O realismo fantástico de Murilo Rubião: 100 anos do escritor mineiro

Ele é autor de importantes obras e teve algumas delas traduzidas para outros idiomas e adaptadas para o cinema e para o teatro

por Marcelo Fraga 01/06/2016 13:48

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Fundação Municipal de Cultura/Divulgação
Além de ser um dos expoentes do realismo fantástico na literatura brasileira, Murilo Rubião criou o Suplemento Literário do Jornal Minas Gerais (foto: Fundação Municipal de Cultura/Divulgação)
A pequena cidade de Carmo de Minas, na região sul do estado de Minas Gerais, possui aproximadamente 14 mil habitantes. Apesar do tamanho, o simpático município mineiro é a terra natal de um ilustre brasileiro. Lá, há exatamente 100 anos, nasceu Murilo Eugênio Rubião, que viria a se tornar escritor e um dos ícones de nossa literatura.

Cinco anos após formar em Direito, em 1942, Murilo Rubião lançou o seu primeiro livro, intitulado O Ex-Mágico, que narra a história de um ilusionista desencantado com o mundo. A obra não fez sucesso, na época, e o escritor decidiu abandonar a literatura e se aventurar por outros universos.

Entre os anos de 1951 e 1961, Rubião se enveredou pela política, atuando como chefe de gabinete do então governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek. Mais tarde, tornou-se diplomata e foi encarregado como adido cultural do Brasil na Espanha.

Ao retornar para a terra natal, se reencontrou com as letras. Murilo Rubião foi redator da Imprensa Oficial de Minas Gerais e, durante esse período, criou, em 1966, o que viria a ser um de seus grandes legados: o Suplemento Literário do jornal Folha de Minas – hoje, o Jornal Minas Gerais, diário oficial do governo do estado.

O periódico aborda, desde a sua criação, a literatura, o cinema, as artes plásticas, o teatro e a música, trazendo reportagens, entrevistas, ensaios, críticas, poesia e depoimentos. À época, o Suplemento Literário era considerado o mais importante do segmento no Brasil.
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Em 1942, Murilo Rubião forma-se em Direito, profissão que deixou de lado para se tornar um dos maiores escritores brasileiros (foto: Murilorubiao.com.br/Reprodução)

Além de redator na Imprensa Oficial mineira, Rubião foi diretor da Rádio Inconfidência. O escritor morreu em Belo Horizonte, aos 75 anos, em 1991.

Realismo fantástico na literatura brasileira

A aclamação de Murilo Rubião como ícone da literatura fantástica veio em 1974, com o lançamento do livro O Pirotécnico Zacarias, considerado um expoente do estilo narrativo conhecido como realismo fantástico.

A publicação traz 11 contos recheados de fatos inusitados, como um pirotécnico que, mesmo estando morto, continua vivo, e um coelho que aborda o narrador com um pedido de cigarro.

O escritor mineiro costumava dizer que "é mais fácil aceitar o sonho do que os absurdos do real" e considerava seus contos como questionamentos da realidade.

Murilo Rubião escreveu 11 livros e teve obras como O Ex-Mágico da Taberna Minhota e O Pirotécnico Zacarias adaptadas para o cinema, e a primeira, também ganhou representação nos palcos, com a peça O Ex-Mago. Alguns de seus livros foram traduzidos para inglês, espanhol e até alemão.
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Os escritores mineiros Otto Lara Resende, Murilo Rubião, Fernando Sabino e Hélio Pellegrino, em foto feita em Belo Horizonte, em 1943 (foto: Murilorubiao.com.br/Reprodução)

Como um dos maiores escritores da literatura brasileira, Murilo Rubião inspirou outros autores consagrados, como o goiano José Veiga e o gaúcho Moacyr Scliar.

Homenagens

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) entregou, na terça-feira, 30 de maio, uma placa comemorativa ao centenário de Murilo Rubião à sobrinha do escritor, Laura Lustosa Rubião.

Já nesta quarta-feira, 1º de junho, data que marca o centenário do escritor, às 19h, a Comissão de Cultura da ALMG recebe uma audiência pública especial para debater a obra de Murilo Rubião relacionando-a com a política e o serviço público.

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