Preço baixo das sacas leva setor cafeeiro a pedir ajuda ao governo

Nem as medidas colocadas em prática no país, como leilões de contratos com opção de venda e fundo de reserva ajudaram setor

por Mariana Branco - Agência Brasil 14/10/2013 12:17

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Adauto Cruz/CB/D.A Press
(foto: Adauto Cruz/CB/D.A Press)
As medidas adotadas pelo governo para ajudar na recuperação do preço do café, que enfrenta uma crise internacional de preços, com reflexos no mercado doméstico, ainda não surtiram efeito no custo da saca comercializada no Brasil. O valor da saca de 60 quilos da variedade arábica está entre R$ 260 e R$ 280, de acordo com cotação regional no país. Para entidades representativas dos produtores, a demora no socorro ao setor dificultou a reação. Elas cobram do poder público definição antecipada das políticas para a próxima colheita.

“Até agora, o mercado não absorveu o programa de opções [leilões de contratos de opção de venda do grão] nem a liberação de recursos do Funcafé [Fundo de Defesa Econômica Cafeeira]. Estes, saíram com mais de 80% da safra colhida. Tendo políticas clareadas, transparentes para a safra que começaria, o mercado reagiria de forma diferente. Agora, temos de aguardar um pouco para ver como ele vai se comportar”, destaca Breno Mesquita, presidente da Comissão Nacional do Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A demora na liberação dos recursos do Funcafé, que disponibilizou no mês passado R$ 3,1 bilhões dos R$ 5,8 bilhões previstos para o setor, ocorreu porque houve atraso na aprovação do orçamento de 2013 pelo Congresso Nacional. Além disso, foi preciso aguardar o aval do Conselho Monetário Nacional para liberação do dinheiro. Segundo Mesquita, a greve dos bancos, iniciada há duas semanas, dificultou o acesso ao crédito.

Ele critica também o que considera morosidade na oficialização de medidas como os leilões de contratos de opção de venda, encerrados na última semana, e a elevação do preço mínimo. Para os cafeicultores, o reajuste de 17% no valor da saca, que agora está em R$ 307, não foi suficiente para cobrir os custos de produção. O setor esperava chegar a R$ 350.

“Dependendo do sistema de produção, o custo varia de R$ 350 a R$ 400 por saca. Nas safras anteriores o preço estava bom. O cafeicultor investiu na atividade e teve maior produtividade que a normal. Agora, vende abaixo do custo de produção. Isso é a quebra. Ninguém consegue trabalhar. O café é uma cultura perene, não se pode arrancar o pé e plantar outro ano. Políticas para essas culturas têm de ser diferenciadas”, defende Breno Mesquita.

Para dar fôlego ao setor, a CNA solicitou ao governo a suspensão da cobrança de débitos dos cafeicultores por três meses. Nesse período, a entidade e o Conselho Nacional do Café levantariam a real situação de endividamento dos produtores e discutiria soluções com o governo.

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