Tintim verde-amarelo

por Carolina Godoi 20/10/2011 13:45

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Cláudio Cunha, Maíra Vieira, Divulgação
Rita Soares, advogada: “Troco qualquer 'viúva' por um espumante nacional” (foto: Cláudio Cunha, Maíra Vieira, Divulgação)

"Troco qualquer viúva por um espumante nacional”. É assim, brincando com o nome do champanhe mais famoso do mundo (Veuve Cliquot), que Rita Soares, advogada e apreciadora passional da bebida, exemplifica o que vem ocorrendo nas taças de muitos brasileiros. Como Rita, que há alguns anos passou a priorizar o paladar dos nacionais em detrimento da pompa de um rótulo estrangeiro, o consumidor está levantando a bandeira verde-amarela, e o nosso espumante está tomando lugar dos clássicos importados. Segundo pesquisa feita pelo Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho), em 2004 os espumantes nacionais representavam 64% dos espumantes comercializados no país contra 36% de importados; já em 2010, os nacionais representavam 75% das vendas contra 25% de importados.

 

Cláudia Bernardes, empresária do ramo de joias, decidiu investir nos espumantes e hoje é distribuidora: “A bebida transforma o momento em alegria”
 

 

Concursos prestigiados em países como Grécia, França, Inglaterra e Bélgica chancelaram o espumante nacional e a bebida segue recebendo prêmios, e em consequência, o reconhecimento internacional. Em apenas três meses, no primeiro semestre do ano, foram mais de 18 medalhas divulgadas pela ABE (Associação Brasileira do Vinho). O queridinho dos concursos é o Espumante 130, da Casa Valduga, reconhecido como o melhor pela mídia especializada, já que é até agora o produto made in Brazil com a melhor pontuação em prêmios internacionais. Além da importância do terroir, entre a serra de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, são notáveis as transformações pelas quais passou a produção do vinho brasileiro nos últimos anos.

 

Virgílio Baião, da Sociedade Brasileira de Amigos do Vinho: “Investimentos de grande importância com a modernização completa das instalações foram fundamentais para aumentar as vendas”
 

 

Uma verdadeira revolução, de acordo com Virgílio Baião Carneiro, presidente da Sociedade Brasileira de Amigos do Vinho (Sbav-MG). Para ele, o espumante brasileiro está em tal nível graças ao desenvolvimento do cultivo da videira para produção de uvas de qualidade superior, principalmente a Chardonay e Pinot Noir. Mudou-se a forma de plantio e as podas, iluminação e sol foram adequados, reduziu-se a produção e a colheita passou a ser seletiva. “Foram feitos investimentos de grande importância com a modernização completa das instalações. O treinamento e o desenvolvimento de enólogos modernos, inclusive com consultores internacionais de renome, também foram fundamentais”, completa.

 

Em Minas Gerais, o consumo do espumante nacional dispara. José Maria de Carvalho, representante da Mistral Importadora, revela que o crescimento anual em vendas é de 125%. Os dois rótulos mais vendidos de sua cartela de 100 espumantes de variadas regiões do mundo são brasileiros. “O trabalho de marketing local também foi um sucesso e os conhecedores passaram a indicar a bebida com orgulho”, afirma. O sommelier Marcos Oliveira da Silva, da Morini, oferece garrafas de consumo rápido e de vinícolas butiques, com oito variedades de diversas marcas. “O clima brasileiro, ideal para o consumo de bebidas de alta acidez servidas resfriadas, também contribuiu para aumento de 60% nas vendas”, diz.

 

O sommelier Marcos Oliveira: “O clima brasileiro, ideal para o consumo de bebidas resfriadas, também contribuiu para aumento de 60% nas vendas”
 
João Valduga, fabricante do espumante brasileiro que leva seu nome: prêmios internacionais
 

 

O diretor da Casa do Porto, Luiz Eduardo Moraes, ressalta que o rótulo mais vendido é do sul do Brasil e alcança 15 mil unidades por ano. “O espumante está sendo procurado para festas de gala e recepções requintadíssimas, sem dúvida”. É o que confirma a empresária Cláudia Bernardes, fã dos espumantes nacionais em petits comités ou em grandes festas. Por gostar tanto da bebida, passou a estudar sobre ela, até descobrir que a região do Vale do São Francisco, na Bahia, também produzia a bebida com a uva Shiraz, e passou a divulgar a vinícola Rio Sol, que arrebatou com seu rosé a Medalha Gran Ouro no Concurso Mundial de Bruxelas (Bélgica) deste ano.

 

“Surpreende qualquer enólogo”, conta Cláudia. Como curiosa e apreciadora, ela não dispensa a bebida nem nas vitórias e nem nas derrotas. “Ele faz do momento uma alegria e mais um item para se orgulhar de sermos brasileiros”. Realmente, está aí algo a se comemorar de forma especial. Alguém arrisca qual é a bebida deste tintim?

 

 

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