Água é tudo igual?

por Rafael Campos - Revista do Correio 29/09/2011 12:30

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Geraldo Goulart
None (foto: Geraldo Goulart)

É fato: as águas minerais deixaram de ser coadjuvantes na mesa dos brasileiros. No mercado nacional, o setor está em franco crescimento e, segundo a Associação Brasileira de Indústria de Água Mineral (Abinam), de 2007 até o ano passado, cresceu 23%, com 8,4 bilhões de litros engarrafados. Por isso mesmo algumas multinacionais abraçaram a indústria de bebidas minerais e disputam a liderança com diversas marcas locais. A Nestlé, uma delas, distribui a italiana Panna, a francesa Perrier e as brasileiras Petrópolis, Pureza Vital e São Lourenço. A Danone tem a Bonafont; e a Coca-Cola, a Crystal e a Bonaqua.

 

Nos próximos meses, a novidade vem das próprias fontes minerais do estado: a famosa Cambuquira, uma das pioneiras do setor no país, vai voltar a ser engarrafada. Considerada a segunda melhor água do mundo, ficando atrás apenas da marca Ty Nant, do País de Gales, a água de Cambuquira volta às prateleiras após 10 anos fora do mercado. Como a água Ty Nant deixou de ser engarrafada, a Cambuquira se destaca no mercado mundial como uma das mais leves. A empresa Águas Mineiras de Minas, subsidiária da Copasa, montou na cidade uma das mais modernas fábricas de envasamento de água mineral de todo o país, para a extração em três fontes (Regina Wernek, Magnesiana e Roxo Rodrigues). Neste primeiro momento, a meta é atingir 1.200 litros/hora. A água voltará a ser distribuída em todo Brasil. Em breve também devem retornar às gôndolas dos supermercados a Lambari e a Araxá, também mineiras.

 

 

 

Em Minas Gerais, aliás, são encontrados os tipos mais leves do Brasil. O que determina este grau de leveza da água é a quantidade de sais encontrados em sua composição. Quanto menor o resíduo de sais e sólidos na evaporação do líquido (a uma temperatura de 180º C), mais leve a água será. Esta característica vem do tipo de rocha de onde brotam as fontes minerais e é denominada RE (resíduo de evaporação).

 

Águas leves, com menor teor de sal (salinidade menor), são indicadas para hidratar o organismo, matar a sede e para pessoas que sofrem de hipertensão, devido a seus potenciais diuréticos – caso da Viva, envasada em uma estância hidromineral em Itaúna, região centro-oeste do estado. Considerada uma das mais leves do país, seu RE é de apenas 8,14 mg/l, cerca de quatro vezes menor que a maioria das águas vendidas no Brasil (veja quadro). “A Viva tem esta característica devido à região em que é extraída”, explica Marcelo Araújo, diretor industrial da empresa. Quanto mais leve, mais sacia a sede.

 

 

 

Se as águas mais leves são indicadas para matar a sede, as consideradas mais pesadas têm espaço garantido para acompanhar refeições e bebidas. São águas com maior quantidade de sais por litro. É o caso, por exemplo, da francesa Perrier, com 482 mg/l. Devido ao grau de salinidade, ela recebeu o status de água mineral gourmet, destinada à gastronomia, indicada à harmonização de vinhos e pratos mais incrementados e condimentados. Dependendo da quantidade de sais, a água pode até ganhar sabores diferentes e, assim como vinhos e cervejas, serem definidas de acordo com os aromas percebidos na sua degustação. Como explica o enólogo e consultor sensorial Renato Frascino, “podemos perceber nas marcas gourmet os aromas da natureza, mineralidade e acidez equilibrada, leve e refrescante”.

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