Texto sobre cachaça mineira causa mal estar regional

Jornal publica fala de secretário de turismo do Rio de Janeiro sobre possível retirada da bebida de Minas dos hotéis cariocas. Ele desmente o fato

por João Paulo Martins 14/10/2014 16:38

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Beatriz Fidelis/Esp. CB/D.A Pres
O presidente da Ampaq, Trajano Lima, que representa as principais marcas de cachaça de Minas: "É uma falta de respeito com Minas Gerais" (foto: Beatriz Fidelis/Esp. CB/D.A Pres)
"Ele pode tirar o cavalinho da chuva", diz, irritado, Trajano Ladeira de Lima, presidente da Associação Mineira dos Produtores de Cachaça de Qualidade (Ampaq). O motivo de tanta raiva? A fala do secretário de estado de Turismo do Rio de Janeiro, Cláudio Magnavita, publicada em um jornal carioca: a ele foi atraibuída a ideia de tirar a cachaça mineira dos cardápios dos hotéis do Rio. "Vou levar esse assunto à Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Cachaça no Ministério da Agricultura. É uma falta de respeito com Minas Gerais", reclama Trajano.

Segundo o Instituto Brasileiro da Cachaça, nosso país possui 2 mil produtores de aguardente registrados, que levam ao mercado 800 milhões de litros da bebida a cada ano. E Minas Gerais, que tem 150 alambiques vinculados à Ampaq, responde pela produção de 180 milhões de litros, anualmente. "Respeito muito o colega Magnavita, que faz um belo trabalho pelo turismo do Rio, mas sugeriria que ele apenas incluísse a cachaça carioca nos cardápios, sem excluir a mineira. Assim, os turistas terão o poder da escolha, pois sempre merecem o melhor tratamento, que neste caso, sem dúvida alguma, se materializa na boa e velha cachacinha mineira", afirma Tiago Lacerda, secretário de estado de Turismo e Esportes de Minas Gerais.

Em seu perfil no Facebook, o secretário Cláudio Magnavita explica que não quer criar uma guerra. "Antes que os meus amigos e confrades mineiros fiquem magoados com a notícia publicada hoje, ela não traduz o espirito da campanha de valorização da cachaça fluminense nos hotéis e restaurantes do Rio que tem como objetivo de criar uma grande vitrine para os nossos produtos". Ele ainda ressalta que o importante é que o "mundo saiba que a cachaça é brasileira, seja ela produzida artesanalmente em Minas, Rio, Espírito Santo, Goiás, Pernambuco ou no Ceará".

O presidente da Ampaq, Trajano Lima, não poupou críticas à suposta afirmação de Magnavita ao jornal carioca: "Somos a mais respeitada associação do mercado de cachaça no Brasil e no mundo. Eu considero esse secretário um idiota. Dou meus pêsames ao governador do Rio de Janeiro [Luiz Fernando de Souza - Pesão] por manter esse funcionário".

Em contato com a Encontro, o secretário Cláudio Magnavita explicou a confusão. Ele diz que tem um pé em Minas e que nunca tomaria uma atitude contrária ao produto mineiro. "Como a cachaça artesanal fluminense atingiu um grau de altíssima qualidade, inclusive com premiação internacional, a secretaria de estado de Turismo do Rio de Janeiro [Setur-RJ] resolveu estimular a exposição das grandes marcas cariocas em hotéis e restaurantes".

E sobre a polêmica, ele esclarece: "Esta medida, de estimular a produção regional, em nenhum momento visou retirar do mercado produtos similares de outros estados. No plano internacional apoiamos, inclusive, a promoção conjunta da cachaça como instrumento da promoção internacional do Brasil, tendo sugerido à Embratur que os produtos de diferentes estados, não apenas de Minas e do Rio, mas de São Paulo, Goiás e do Nordeste, por exemplo, sejam degustados em estandes brasileiros nas feiras internacionais".

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