'Minha vida virou uma loucura'

O vlogueiro Christian Figueiredo vai estrear em Belo Horizonte seu espetáculo Eu Fico Loko, e conversa com a Encontro sobre o YouTube, sua carreira e a expectativa para a apresentação

por João Paulo Martins 05/08/2015 12:46

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YouTube/Reprodução
Com apenas 20 anos, o paulista Christian Figueiredo já conta com quase 5 milhões de seguidores nos seus dois canais no YouTube, e já lançou dois livros com suas histórias engraçadas (foto: YouTube/Reprodução)
Quando o jovem paulista Christian Figueiredo de Caldas decidiu criar um canal no YouTube, não podia imaginar a repercussão que teria. Ele, que sempre gostou de fazer vídeos e queria até seguir a carreira no cinema, acompanhava muitos vlogueiros (como são chamados aqueles que fazem 'blog' em forma de vídeo) de sucesso, em 2010, como PC Siqueira e Felipe Neto. Foi então que começou a aparecer contando casos engraçados e discutindo a vida no canal Eu Fico Loko, nesse mesmo ano.

De lá para cá, seu canal principal já conta com mais de 3 milhões de seguidores, e os vídeos possuem, em média, mais de 1 milhão de visualizações. Em 2011, Christian Figueiredo criou um novo canal, para publicar os chamados "daily vlogs", que são uma espécie de diário do cotidiano do youtuber, que, neste caso, tem 20 anos de idade. Com o conteúdo "diário", ele já atraiu um público de nada menos que 1,7 milhão de pessoas.

O jovem possui uma legião de fãs, que são chamados de "lokões" e "lokonas", e faz parte de uma nova geração de youtubers, que conquistam o público ao tratar das questões da vida, do dia a dia das pessoas, ou mesmo analisando assuntos polêmicos e que estão "em alta". Tudo de forma descontraída e bem humorada, ou seja, do jeito que a juventude de hoje gosta de "consumir".

Em 2014, Christian Figueiredo se aventurou pela literatura e lançou seu primeiro livro, intitulado Eu Fico Loko – As Desaventuras de um Adolescente Nada Convencional, pela editora Saraiva, que logo se tornou campeão de vendas. Como ele tinha muito mais histórias para contar para os fãs, já está lançando uma nova obra, Eu Fico Loko 2 – As Histórias que Tive Medo de Contar.

Confira, abaixo, a entrevista com o jovem vlogueiro, que fala da carreira e do espetáculo que traz para Belo Horizonte, no teatro Bradesco:

Fernando Gardinali/Divulgação
Christian Figueiredo: "A internet me forneceu toda a ferramenta necessária" (foto: Fernando Gardinali/Divulgação)
ENCONTRO – Quais são suas expectativas para a apresentação em BH?
CHRISTIAN FIGUEIREDO – Belo Horizonte será o teste desse novo formato que estou lançando, nos palcos. A estreia será em BH. Será a minha trajetória, adaptada ao meu primeiro livro. É como se fosse um 'monólogo' do meu primeiro livro. Depois, levo o show para Vitória (ES).

Então, quem for ao seu show terá um "gostinho" do que se encontra no primeiro livro?
O foco é o livro. É o caminhar do livro na minha voz. É uma espécie de 'áudio-livro', mas adaptado para o palco.

Você vai contar também sua experiência no YouTube?
Exatamente. O formato do espetáculo no teatro segue a trajetória do Christian antes do Eu Fico Loko, e, quando se torna o Christian do Eu Fico Loko, existe um livro. Então, teremos a mescla das páginas do livro adaptadas para o teatro, junto com o Christian do YouTube e mesmo o de antes. Com histórias amarradas, numa espécie de monólogo. Não gosto de chamar de monólogo, porque vou deixar um tempo no final para interagir com o público.

Podemos dizer que o formato do seu espetáculo, então, seria mais livre?
Sim, existirá uma conversa. Mas, claro que vou falar na maior parte do tempo, e, no final, vou abrir espaço para tirar dúvidas. Sempre tem gente que quer levantar a mão e fazer perguntas, mas uma peça não costuma ter esse momento. Eu queria dar o espaço para quem está assistindo.

Pelo que vemos no seu canal, você sempre gostou de fazer vídeos, desde quando era mais novo. Podemos dizer que o YouTube foi a ferramenta perfeita para sua carreira?
Exatamente. O YouTube era a ferramenta certa para fazer meu sonho acontecer. Até então, como você ia mostrar seus vídeos ou conteúdos para o público que não era da internet? Porque TV é TV, e sem a internet não havia outro meio. O mundo virtual dominou a garotada, que, hoje, nem assiste muito a televisão.

Mas, você chegou a pensar em trabalhar na TV?
Quando eu era menor, pensava em seguir a carreira audiovisual, especialmente nos filmes. Eu comecei a fazer um curso de cinema, focado em direção, porque sempre gostei de comandar e delegar funções em projetos. Mas, aí, vi que não era o que queria, porque sou muito 'acelerado' e o curso de cinema é muito 'parado', em comparação com o que gosto. Curto a ‘aceleração’ da internet, de estar sempre produzindo ou fazendo algo, com pouco recurso, de forma rápida. A internet me forneceu toda a ferramenta necessária. Eu deixei o curso, e, seis meses depois, minha vida virou uma loucura.

Você se espelhou em algum youtuber para criar o canal Eu Fico Loko?
No começo assistia aos canais que estavam 'bombando' na época, em 2010, como Felipe Neto, PC Siqueira e Cauê Moura. Aí, veio a nova geração, com formato diferente. Hoje, temos milhares de canais, e fazer sucesso está mais difícil. Eu me sinto privilegiado de ter 'bombado' na nova geração, que já está saturada.

Hoje, muitos canais fazem sucesso com games, mas você preferiu seguir na área dos chamados vlogs (ou videoblogs).
Exato. Hoje, são 'trocentos milhões' de canais de jogos em meio aos de conteúdo. Quem não assiste rotineiramente um canal, se perde em meio aos conteúdos novos. O espaço para novos criadores é pequeno. Me sinto privilegiado por ter 'bombado' na nova geração, a partir de 2010, em que havia poucos canais desse tipo.

Percebemos que o público do YouTube é bem fiel ao canal que assiste, tornando-se um fã "fervoroso". Como você lida com esse assédio nas ruas e nos eventos?
No começo foi uma loucura, pois não esperava tanto assédio. Porque eu também fui fã de um criador de vídeos. Hoje, o fã da nova geração não é alguém que apenas acompanha o canal, como eu fazia, e sim, uma galera fanática, que vai atrás, que compra material publicitário, revista, que quer fazer parte da vida do youtuber. No começo, até me assustei, pensei 'será que é isso que eu quero; ter essa galera me acompanhando; ter essa responsabilidade?'. Mas, depois, pensei que era por um bom motivo, e que tinha de seguir com o que gosto de fazer. Não ia parar com isso. Eu sei que é uma forma de exposição pública.

Esse assédio faz com que seu dia a dia tenha a "limitação" que um ator de TV ou cinema costuma ter?
O legal da internet, em comparação com a TV ou cinema, é que o fã do YouTube se sente muito mais próximo de você. Não se assiste televisão na palma da mão, como se faz com os vídeos, seja no tablet, seja no telefone. Você se sente amigo daquela pessoa, porque o vê antes de dormir e acorda com ele dando bom dia no 'daily vlog' [vídeo que mostra o cotidiano do vlogueiro]. Enfim, você se sente próximo daquela pessoa, a ponto de ser 'amigo' ou pensar que pode ser um dia. Acaba criando um laço de 'fanatismo' maior do que criaria com um, sei lá, Caio Castro, que é assistido todos os dias às 19h, na novela. Você só o vê nesse mesmo horário, no mesmo papel. Ele está apenas interpretando, e não se sabe ao certo quem é a pessoa de verdade. Acho que o YouTube cria o ‘fanatismo’ ao deixar o público com sentimento de 'amizade' pelo criador do conteúdo.

O que o público pode esperar de seu segundo livro? Ele traz novas histórias?
Algumas histórias são do primeiro livro, porque a editora teve de cortar para que não ficasse muito longo. E temos histórias extras, que eu queria ter contado, que tinha anotado, e que no novo projeto pude juntar e escrever um livro ainda maior que o primeiro.

Como está sendo a repercussão do primeiro livro?
O resultado está sendo ótimo, até mais do que eu esperava.

Ouça abaixo o recado de Christian Figueiredo para os fãs mineiros:

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