A curcumina faz bem ou não?

Pesquisadores mostram que em grandes quantidades o corante proveniente da curcuma causa efeitos nocivos no organismo, limitando seu potencial para usos terapêuticos

21/01/2015 16:45

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Simon A. Eugster/Wikimedia/Reprodução
A curcumina é o corante presente na curcuma ou no açafrão-da-índia e está sendo associada a efeitos benéficos para a saúde. Só que se ingerida em grandes quantidades, pode ser perigosa (foto: Simon A. Eugster/Wikimedia/Reprodução)
A curcumina, substância encontrada no pó amarelo-alaranjado extraído da raiz da curcuma ou açafrão-da-índia, segundo consta na internet, pode ajudar a combater vários tipos de câncer, o mal de Parkinson e o de Alzheimer e até mesmo retardar o envelhecimento. Usada há quatro milênios por culturas orientais, apenas nos últimos anos passou a ser investigada pela ciência ocidental, com resultados surpreendentes em alguns casos e alarmantes em outros. Estudos conduzidos na Universidade de São Paulo (USP) indicam que em dosagem baixa a curcumina previne danos no material genético das células provocados por compostos tóxicos. Em teores elevados, porém, a curcumina pode até matá-las.

Corante rotineiro na indústria alimentícia, a curcumina está presente nos mais diversos produtos, de biscoitos a sorvetes, de sopas a margarinas. Também é a base de condimentos como o curry. Na Índia, aliás, seguindo a dieta típica do país, as pessoas chegam a consumir ao redor de dois gramas de curcumina por dia. Nos países ocidentais, onde a quantidade nos alimentos é bem menor, a expectativa de que esse tempero possa melhorar a qualidade de vida e prevenir doenças a transformou num suplemento alimentar.

Mas alguns pesquisadores alertam: vale a pena levar em conta um velho ditado segundo o qual a diferença entre o remédio e o veneno está na dose. É basicamente isso que vêm sugerindo as pesquisas por Lusânia Maria Greggi Antunes, pesquisadora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. "Foi muito divulgado no final do ano passado, até em programas de TV, que a curcumina teria um efeito protetor contra o câncer, e só foi dito que quanto maior o consumo, maior a proteção. Mas a gente sabe, pelos dados disponíveis, que não é bem assim", diz.

A pesquisa na USP começou há mais de 10 anos. Nos testes, foi usada uma cultura de células de ovário de hâmster chinês para a indução da mutação típica do câncer. Os pesquisadores aplicaram, então, concentrações diferentes de curcumina nessa cultura. A expectativa era de que a substância encontrada na curcuma reduzisse as alterações no DNA das células. Mas aí veio a surpresa. As doses menores (2,5 e 5 microgramas de curcumina por mililitro) produziram um efeito antimutagênico, enquanto a dosagem mais alta, 10 microgramas por mililitro, provocou a reação contrária: mais mutações do que as observadas nas células não tratadas com curcumina.

Enfim, faz mal?

Um estudo realizado pelo pesquisador americano Mark Miller, da Universidade Wake Forest, no estado da Carolina do Norte (Estados Unidos), e apresentado em novembro de 2009 em um congresso na cidade de Ouro Preto, mostrou que, em testes contra câncer de pulmão feitos com camundongos transgênicos, a curcumina agravou o problema, em vez de combatê-lo.

O desafio, agora, é decifrar precisamente como a esse corante age no organismo, para compreender como ele pode, em alguns casos, fazer bem, e, em outros, mal ao organismo. "Ainda estamos muito longe de entender os mecanismos exatos de ação da curcumina. Por isso, precisamos de muitas outras pesquisas", diz Kátia Leite, pesquisadora da Faculdade de Medicina da USP, que participa de estudo sobre o uso da substância no combate ao câncer de bexiga.

(com Agência Fapesp)

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