Eles são os caras

por Marcelo Fiuza 29/09/2011 11:45

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Cláudio Cunha, Paulo Márcio, Euguênio Gurgel, Maíra Vieira
None (foto: Cláudio Cunha, Paulo Márcio, Euguênio Gurgel, Maíra Vieira)

O mais emblemático garçom que já circulou pelos bares da cidade, Olympio Munhoz serviu as mesas na Cantina do Lucas até seus últimos dias de vida. Detinha a fama de ser quem mais tempo exerceu o ofício no país – só no tradicional ponto no edifício Maletta, no centro de Belo Horizonte, ele trabalhou por mais de 40 anos. Conheceu Santos Dumont quando foi ascensorista de elevador em um hotel no litoral paulista e, comunista de primeira água, protegeu esquerdistas e guerrilheiros em mais de uma batalha. Tinha, sim, muita história para contar, mas era entre os fregueses que se sentia mais à vontade. Dono de prodigiosa memória, seu Olympio sabia as vontades de cada um dos fregueses mais assíduos. Madrugada adentro, parecia não se cansar nunca. Mantinha o serviço impecável. Querido por todos, foi homenageado com o título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte.

 

Seu Olympio morreu em 2003, aos 84 anos, deixando saudades e um exemplo a ser seguido por qualquer um do ramo. Por isso, fomos buscar em bares e restaurantes da cidade os herdeiros desse legado. São aqueles profissionais que, por sua simpatia e qualidade do serviço, cativam a freguesia e dão distinção às casas onde trabalham. E encontramos garçons que realmente honram a casaca e, por isso, merecem estar na galeria de notáveis da capital nacional dos botecos. Conheça alguns exemplos de profissionais que fazem a diferença nos lugares em que trabalham.

 

ELE CONHECE AS MANIAS DO FREGUÊS

 

Os amantes da boa mesa são saudosos do Café Ideal, primeira casa dedicada à alta gastronomia da cidade. Aberto em 1981, na Savassi, o restaurante primava pelo serviço aristocrático, com atendentes em longos aventais manipulando pratos individuais e taças finas – algo incomum na mesa do belo-horizontino há 30 anos. Na equipe de garçons, destacava-se Eliseu Dutra (na foto de capa), de 48 anos, a simpatia em pessoa. Há muito o Café Ideal fechou, e seus proprietários abriram o restaurante A Favorita, também indicado pelos melhores guias gastronômicos e que tem, na função de maître e sommelier, o mesmo Eliseu, com sua gentileza personalizada, a agradar a clientela cativa. “Tem freguês que só vem se eu tiver na casa. Essa amizade é a minha conquista”, diz o garçom, que ensina o segredo: o cliente sempre tem razão. “Se o freguês quer mudar alguma coisa, mudo numa boa. Claro que tem de combinar com o prato do chef, mas mantenho um diálogo aberto. Por isso muita gente gosta de vir no A Favorita”, garante. O chef da casa, Fernando Areco, concorda: “O Eliseu é uma pessoa muito amável. Hoje ele atende os netos de clientes que viu quando ainda eram meninos, no Café Ideal. Ele conhece as vontades e manias do freguês, se gosta de copo alto ou baixo no uísque, com pouco ou muito gelo, a mesa em que prefere sentar, o ponto da carne. Tudo isso faz a pessoa se sentir bem, o que é muito importante”, diz o empresário. Já Eliseu diz que o sucesso na carreira precisa de alguma vocação e muito bom humor. “Sempre gostei de trabalhar com o público. Deu certo. Deve ser por causa da simpatia, que é contagiante”, brinca o garçom.

 

 
 
 


 

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