Do jeito bem mineiro

Quitandas como pão de queijo, bolo de fubá e biscoito frito, acompanhadas de um bom cafezinho, são nossas boas-vindas aos turistas na Copa do Mundo

por Sílvia Laporte 31/03/2014 11:30

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Cláudio Cunha
(foto: Cláudio Cunha)
Na tradição das casas mineiras, o café recém-coado dá as boas-vindas às visitas, sempre bem acompanhado por quitandas, termo que, em Minas Gerais, engloba todas as delícias (com exceção do pão), que chegam à mesa do café. "São bolos, biscoitos, sequilhos, roscas, broas de fubá e canjica, sonhos e até alguns doces e frutos tropicais hoje considerados sobremesa", explica o chef Edson Puiati, coordenador pedagógico do curso de gastronomia do Centro Universitário UNA.

Dênis Medeiros
O chef Edson Puiati no empório De Lá: receitas preparadas com ingredientes selecionados (foto: Dênis Medeiros)
Feitos com ingredientes de sotaque mineiro como o polvilho, o fubá de canjica e o queijo de minas, esses quitutes vêm se tornando mais conhecidos fora das fronteiras do país desde a edição 2013 do Madrid Fusión, maior evento de gastronomia do mundo, cujo tema foi a nossa cozinha. E certamente vão se tornar um atrativo a mais para turistas que vierem para cá a fim de assistir aos jogos da Copa do Mundo marcados para o Mineirão.

O pão de queijo é, sem dúvida, a mais famosa dessas quitandas. Quem já ouviu falar em Minas Gerais ouviu falar nessa delícia típica daqui. O chef Rubens Beltrão, que morou durante uma década na Itália, conta que vivia "contrabandeando" produtos regionais para atender a pedidos de italianos que haviam morado no Brasil. "Eles sentiam saudade de comer pão de queijo. Eu levava polvilho e fazia para os meus amigos", diz.

Paulo Márcio
Os italianos já se renderam às quitandas mineiras, segundo Rubens Beltrão: ele não viaja para a Itália sem levar o polvilho do pão de queijo (foto: Paulo Márcio)
O proprietário do restaurante Via Destra (Tiradentes-MG) lembra que teve de explicar à alfândega romana que pó branco era aquele que carregava na mala: "Mas tudo terminou bem, pois o oficial encarregado já havia visitado o Brasil e conhecia o pão de queijo". Beltrão também apresentou outras delícias da mesa mineira aos italianos: "As mais apreciadas foram, pela ordem de preferência, pão de queijo, biscoito de polvilho frito, biscoito assado, broa de fubá, sequilho de polvilho, biscoito de araruta e biscoito de fubá", conta.

Durante a Copa, os turistas encontrarão tudo isso e mais um pouco por aqui. No entanto, como a nossa cozinha oferece um sem-número de opções originais para atiçar o paladar dos forasteiros, Edson Puiati selecionou dois quitutes que, além do pão de queijo, precisam ser degustados por quem quer conhecer melhor a nossa cultura gastronômica. 

O chef destacou a broa de canjica e o biscoito de polvilho. A primeira leva fubá de canjica de milho branco e, tradicionalmente, explica ele, "é preparada com uma técnica de enrolar uma a uma na xícara e assada em forno de lenha". Por sugestão de Puiati, Encontro pediu à historiadora Márcia Nunes (coautora do livro A História da Arte da Cozinha Mineira por Dona Lucinha) que ensinasse a receita da sua família dessa quitanda tradicional (veja receita). Uma das filhas de dona Lucinha Nunes, famosa chef mineira dona do restaurante que leva seu nome, Márcia mostra os segredos de uma delícia que é a cara de Minas. 

Como parte da preparação para receber os turistas durante a Copa do Mundo, o restaurante Xapuri - oito vezes eleito a Melhor Cozinha Mineira por Encontro Gastrô - vem introduzindo iguarias mineiríssimas no cardápio, como conta Flávio Trombino, filho de dona Nelsa, que hoje comanda a cozinha da casa no dia a dia. Uma delas é, justamente, o biscoito de polvilho frito. "A receita da dona Nelsa é preparada com um polvilho selecionadíssimo", garante Puiati.

Cláudio Cunha
(foto: Cláudio Cunha)
Dênis Medeiros
(foto: Dênis Medeiros)
Dênis Medeiros
(foto: Dênis Medeiros)

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