Olha a faca!

Fábricas artesanais em Minas Gerais conquistam fãs no país inteiro e começam a fazer sucesso no exterior. Design sofisticado e detalhes agradam a chefs exigentes e cozinheiros amadores

por Augusto Franco 06/11/2013 15:56

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Cláudio Cunha
O designer Daniel Gontijo e a faca fabricada por ele, em Sete Lagoas: "Depois de dois anos trabalhando em escritórios de design, acabei optando por esse caminho, que está dando supercerto" (foto: Cláudio Cunha)

Elas servem para cortar, picar, destrinchar, decorar. Mais do que uma necessidade, as facas são uma obsessão para quem gosta de cozinha. Exibidas como cartão de visitas em estojos de vidro, sobre ímãs acima dos fogões ou nas bancadas americanas das cozinhas gourmet, lâminas de aços resistentes, feitas a partir de materiais que só perdem o fio depois de anos de uso, e cabos de madeiras nobres e raras são motivo de orgulho para cozinheiros profissionais e amadores.

Foi pensando nesse público que o designer Daniel Gontijo abandonou os escritórios e computadores e resolveu montar na garagem de casa, em Sete Lagoas, sua cutelaria, a Ork. Com a ajuda do pai, Pedro Gontijo, uma espécie de professor pardal autodidata, montou equipamentos para forjar lâminas, fazer os cabos de madeira e criar a inventiva bainha de madeira, para que alguns de seus modelos possam ficar expostos sobre mesas de jantar. 

"Toda a minha graduação foi voltada para o produto sustentável e útil. Depois de dois anos trabalhando em escritórios de design, uma experiência interessante, acabei optando por esse caminho, que está dando supercerto", comenta Daniel. Ele trabalha sozinho e consegue produzir, em média, três ou quatro facas por semana.

Eugênio Gurgel
Woldyslak Zacarowyskini, o Russo, e a filha Misha, na fábrica da Burza, em Tiradentes: "Sou a décima geração de descendentes dos cossacos, e a fabricação de facas e espadas é tradição da família" (foto: Eugênio Gurgel)
 

Até agosto, as vendas eram feitas exclusivamente pelo seu site (www.organicknives.com). Desde então, podem ser encomendadas também em Belo Horizonte. Antes disso, no entanto, as facas da Ork já começaram a rodar o mundo. Neste ano, a marca enviou exemplares para os Estados Unidos e para colecionadores na Suíça, reconhecida mundialmente pela excelência de suas lâminas.  Assim como a Rússia, de onde vem a família de Woldyslak Nicolaye Wicth Zacarowyskini, que, em Tiradentes, no Campo das Vertentes, recebeu o singelo apelido de Russo. Engenheiro mecânico, expert em história do mundo e baterista de jazz nas horas vagas, o empresário e artista é o atual diretor das Facas Burza, empresa familiar instalada desde 1999 por aquelas bandas. Antes, o empresário multitarefas morava em São Paulo. "Cansei daquela confusão", resume.

São dele as criações que vão desde facas de caça, vendidas em caprichadas bainhas de couro costurado à mão, até as tradicionais facas de chef com cabo de madeira de lei. Atualmente, a Burza oferece 36 modelos de uso pessoal, divididos por função (cozinha, esportivas, churrasco e uso pessoal) e 16 tipos de conjuntos de cozinha e de mesa. O site é www.burza.com.br.

A tradição em cutelaria, explica, vem do século XV, quando o seu primeiro ancestral registrou técnicas de fabricação e princípios básicos seguidos até hoje. "Sou a décima geração de descendentes dos cossacos, e a fabricação de facas, espadas e ferramentas é tradição da família desde sempre. Agora, estou passando para a décima primeira geração. São mais de 300 anos", destaca Russo. A nova geração é representada pela filha, Misha.

Divulgação
Fábrica da Zakharov, em Paraisópolis: instrumento desenvolvido pela empresa e chamado de Viúva Negra é o campeão de vendas da casa (foto: Divulgação)

As tradições cossacas também norteiam os princípios de fabricação da Zakharov (www.zakharov.com.br), empresa familiar de origem russa (numa área onde atualmente fica a Ucrânia), fundada nos anos 1960 em São Paulo, que hoje está instalada na pacata Paraisópolis, no Sul de Minas. Foi baseada na qualidade do aço e na funcionalidade de cada faca que a empresa desenvolveu uma faquinha preta chamada Viúva Negra, atualmente campeã de vendas da casa. Trata-se de uma faca militar com empunhadura e lâmina especiais, desenvolvida para a elite da polícia de São Paulo (o Comando de Operações Especiais, ou COE) e atualmente utilizada por forças armadas de Minas, Brasília, Amazonas, Pernambuco, Mato Grosso e pela Força Nacional. 

Além dela, a empresa oferece uma série de jogos de cozinha, facas para pescaria, chef e para churrascos. Os cabos, em madeira ou duralumínio, podem ser personalizados, e as lâminas têm tratamento especial, que asseguram o corte fácil por muitos anos. Quem avalia cada faca que sai da indústria é o mestre cuteleiro Carlos Zakharov, o patriarca da família, que já se preocupa em passar a tradição para a próxima geração.

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