Limite é escolhido o melhor filme brasileiro de todos os tempos

Associação Brasileira de Críticos de Cinema divulga ranking das 100 melhores produções do país

por Da redação com assessorias 27/11/2015 08:31

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Clarin.com/Reprodução
O filme Limite, de Mario Peixoto, lançado em 1931, é considerado pela Abraccine como a melhor produção do cinema brasileiro de todos os tempos (foto: Clarin.com/Reprodução)
Único longa-metragem dirigido por Mario Peixoto e apresentado pela primeira vez em 1931, Limite é o melhor filme brasileiro de todos os tempos, de acordo com o ranking da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), que contou com a participação de 100 críticos e jornalistas especializados do país.

Em segundo lugar aparece Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha, um dos filmes mais importantes do movimento do Cinema Novo. Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, baseado no livro homônimo de Graciliano Ramos, lançado em 1963, fecha o pódio brasileiro, na terceira posição.

A lista não se limitou aos longas, com Ilha das Flores (1989), de Jorge Furtado, sendo o curta mais votado, ocupando a 13ª colocação. Também não houve distinção entre ficção e documentário, gênero que tem em Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho, o seu representante melhor ranqueado, no quarto posto.

O levantamento da Abraccine é o ponto de partida do livro Os 100 Melhores Filmes Brasileiros, que será lançado em 2016, pela editora Letramento, primeiro de uma série de publicações coordenada pela entidade. O livro reunirá ensaios de cada um dos filmes mais votados, escritos pelos principais críticos de cinema do país.

"Foram citados 379 filmes, número surpreendente para uma cinematografia construída sobre ciclos. Mesmo os que ficaram de fora dos 100 melhores têm a sua contribuição na história do cinema do país, o que nos ajuda a perceber a grandeza de nossa produção", observa Paulo Henrique Silva, presidente da Abraccine.

Ele registra que os principais movimentos estão representados no ranking, dos diretores pioneiros como Humberto Mauro e Mario Peixoto e da chanchada à fase de retomada da produção nacional, passando pelo Cinema Novo e pelo Udigrudi. Também não foram esquecidos diretores que tiveram uma carreira singular no cinema brasileiro.

É o caso de José Mojica Marins, o criador do personagem Zé do Caixão, durante muitos anos o único realizador a trabalhar com o terror. Marins aparece três vezes na lista, com À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964), 46º posto, O Despertar da Besta (1969), 55º, e Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1966), 90º.

Glauber Rocha é o diretor com maior número de citações: cinco. Foram lembrados Deus e o Diabo na Terra do Sol (2º), Terra em Transe (5º), O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (33º), A Idade da Terra (57º) e Di (88º).

Confira abaixo o ranking da Abraccine:

  1. Limite (1931), de Mario Peixoto  
  2. Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha  
  3. Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos  
  4. Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho
  5. Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha
  6. O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla  
  7. São Paulo S/A (1965), de Luís Sérgio Person
  8. Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles
  9. O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte
  10. Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade
  11. Central do Brasil (1998), de Walter Salles
  12. Pixote, a Lei do Mais Fraco (1981), de Hector Babenco
  13. Ilha das Flores (1989), de Jorge Furtado
  14. Eles Não Usam Black-Tie (1981), de Leon Hirszman
  15. O Som ao Redor (2012), de Kleber Mendonça Filho
  16. Lavoura Arcaica (2001), de Luiz Fernando Carvalho  
  17. Jogo de Cena (2007), de Eduardo Coutinho  
  18. Bye Bye, Brasil (1979), de Carlos Diegues
  19. Assalto ao Trem Pagador (1962), de Roberto Farias
  20. São Bernardo (1974), de Leon Hirszman
  21. Iracema, uma Transa Amazônica (1975), de Jorge Bodansky e Orlando Senna
  22. Noite Vazia (1964), de Walter Hugo Khouri
  23. Os Fuzis (1964), de Ruy Guerra
  24. Ganga Bruta (1933), de Humberto Mauro  
  25. Bang Bang (1971), de Andrea Tonacci  
  26. A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1968), de Roberto Santos
  27. Rio, 40 Graus (1955), de Nelson Pereira dos Santos
  28. Edifício Master (2002), de Eduardo Coutinho
  29. Memórias do Cárcere (1984), de Nelson Pereira dos Santos
  30. Tropa de Elite (2007), de José Padilha  
  31. O Padre e a Moça (1965), de Joaquim Pedro de Andrade
  32. Serras da Desordem (2006), de Andrea Tonacci  
  33. Santiago (2007), de João Moreira Salles
  34. O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969), de Glauber Rocha
  35. Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro (2010), de José Padilha
  36. O Invasor (2002), de Beto Brant  
  37. Todas as Mulheres do Mundo (1967), de Domingos Oliveira
  38. Matou a Família e Foi ao Cinema (1969), de Julio Bressane
  39. Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto
  40. Os Cafajestes (1962), de Ruy Guerra
  41. O Homem do Sputnik (1959), de Carlos Manga
  42. A Hora da Estrela (1985), de Suzana Amaral
  43. Sem Essa Aranha (1970), de Rogério Sganzerla
  44. SuperOutro (1989), de Edgard Navarro
  45. Filme Demência (1986), de Carlos Reichenbach
  46. À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964), de José Mojica Marins
  47. Terra Estrangeira (1996), de Walter Salles e Daniela Thomas
  48. A Mulher de Todos (1969), de Rogério Sganzerla
  49. Rio, Zona Norte (1957), de Nelson Pereira dos Santos
  50. Alma Corsária (1993), de Carlos Reichenbach
  51. A Margem (1967), de Ozualdo Candeias
  52. Toda Nudez Será Castigada (1973), de Arnaldo Jabor
  53. Madame Satã (2000), de Karim Ainouz
  54. A Falecida (1965), de Leon Hirzman
  55. O Despertar da Besta – Ritual dos Sádicos (1969), de José Mojica Marins  
  56. Tudo Bem (1978), de Arnaldo Jabor (1978)
  57. A Idade da Terra (1980), de Glauber Rocha
  58. Abril Despedaçado (2001), de Walter Salles  
  59. O Grande Momento (1958), de Roberto Santos  
  60. O Lobo Atrás da Porta (2014), de Fernando Coimbra
  61. O Beijo da Mulher-Aranha (1985), de Hector Babenco
  62. O Homem que Virou Suco (1980), de João Batista de Andrade
  63. O Auto da Compadecida (1999), de Guel Arraes
  64. O Cangaceiro (1953), de Lima Barreto
  65. A Lira do Delírio (1978), de Walter Lima Junior
  66. O Caso dos Irmãos Naves (1967), de Luís Sérgio Person
  67. Ônibus 174 (2002), de José Padilha
  68. O Anjo Nasceu (1969), de Julio Bressane
  69. Meu Nome é... Tonho (1969), de Ozualdo Candeias
  70. O Céu de Suely (2006), de Karim Ainouz  
  71. Que Horas Ela Volta? (2015), de Anna Muylaert
  72. Bicho de Sete Cabeças (2001), de Laís Bondanzky
  73. Tatuagem (2013), de Hilton Lacerda
  74. Estômago (2010), de Marcos Jorge
  75. Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), de Marcelo Gomes
  76. Baile Perfumado (1997), de Paulo Caldas e Lírio Ferreira
  77. Pra Frente, Brasil (1982), de Roberto Farias
  78. Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1976), de Hector Babenco
  79. O Viajante (1999), de Paulo Cezar Saraceni   
  80. Anjos do Arrabalde (1987), de Carlos Reichenbach  
  81. Mar de Rosas (1977), de Ana Carolina  
  82. O País de São Saruê (1971), de Vladimir Carvalho
  83. A Marvada Carne (1985), de André Klotzel
  84. Sargento Getúlio (1983), de Hermano Penna
  85. Inocência (1983), de Walter Lima Jr.
  86. Amarelo Manga (2002), de Cláudio Assis
  87. Os Saltimbancos Trapalhões (1981), de J.B. Tanko
  88. Di (1977), de Glauber Rocha
  89. Os Inconfidentes (1972), de Joaquim Pedro de Andrade
  90. Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1966), de José Mojica Marins
  91. Cabaret Mineiro (1980), de Carlos Alberto Prates Correia
  92. Chuvas de Verão (1977), de Carlos Diegues
  93. Dois Córregos (1999), de Carlos Reichenbach
  94. Aruanda (1960), de Linduarte Noronha  
  95. Carandiru (2003), de Hector Babenco
  96. Blá Blá Blá (1968), de Andrea Tonacci
  97. O Signo do Caos (2003), de Rogério Sganzerla
  98. O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006), de Cao Hamburger  
  99. Meteorango Kid, Herói Intergalactico (1969), de Andre Luis Oliveira
  100. Guerra Conjugal (1975), de Joaquim Pedro de Andrade*
  101. Bar Esperança, o Último que Fecha (1983), de Hugo Carvana*  

*Empatados na última colocação, com o mesmo número de pontos

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