DNA de alimentos ajuda consumidor

Laboratório da UFMG tem pesquisa inovadora para ajudar na identificação correta de produtos alimentícios e assim, deixar população ciente do que se está comprando

por Blima Bracher 04/04/2013 12:04

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Geraldo Goulart
O pesquisador Bruno Brasil (em primeiro plano) com seus colegas no laboratório de pesquisa de alimentos da UFMG (foto: Geraldo Goulart)
Comprar gato por lebre, ninguém quer. Ainda mais num mercado mundial cada vez mais competitivo. Brigar com grandes grupos no exterior exige cada vez mais garantias, selos de certificação de origem e pureza de alimentos. A boa notícia é que já existe no Brasil tecnologia capaz de atestar a autenticidade dos alimentos que consumimos. O trabalho, pioneiro no país, é desenvolvido no Laboratório de Genética Animal da UFMG e é capaz de decodificar o DNA de alimentos. Além de proteger o bolso do consumidor  – no caso de produtos mais baratos que são vendidos como mais caros – a pesquisa pode ter reflexo direto na economia do país, na exportação de carnes, leite e pescado.

O mercado de peixes, aliás, é crescente no mundo, movimentando 90 bilhões de dólares por ano. O Brasil se encontra como um dos 10 maiores produtores de peixes de água doce do mundo, e tem potencial para crescer. Minas tem nisso grande trunfo, pois o estado abriga importantes bacias hidrográficas. Apesar disso, o potencial de exportação esbarra nas fraudes do mercado. Estudos de amostras de peixes, vendidos como surubim  em Belo Horizonte, realizados pela equipe de pesquisa da UFMG, mostraram que 54% delas não correspondiam à espécie do rio São Francisco.

E a má-fé não fica restrita ao mercado de peixes “Há tratamentos químicos, por exemplo, capazes de tornar mais brancos queijos feitos de leite de vaca para que estes possam ser comercializados como derivados de búfala. E esta é apenas uma, entre as muitas fraudes”, alerta o biólogo e pesquisador Bruno Brasil. “A certificação de origem e pureza de alimentos pode ajudar a prevenir alergias. Por exemplo, algumas pessoas possuem intolerância ao leite de vaca e seus derivados, notadamente as crianças, e recorrem a substitutos como o leite de cabra. Nestes casos é muito importante que não exista leite de origem bovina, mesmo que em quantidades ínfimas”, diz Bruno. Adulterações foram detectadas com contaminação de leite de vaca em 26% dos queijos rotulados como de origem bubalina (búfalos) e em 30% dos leites e queijos rotulados como de origem caprina (cabras). Nestes produtos lácteos o leite de vaca compunha desde 1% até 100% do produto. Contaminações deste tipo também foram encontradas em queijos derivados de ovelha e hambúrgueres de carne de búfalo. Neste estudo foram avaliadas mais de 50 amostras de produtos comercializados por 25 diferentes marcas nas principais redes de supermercado da região metropolitana de Belo Horizonte.

De olho na certificação, João Batista de Souza, criador de búfalos, foi o pioneiro em Minas a ter o selo de pureza da ABCB (Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos). Há 10 anos produzindo leite e derivados de rebanho bubalino em Morro do Ferro distrito de Oliveira, João tem 1.200 cabeças e produz cerca de 30 toneladas/mês de mussarela de búfala. O produto é vendido em Minas, Rio Grande do Sul, São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina e em alguns estados no Nordeste. “Queremos valorizar nosso produto, dar garantia ao consumidor e evitar fraude”, diz o produtor. “A produção de leite de búfala é mais cara e é sazonal. Com tantas fraudes, o preço cai e acaba desestimulando os produtores sérios”, explica João Batista.

Para se proteger, o consumidor deve prestar atenção ao selo de garantia dos produtos. Atento aos problemas, a equipe de pesquisa da UFMG  criou a empresa Valid Biotecnologia, pioneira no Brasil na emissão de laudos laboratoriais que atestam a origem de alimentos como muçarela de búfala, carnes e peixes. A empresa presta serviços para associações certificadoras, que possuem selo de garantia ou marca própria e também atende a órgãos regulamentadores estatais como o Instituto Estadual de Florestas, o Instituto Chico Mendes e o Ministério da Agricultura.

O mapeamento do DNA de alimentos pode representar um avanço também para o comércio brasileiro, pois a certificação de origem e pureza de alimentos pode favorecer a exportação de produtos brasileiros, agregando valor e assegurando a qualidade dos mesmos. “Já dispomos de um grande acervo de informações que pode ser utilizado para a prestação de serviços”, diz a pesquisadora Marcela Drummond.

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