Aproveitando a Bienal do Livro, conversamos com a jornalista Míriam Leitão

A mineira de Caratinga fala à Encontro sobre política, jornalismo e, claro, literatura

por Marina Dias 14/04/2016 13:44

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Leo Aversa/Divulgação
A jornalista mineira Míriam Leitão: "O jornalismo aprende com os textos literários de bons autores a polir a linguagem" (foto: Leo Aversa/Divulgação)
Já percebeu? A jornalista mineira Míriam Leitão está em todas. É possível encontrá-la a praticamente a qualquer hora do dia ou da noite na TV, na internet e no rádio, fazendo cobertura e dando sua opinião sobre o cenário econômico e político do Brasil. Pudera! Com a crise generalizada pela qual estamos passando, o trabalho de quem quer entender e traduzir para o público geral o que está acontecendo por aqui não é fácil.

Ainda assim, a também escritora de livros adultos e infantis encontrou espaço em sua agenda para fazer parte da Bienal do Livro de Minas, que acontece de 15 a 24 de abril no Expominas, em Belo Horizonte. Ela vai participar do Café Literário – uma espécie de mesa-rendonda – intitulado Que País é Este, discutindo com o também mineiro Luiz Ruffato, qual o Brasil que se consegue ver nos livros nacionais contemporâneos.

Aproveitando sua vinda a BH, conversamos com a jornalista, que nasceu em Caratinga, na região do Vale do Rio Doce, em Minas, sobre a situação do país, bem como sobre a literatura, que é o foco do evento na capital.

ENCONTRO – A senhora vai participar de um Café Literário sobre o Brasil que se vê nos livros contemporâneos. Qual é o país que vemos em seus livros?
MÍRIAM LEITÃO – Um país que luta e supera dificuldades, que encontra saídas surpreendentes nos momentos difíceis, que tem um enorme potencial a realizar, que tem feridas nunca cicatrizadas. Um país intenso na ficção e não ficção. É o que está tanto no livro Saga Brasileira, publicado pela editora Record, que trata da luta contra a hiperinflação; em Tempos extremos, da editora Intrínseca, ficção que revisita as feridas abertas da escravidão e da ditadura; e no História do Futuro, também da Intrínseca, que é uma reportagem sobre as possibilidades do Brasil.

Levando em conta que a crise política influencia diretamente na economia, que também está passando por dificuldades, você acredita que uma eventual troca de governante irá melhorar a situação econômica do país?
As duas crises são gêmeas sim, mas, nenhuma das duas se resolve apenas com a troca de governo. É preciso procurar, lentamente, a costura política e a solução dos problemas econômicos.

Como é a "convivência" entre a Míriam escritora de ficção e a Míriam jornalista?
O meu jornalismo ajudou na minha ficção. Em vários momentos de Tempos Extremos falei sobre lugares nos quais fui como jornalista, como o Cais do Valongo ou o Cemitério dos Pretos Novos. Eu fiz as reportagens, mas, algo mais ficou 'conversando' comigo. Este diálogo me levou à ficção. Por outro lado, nos meus livros de não ficção, constantemente cito os livros de ficção. Há uma conexão entre ficção e jornalismo. O jornalismo aprende com os textos literários de bons autores a polir a linguagem.

Por que escrever também para o público infantil?
Fui criança leitora, daquelas que vivem com um livro na mão. Livro era meu brinquedo favorito. Isso fermentou minha imaginação. Quando me tornei avó, colhi os frutos desse plantio. Surgiu, naturalmente, no meio de brincadeiras e histórias contadas para os netos, a vontade de escrever para crianças. Elas continuam me inspirando. Já lancei três livros e há um quarto no forno, que nasceu de uma conversa com Mariana, minha neta mais velha: O Estranho Caso do Sono Perdido. Sairá pela editora Rocco, como os outros que lancei.

Muitas pessoas acreditam que os jornais, bem como o próprio jornalismo, estariam próximos do fim. Como você vê a profissão de jornalista nos dias atuais? E como foi sua transição para o mundo digital, para os blogs e as redes sociais?
Ao longo da minha vida profissional, o jornalismo mudou tanto, tantas vezes, e tão velozmente, que eu acho a mudança a coisa mais natural do mundo. Eu gosto desse mundo intenso e mutável. Nos anos 1980, antes de existir o conceito, eu já era multimidia, ou seja, trabalhava em jornal, rádio e TV.

Ainda nessa área, como você percebe a atuação das jornalistas, especialmente em temas mais "áridos"?
Nós estamos há muito tempo nas chamadas "áreas áridas". Já invadimos a praia da economia há décadas, e eu sei disso, porque participei do grupo inicial do desembarque. As jornalistas não têm medo de área alguma, e a última fronteira está sendo ocupada agora, brilhantemente, por minhas colegas mais jovens: os esportes.

Qual é seu livro preferido na literatura nacional?
Meu livro favorito da literatura nacional é de um mineiro, e é o preferido de muita gente. Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa.

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