietário Rubens Batista. Segundo ele, a Status deve mudar para uma loja pequena próxima à Gujoreba, na rua Antônio de Albuquerque. "Vamos ver se conseguimos sobreviver. Será uma luta", completa. A data de saída em definitivo do imóvel atual é dia 25 de março, quando entregará as chaves ao proprietário.

Além da Status, há um boato de que a Livraria Mineiriana também estaria entregando o ponto. Muitos frequentadores perceberam essa possibilidade de fechamento depois que a loja passou a fazer promoções de "limpeza" de estoque, com descontos de até 70%. A Encontro procurou a responsável pela loja, Juliana Soares, mas não obteve resposta. Leonardo Oliveira, sócio da cafeteria Edith Café, que funciona dentro da livraria, disse não saber sobre o possível fechamento.

Problema generalizado

Para Alessandro Rucini, presidente da Associação dos Moradores da Savassi e diretor da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL/Savassi), existem dois tipos de crise pelas quais estão passando os comerciantes da região: uma macroeconômica, relacionada à atual crise brasileira, e outra regional, ligada à Savassi. "A região vem sofrendo com aumentos sucessivos dos aluguéis nos últimos dois anos, desde a revitalização da praça", diz.

Como ele explica, ao contrário do aluguel residencial que sofre aumento proporcional à modernização da área em que se situa o imóvel, o aluguel para o comerciante deveria crescer conforme o aumento das vendas. Mas, na prática, isso não vem acontecendo. "Infelizmente o aumento dos preços dos aluguéis é uma questão particular, e como a CDL preza pela liberdade de negociação, não podemos interferir", comenta Alessandro Rucini, que possui loja no shopping 5ª Avenida, que fica na valorizada região da capital, e que possui aluguéis variando de cerca de R$ 1 mil a R$ 5 mil.

Para se ter uma ideia, segundo o diretor da CDL, o aluguel de um imóvel situado na praça da Savassi pode chegar a R$ 50 mil. "Às vezes a loja fica fechada por meses e o prejuízo do proprietátio acaba sendo maior do que se não tivesse aumentado o aluguel", completa o comerciante.

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