Indústria desmente o "fim do chocolate"

O burburinho que voltou às manchetes, de que a guloseima mais apreciada do mundo, o chocolate, estaria com os dias contados, devido à diminuição de sua produção, não é confirmado pelas empresas

por Fernanda Nazaré 01/12/2014 16:03

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Pixabay
Uma notícia publicada no site da Bloomberg deixou os 'chocólatras' alarmados: o chocolate estaria com os dias contados (foto: Pixabay)


O prazo para que os "chocólatras" de plantão se mantivessem felizes seria até 2020. A partir dessa data, encontrar um chocolate no mercado poderia ser uma tarefa difícil e também cara. Isso era o que previa um relatório, publicado em 2010, pelas maiores fábricas de chocolate do mundo: Mars, Barry Callebaut e Blommer Chocolate.

Mas, em novembro deste ano, um artigo publicado no site norte-americano Bloomberg, especializado no mercado financeiro, relembrando os dados divulgados há quatro anos sobre essa possível escassez de cacau, gerou um novo frenesi. O cenário do chocolate estaria tão ruim assim?

Representante desse mercado no Brasil – o quinto país produtor da iguaria no mundo – se recusou a comentar o caso. A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) preferiu não se manifestar. Já a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, afirma, por meio de sua assessoria, que não há nenhum alerta feito pelas maiores processadoras de cacau no país, que são a ADM, Cargill, Barry Callebaut e Nestlé.

"Não há dados de estudos técnicos que apontam dificuldade de produção nos próximos 10 anos. Nós temos uma crise no setor, mas isso não tem repercutido na produção. O primeiro ponto latente no país que apontaria o problema seria um aumento de preço para o consumidor final. E isso não está acontecendo", diz a assessoria de impresa do Ceplac.

A crise no setor, segundo a comissão, ainda está ligada ao relatório de 2010, e teria havido, sim, uma redução na produção de cacau. Além do clima seco presente na África Ocidental – especialmente Costa do Marfim e Gana, onde são produzidos mais de 70% de todo o cacau do mundo –, reduzindo muito a produção, a indústria ainda se recupera de uma praga: o fungo Moniliophthora roreri.

A Organização Internacional do Cacau estima que a praga tenha eliminado de 30 a 40% da produção global do fruto. Mas, a mesma instituição afirmou, uma semana após a divulgação do fatídico artigo do site Bloomberg, que "não há motivo para se preocupar nos próximos cinco anos. Há estoque de cacau suficiente enquanto a indústria se prepara, antes do déficit, para o aumento da demanda".

Força tarefa

A Barry Callebaut, uma das maiores produtoras de cacau do mundo – e que tem fábricas no Brasil para exportação do fruto –, foi uma das empresas que participaram do relatório, em 2010, alertando para a escassez da matéria-prima.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da multinacional afirma que a empresa não emitiu qualquer pronunciamento sobre um eventual déficit de mil toneladas de cacau até 2020. "A Barry Callebaut já citou a projeção de déficit de mil toneladas de cacau no passado. O contexto foi ressaltar a necessidade de ações rápidas junto à oferta do fruto. Não criamos essa estimativa falta de cacau até 2020. Mas, acreditamos que haverá um gap, ou déficit de cacau, até lá. De qualquer forma, ele será bem menor do que a projeção feita", afirma a nota enviada à Encontro.

Ainda segundo o comunicado, após o alerta feito há quatro anos, programas de sustentabilidade foram iniciados por todos da indústria, diminuindo a previsão catastrófica para os amantes de chocolate.

Confira abaixo como o chocolate pode ser um verdadeiro alimento:

Heitor Antonio/Encontro Digital
(foto: Heitor Antonio/Encontro Digital)


Heitor Antonio/Encontro Digital
(foto: Heitor Antonio/Encontro Digital)

Últimas notícias

Comentários