Um paladar em Havana

por Eduardo Maya 10/06/2011 11:44

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.

Você já foi a Cuba? Na minha opinião, trata-se de boa pedida para um programa de uma semana a dez dias. Acho também que o momento é agora, afinal de contas muitas coisas podem mudar daqui para frente na terra dos “puros” – assim são chamados os charutos pelos cubanos. Vai saber! Apenas como curiosidade: foi uma mulher quem inventou o selo do charuto, para não amarelar os dedos. Faz sentido!

 

Conhecer Varadero e suas praias com aquele azul-turquesa caribenho já valeria a viagem, mesmo não se comendo tão bem nos seus hotéis à beira-mar. Mas lá é tão bonito que podemos deixar o nosso lado gourmet de lado por alguns dias, curtir a paisagem, ler um bom livro e... relaxar.
Depois de ficar literalmente à toa, rume para Havana e explore a cidade. Visite também as fábricas de charutos e à noite passe pelos bares da rua Obispo, tome uns Havana Clube – El Ron de Cuba – e deixe a boa música levar você. Por falar em música, uma noite no Buena Vista Social Club não é má pedida; só não faça o programa com jantar, pois a comida é abaixo da crítica.

 

Restaurantes que ficam nas casas dos cubanos servem boa comida, como La Cocina de Lilliam, em Havana

 

Não dar uma passada no El Floridita e na Bodeguita del Medio – lugares imortalizados por Ernest Hemingway – seria como ir à Espanha e não comer tapas. No primeiro, aberto em 1817, peça um daiquiri e, se estiver com fome, passe para o restaurante e experimente o Gran Plato Hemingway, que vem com lagosta, camarões e peixe. Já na Bodeguita, a pedida é ficar pelo bar tomando uns mojitos – o drinque foi criado lá – e depois... peça outro mojito e vá comer em outro lugar, porque a comida crioula servida por ali não é lá essas coisas.

 

Vamos ao que realmente interessa a esta coluna: comer bem! E, para comer bem, sugiro ir aos paladares. É para lá que você deve direcionar o seu valioso estômago. Paladares são restaurantes que funcionam na casa dos cubanos e são autorizados pelo regime – eles vão dos mais simples aos mais sofisticados. Se o tempo estiver curto, vá direto para La Cocina de Lilliam – sabor cubano para bolso estrangeiro. Fica no aprazível bairro de Playa, nos fundos da casa de Lilliam, com um bonito jardim, laguinho e outros detalhes acolhedores. No cardápio, o melhor que comi na ilha: um ótimo couvert com pães caseiros servidos quentinhos, garbanzos (grão-de-bico) fritos e berenjena a la parmesana. Boas entradas, com destaque para “Frituras de Malanga” (tubérculo semelhante a um inhame) e “Guimbombó (quiabo) com Bacon y Plátano Verde”.

 

Fiquei bem feliz com o meu prato principal, um cordeiro guisado, mas não pude me conter e dei algumas investidas em um suculento lombo de porco recheado e muito bem assado. Para acompanhar, optei pelo famoso e onipresente moros y cristianos (feijão com arroz) e, como ninguém é de ferro, dei uma provadinha no puré de boniato (puré de batata-doce). Para adoçar a boca: casco de guayaba con queso.

 

O interessante é que só voltei a me dar conta de que estava na casa de alguém quando, ao ir embora, passei pela varanda e pela sala de visita da Lilliam.
Um forte abraço!

 

 

 

 

 

*Eduardo Maya é chef de cozinha, professor do Centro Culinário e idealizador do Comida di Buteco. Escreve mensalmente na Encontro

Últimas notícias

Comentários