Bufês de Belo Horizonte preparam selo de qualidade

Quebra repentina do Buffet Tereza Cavalcanti deixa um rastro de prejuízos para centenas de pessoas e preocupa empresários do ramo, que temem retração dos negócios

por Paulo Paiva 16/06/2014 11:03

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Paulo Márcio/Encontro
João Teixeira Filho, presidente do Sindbufê: "Vamos identificar, para o consumidor, as empresas que oferecem os melhores serviços, as que são mais seguras e confiáveis" (foto: Paulo Márcio/Encontro)

Foi como se tivesse caído uma bomba no mercado. O fechamento, na calada da noite, do Buffet Tereza Cavalcanti, em Belo Horizonte, no mês passado, deixou cerca de 500 clientes na mão. Muitos, que já haviam pago festas e eventos antecipadamente, tiveram prejuízos de milhares de reais – cada evento é estimado em R$ 50 mil. Casamentos cuidadosamente planejados tiveram de ser adiados, causando transtornos inimagináveis aos consumidores. E a semente da desconfiança voltou a rondar o setor, formado por aproximadamente mil estabelecimentos na Grande BH, que respondem por um giro anual de cerca de R$ 400 milhões.

Preocupado, o Sindicato dos Bufês de Belo Horizonte e Região Metropolitana (Sindbufê) anunciou que vai lançar, em agosto, um selo de qualidade para os bufês filiados. “Vamos identificar, para o consumidor, as empresas que oferecem os melhores serviços, as que são mais seguras e confiáveis”, diz o presidente da entidade, João Teixeira Filho, um dos proprietários do Buffet Célia Soutto Mayor. O trabalho para a certificação começou em abril, por meio da empresa Seatech. “Todos os estabelecimentos associados ao sindicato foram auditados em processos como produção, higiene e gestão. Vamos analisar também seus fornecedores, insumos utilizados e práticas de sustentabilidade”, garante.

Cláudio Cunha
Marcella Faleiro, proprietária do tradicional Buffet Faleiro, há 60 anos em atividade: "O mercado vai se afunilar. Só os bons ficarão" (foto: Cláudio Cunha)


Entre os donos de bufês em Belo Horizonte, há consenso de que a quebra do Tereza Cavalcanti, que não era filiado ao Sindbufê, deveu-se à má gestão do negócio. Os empresários lembram que, muitas vezes, ex-funcionários de empresas do setor decidem abrir o próprio estabelecimento, mesmo sem qualquer conhecimento de gestão ou administração, o que coloca em risco o sucesso do empreendimento. Várias dessas empresas funcionam de maneira informal. “E, quando acontece um fato como esse do Tereza Cavalcanti, as pessoas acabam generalizando. Ou seja, a quebra de um bufê, mesmo que ele não tenha qualquer tradição, afeta todo o setor”, diz Teixeira Filho.

A iniciativa ganha contornos ainda maiores quando se lembra que a capital mineira está se tornando polo nacional de turismo de negócios e gastronomia – e que, portanto, eventos de grande porte serão cada vez mais comuns. Por isso, o lançamento do selo é elogiado por empresários que atuam no ramo e já têm um nome consolidado. “É uma iniciativa muito importante para se manter a confiança nos estabelecimentos instalados na região”, diz Agnes Gabriela dos Mares Guia Farkasvolgyi, uma das proprietárias do bufê Bouquet Garni. “Aliás, o simples fato de um bufê ser filiado ao sindicato já é um atestado de qualidade”, reforça.

O Garni, um dos mais tradicionais da capital mineira, realiza média de 40 eventos mensais. “O caso do Tereza Cavalcanti foi um choque no mercado”, diz Marcella Faleiro, proprietária do Buffet Faleiro, em atividade há mais de 60 anos e pioneiro do setor na capital mineira. “Na hora de contratar um bufê, muita gente só olha o quesito preço. Agora, estão vendo que confiabilidade e qualidade também são fundamentais. O mercado vai se afunilar. Só os bons ficarão”, aposta. Na primeira fase de implantação do selo, as empresas terão de alcançar uma pontuação mínima de 60% na avaliação de seus processos. “Mas, como o selo tem de ser renovado anualmente, espera-se um crescimento contínuo da qualidade ano a ano”, garante Teixeira Filho.

Divulgação
Agnes dos Mares Guia, do bufê Garni: "O selo é uma iniciativa muito importante para se manter a confiança nos estabelecimentos instalados na região" (foto: Divulgação)


A implantação do selo de qualidade também está sendo recebida com satisfação por autoridades estaduais e municipais, focadas na consolidação de Belo Horizonte como polo gastronômico e de eventos empresariais. “Iniciativas como essas são de grande relevância para que Minas Gerais se posicione cada vez mais como o estado da gastronomia, seja no sabor e na variedade de produtos, seja na tradição de suas receitas, seja no profissionalismo de seus prestadores de serviços”, diz o secretário de Estado de Turismo e Esportes, Tiago Lacerda. Para o presidente da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur), Mauro Werkema, “a certificação dos bufês, por meio de um selo de qualidade, é iniciativa benéfica para todos, atestando a boa preparação alimentar, a qualidade do serviço e outros fatores que distinguem e qualificam a atividade”.

A secretária de Estado de Cultura, Eliane Parreiras, engrossa o coro, lembrando que a gastronomia é uma das mais importantes vertentes culturais de Minas, a ponto de já estar incluída na Lei de Incentivo à Cultura. “A gastronomia mineira é consagrada em todo o país e no exterior, o que fortalece esse traço da nossa identidade cultural. O selo significa mais uma chancela na qualidade dos bufês mineiros. Também é uma forma de profissionalização e estímulo ao segmento, já que as empresas são avaliadas com base nos quesitos boas qualidades sanitárias e de gestão”, diz. Como se vê, o selo é digno de uma boa festa.

Confira a lista de participantes do Sindbufê:

  • Abigail
  • Bouquet Garni
  • Catharina
  • Célia Soutto  Mayor
  • Chá Com Nozes
  • Chácara Chiari
  • Colonial
  • Club do Chef
  • Cristina Misk
  • Faleiro
  • Sausalito
  • Luzzia
  • Mariangela
  • Meu Buffet by Tia Clara
  • Pichita Lanna
  • Rullus
  • Sandra Cardinalli
  • Buffet Santa Lúcia
  • Bravo Cathering


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