Meu nome não pode ser Johnnie

por Luciana Coelho 13/06/2012 15:10

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Alex Braga/Divulgação
None (foto: Alex Braga/Divulgação)

Ela nasceu em 2008, na pequena Passa Tempo, Minas Gerais, foi chegando de mansinho na capital, e acabou conquistando muitos brasileiros com seu sabor ardente. Só que ela subiu à cabeça dos ingleses e os deixou enlouquecidos. O motivo? Eles acusaram a marca da cachaça mineira João Andante de possuir nome e logomarca similares aos do uísque Johnnie Walker. Isso gerou uma tremenda ressaca nos donos da aguardente.

 

A história teve início em 2011, quando os sócios Rafael Vidigal, Gabriel Silva e os irmãos Mateus e Gabriel Lana receberam um comunicado extrajudicial da multinacional Diageo, proprietária da marca Johnnie Walker, solicitando o cancelamento do registro João Andante no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). De acordo com a multinacional, os sócios estariam copiando a marca. “A nossa empresa, desde a criação, foi registrada no órgão regulador. Na época, respondemos à notificação mostrando que nossa marca não tinha relação com a deles. Mesmo assim, eles entraram com um processo no INPI”, explica Gabriel Lana.

 

E o que era para ser o começo de um pesadelo, tornou-se, na verdade, um empurrão para a realização de um sonho. Com o processo, e a consequente aparição na mídia, os garotos que vendiam aproximadamente 50 unidades por mês, dentro de um porta-malas, para amigos e parentes em BH, passaram a comercializar mensalmente mais de 900 unidades em todo o Brasil. “O site ainda estava em desenvolvimento quando o processo começou. Porém, com a divulgação em outras mídias, tivemos que correr com tudo. A cachaça, que antes era vendida a R$ 40, hoje custa R$ 48,60”, conta Gabriel Lana. 

 

A empresa, que começou com quatro sócios, com o aumento das vendas, ampliou o quadro de funcionários, e hoje conta com mais cinco pessoas para ajudar na administração. Toda a produção da bebida é envelhecida por três anos em barris de amburana e carvalho. Além da cachaça, eles também comercializam produtos voltados para o marketing, como camisas e quadros. Este ano, participaram pela primeira vez da Expo Cachaça, atraindo curiosos que queriam saber, de acordo com o sócioproprietário, se a João Andante não tem relação com a Johnnie Walker.

 

Mesmo a logo e a tradução para o português serem semelhantes à do famoso uísque, Gabriel Lana diz que não tem nada a ver. “A imagem do rótulo da cachaça é inspirada no quadro Dom Quixote, que Pablo Picasso pintou em 1955. A cabeça é igual, mas a espada virou um pedaço de pau e o escudo, uma trouxinha. E João Andante é um viajante que tenta produzir uma cachaça mineira de qualidade”, explica.

 

Registro confirmado

 

Um caso parecido com a marca João Andante é o da cachaça Havana. Depois de mais de 10 anos tentando registrar a marca no INPI, os herdeiros de Anísio Santiago conseguiram, em 2011, a concessão da posse definitiva do nome do produto.

 

A cachaça é produzida na Fazenda Havana desde 1946. Em 1971 ela foi registrada na Junta Comercial de Minas, e, em 1989, a família Santiago tentou registrar sua marca no INPI, mas não conseguiu, pois a empresa francesa Pernod Ricard, que produz o rum Havana Club, distribuído no mundo inteiro, já tinha entrado com o pedido. A vitória da famosa cachaça mineira serve de exemplo para sua irmã mais nova, que briga, desta vez, com uma empresa inglesa.

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