Juliano Salgado fala sobre o documentário O Sal da Terra

Filme sobre a vida e a carreira do fotógrafo mineiro Sebastião Salgado estreia nos cinemas brasileiros na sexta-feira

por Vinícius Andrade 23/03/2015 13:13

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Thierry Pouffary/Decia Films/Reprodução
Juliano Salgado (esq.) com o pai Sebastião Salgado, retratado no documentário O Sal da Terra, que estreia na próxima sexta, e o premiado diretor alemão Wim Wenders (foto: Thierry Pouffary/Decia Films/Reprodução)
A história de um dos maiores nomes da fotografia brasileira e mundial poderá ser vista pelo público no próximo dia 26 de março nos principais cinemas de Belo Horizonte. Dirigido pelo alemão Wim Wenders e pelo filho do protagonista, Juliano Ribeiro, O Sal da Terra (2004) revela os bastidores das aventuras de Sebastião Salgado pelo mundo.

Em 40 anos de carreira, o fotógrafo mineiro – natural da cidade de Aimorés, que fica na região do Vale do Rio Doce – percorreu lugares pouco visitados, e foi testemunha de uma humanidade cruel e desigual.  O Sal da Terra foi escolhido como melhor documentário no César 2015, o Oscar francês, e levou o prêmio especial do júri da seção Um Certain Regard no Festival de Cannes em 2014.

A obra também foi destaque na imprensa internacional: "Uma suave e sedutora biografia do legendário fotógrafo brasileiro", diz o jornal britânico The Guardian; "Win Wenders confirma sua maestria na forma documental com esta ode impressionante a Sebastião Salgado", noticia a revista americana Variety. Através do olhar de Sebastião, o documentário conduz o público a uma visão diferenciada sobre a humanidade. De acordo com os diretores, o filme tenta mostrar que ser fotógrafo é escrever e reescrever o mundo com luzes e sombras.

Durante quase duas horas, Win Wenders, Juliano e o próprio Sebastião Salgado narram histórias que renderam diversos livros, como Outras Américas (1986), Êxodos (2000) e África (2007). Grande parte das cenas são gravadas em preto e branco, contribuindo ainda mais para a dramaticidade dos depoimentos. O documentário ainda exibe imagens feitas por Juliano Salgado durante as viagens com o pai. Os trabalhos na África, por exemplo, mostram as condições de pobreza extrema e sofrimento das comunidades que vivem no continente mais pobre do mundo. Nessas situações, o público pode apreciar os bastidores de cada jornada.

Imovision/Divulgação
O documentário O Sal da Terra tenta passar para o telespectador o mundo sob o ponto de vista de Sebastião Salgado, ou seja, como um jogo de luz e sombra (foto: Imovision/Divulgação)


Juliano Ribeiro Salgado, co-diretor e filho de Sebastião Salgado, falou com exclusividade à Encontro sobre o lançamento do documentário no Brasil na próxima semana.

REVISTA ENCONTRO – Quanto tempo foi gasto na produção do documentário?
JULIANO RIBEIRO SALGADO – A gente começou a filmar em fevereiro de 2009 e finalizamos em maio de 2013.

Como foi a parceria com diretor alemão Wim Wenders?
O Wim é fantástico. Começamos a trabalhar juntos e ele chegou com ideias inovadoras. Nos depoimentos do Sebastião, por exemplo, o Wim não entrevista meu pai. O Sebastião foi colocado em frente a uma lente em que ele via sua própria imagem. Fizemos uma ótima parceria.

O que representa, para você, divulgar o trabalho sobre seu pai no Brasil?
É um imenso orgulho mostrar o documentário no Brasil, especialmente em Minas, que é a terra de meu pai. Isso é muito importante pra mim, faz eu me sentir muito bem. No filme, a gente fala do mundo, mas tudo começa em Aimorés, no interior de Minas Gerais, onde Sebastião nasceu.

O que vocês pretendem despertar no público por meio do documentário?
O documentário tem uma mensagem muito forte. O Sebastião não chegava em algum lugar e simplesmente fotografava. Ele convivia com as pessoas, se tornava amigo delas. Apesar das histórias tristes, nossa ideia é passar uma mensagem de otimismo e esperança.



Como foi realizar um trabalho sobre seu pai?
Foi um grande prazer. Quando eu era criança, não tinha tanto contato com o Sebastião, porque ele viajava muito a trabalho. Ele me contava as histórias dos lugares e depois eu pude acompanhá-lo em outras viagens. Participar desse filme foi uma grande experiência.

Qual trabalho realizado junto com seu pai que mais lhe marcou?
Não existe um específico, todos me marcaram. Mas, o que mais me chamou atenção, é que mesmo em lugares estranhos e de culturas diferentes, nos sentimos em casa, fomos acolhidos de uma forma incrível.

Após vivenciar vários dramas sociais, você acaba se acostumando ou sempre se emociona com a história de cada lugar?
O Sebastião conheceu muitos lugares e presenciou histórias muito tristes. Ele nunca se acostumou. Sempre que chegava de alguma viagem ele me contava sobre aquele lugar. Ele cria laço com as pessoas e se torna amigo delas.

O Sal da Terra foi escolhido o melhor documentário no César 2015 e premiado no Festival de Cannes em 2014. O que esses títulos representam para você?
Essas premiações me enchem de orgulho. É muito importante ter esse reconhecimento. Fiquei muito feliz com os prêmios.

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