Aprovados pela maioria

Pesquisa encomendada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes mostra aceitação de moradores do bairro de Lourdes para estabelecimentos gastronômicos

por Aline Gonçalves e Marcelo Almeida 25/09/2014 14:10

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Samuel Gê/Encontro
Dias movimentados, noites badaladas: bairro da região Centro-Sul concentra 60 estabelecimentos, entre bares e restaurantes (foto: Samuel Gê/Encontro)
Abrir a porta de casa e caminhar pouquíssimos quarteirões até chegar ao restaurante predileto. Encontrar os amigos e tomar uma cervejinha sem preocupação em ter de esperar táxi por horas. Quem mora em Lourdes, um dos bairros mais valorizados da região Centro-Sul de BH, sabe como é essa rotina, mas também reconhece que ela pode trazer desconfortos.

Para tentar comparar os prós e contras de viver em uma área afamada por estabelecimentos de excelência, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-MG) realizou uma pesquisa inédita e o resultado surpreendeu: 85% dos entrevistados, moradores do bairro, consideram positivo ter bares e restaurantes perto de casa. "Tomamos a iniciativa de ouvi-los porque sempre somos questionados em relação à permanência desses locais e precisávamos entender o que as pessoas realmente acham. Usamos métodos legais e leais, ajudados por empresas respeitadas", diz o diretor da Abrasel, Fernando Júnior.

Alexandre Rezende/Encontro
Fernando Júnior, diretor da Abrasel-MG: "Sempre fomos questionados em relação à permanência desses estabelecimentos e precisávamos entender o que as pessoas que lá vivem realmente acham" (foto: Alexandre Rezende/Encontro)
O estudo utilizou duas metodologias: qualitativa (entrevistas individuais em domicílio) e quantitativa (questionários semiestruturados). Uma equipe foi a campo entre os dias 27 de junho e 5 de julho e ouviu 206 pessoas. Segundo o levantamento, os principais motivos apontados por quem tem uma visão positiva dizem respeito à possibilidade de não precisarem enfrentar trânsito ou dirigirem após ingerir bebida alcoólica Os que são contra citam o barulho. O estudo teve desenvolvimento da Loggia e trabalho de campo da Expertise.

"Sou frequentadora assídua dos estabelecimentos do Lourdes. Vou por causa da comodidade e porque gosto de tomar uma cerveja deixando o carro na garagem", diz a universitária Alene Salviano. Durante os almoços, ela ganha companhia da mãe, com quem divide apartamento na rua Álvares Cabral, há nove anos. "Nossa casa anterior (no Alípio de Melo, região Noroeste) foi assaltada e decidimos nos mudar. Os estabelecimentos ajudam a manter o ambiente seguro", diz. Segundo a Abrasel, a variedade é outro atrativo, já que há cerca de 60 estabelecimentos na região.  Nascida no bairro, a fisioterapeuta Carolina Saliba aproveita os locais com amigos e familiares – ela costuma ir semanalmente. "Gosto por causa do atendimento que é muito bom", diz ela, que também mora na rua Álvares Cabral.

O diretor da Abrasel-MG, Fernando Júnior, acredita que a relação entre clientes e empreendedores tem melhorado. "A maior lei que existe é oferta e procura. Se criam em Lourdes é porque há público. Fizemos um acordo com os moradores e tem sido cumprido", diz. O acordo a que ele se refere foi realizado em 2011 entre a Associação dos Moradores da Praça Marília de Dirceu e Adjacências e definiu que os bares e restaurantes retirem as mesas das calçadas a partir das 23h30, nos dias de semana, e à 1h, às sextas, sábados e vésperas de feriado. "As reclamações diminuíram muito. Tínhamos, em média, 80 solicitações mensais para fazer cumprir a Lei do Silêncio no bairro. Hoje, com o acordo, são apenas dez ou 12 reclamações", explica o presidente da Amalou, Jefferson Rios.

O empresário Alfredo Gordon, dono de um apartamento na rua Bárbara Heliodora, ressalta que os bares geram até pouco transtorno, mas são os frequentadores com motos e carros com descargas abertas os responsáveis pelo barulho. "E reclamar não adianta nada. A fiscalização ainda é falha", diz. A Prefeitura de BH, por sua vez, informa que são feitas fiscalizações periódicas. Em 2013, foram registradas mais de 7 mil reclamações pelo telefone 156. Das 5 mil vistorias realizadas, 521 autuações foram geradas.

Mas, como educar costuma ser o método mais eficiente, Fernando garante que a Abrasel continuará agindo. "A pesquisa nos ajuda a entender melhor o bairro. Sabemos que ainda ocorre barulho, mas continuaremos desenvolvendo campanhas sobre isso."

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