Amêndoa, linhaça e castanha de caju contêm substância que pode ser fatal

Alguns alimentos ingeridos crus podem apresentar um alto risco à saúde, por conter cianeto, a mesma substância que matou 242 pessoas intoxicadas no incêndio da boate Kiss, em janeiro do ano passado

por Fernanda Nazaré 28/08/2014 13:06

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Pixabay
A castanha de caju, tão presente em barras de chocolate e em sobremesas, pode até matar se consumida crua e em grande quantidade (foto: Pixabay)
Parece assustador, mas vários alimentos do cotidiano do brasileiro podem não ser tão inofensivos. Alguns deles têm a mesma toxina das câmaras de gás do regime nazista, usadas para matar milhares de judeus na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial: o cianeto (que era conhecido como cianureto). Mandioca, amêndoa amarga, castanha de caju, semente de abóbora, feijão-de-lima ou feijão-fava, e as sementes da maçã, do pêssego, da pera e da linhaça devem ser ingeridos com cautela. Por mais que o consumo seja em pequena quantidade, se for contínuo, pode trazer algum tipo de problema.

De acordo com a diretora do Conselho Regional de Nutricionistas de Minas Gerais, Elizabeth Chiari, o cianeto, no organismo, pode diminuir a absorção da vitamina B12. Este nutriente tem como principal efeito a proteção do sistema nervoso. O "veneno" encontrado nas sementes ainda contribui para a diminuição da ação dos antioxidantes. "Vários são os sintomas de intoxicação com cianeto, e as consequências mais sérias ao organismo variam de confusão mental, paralisia muscular, hipertireoidismo a parada respiratória. Portanto, não se deve comer a semente da maçã. Imaginamos ser inofensiva, porém, pode trazer problemas desagradáveis e irreversíveis em longo prazo", alerta a especialista. Ela lembra que na hora de preparar um suco dessa fruta inteira ou da pera, é preciso retirar todas as sementes.

A linhaça, que está em alta nas dietas fitness, pode ser ingerida apesar de conter a substância "venenosa". Segundo Chiari, essa sementinha pode ser consumida crua, diariamente, na quantidade equivalente a duas colheres de sopa. Se a intenção é consumir uma quantidade maior, o ideal é torrá-la no forno, por 10 minutos – esse mesmo procedimento já é feito pela indústria de beneficiamento de amêndoa e de castanha de caju.

A dose letal do cianeto oscila entre 0,5 e 3,5 mg por quilograma, de acordo com o peso da pessoa. O alimento mais perigoso que contém essa substância, de acordo com a nutricionista, é a folha da mandioca, apesar de seu consumo não ser tão comum na culinária brasileira. "A pessoa pode morrer rapidamente", afirma. Mas, quem quiser apreciar a "perigosa" folha, deve cozinhá-la por um período de tempo elevado, repetindo a ação durante dois ou três dias, sempre trocando a água.

Curiosidades

Supostamente, o cianureto também foi muito utilizado em suicídios na Segunda Guerra Mundial, especialmente por espiões de ambos os lados do conflito, que, ao se verem cercados por forças inimigas ou mesmo capturados, optavam por acabar com a própria vida para não serem torturados e obrigados a revelar segredos.

Mais recentemente, em janeiro de 2013, o cianeto voltou à mídia, ao ser responsável pela morte dos jovens no incêndio que destruiu a boate Kiss, na cidade de Santa Maria (RS). A substância que intoxicou as vítimas surgiu com a queima da espuma que era responsável pelo isolamento acústico da casa noturna.

Últimas notícias

Comentários