Uma em cada 133 pessoas é intolerante ao glúten

Entenda esse problema que é mais comum do que se imagina, não tem cura e pode surgir em diferentes fases da vida

10/04/2015 08:49

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Quem é celíaco deve evitar qualquer alimento que contenha trigo, cevada, centeio e aveia, e não consumir até mesmo produtos que tenham tido contato com esses grãos (foto: Pixzbay)
"Não contém glúen". Embora a expressão seja obrigatória nos rótulos de alimentos, nem todo mundo se dá conta do motivo dessa informação estar ali. O glúten é uma proteína presente no trigo, na cevada, no centeio e na aveia, que não é tolerada por crianças, jovens e adultos com doença celíaca.

Eles precisam estar sempre vigilantes em relação ao que comem, e ficar de olho nos rótulos dos alimentos, cuidado essencial para saber o que pode ou não fazer mal. Para os celíacos, esse componente, presente em pães, massas, bolos e alimentos à base de farinha de trigo ou de qualquer um dos cereais que contém glúten, é um grande vilão.

A doença provoca alterações na parede interna do intestino, causando sintomas como diarréia, perda de peso, anemia e até problemas de pele. Ela pode afetar pessoas em qualquer fase da vida. Há alguns anos, era considerada rara e típica de europeus, mas recentemente, o desenvolvimento de exames mais sensíveis permitiu diagnosticá-la, mesmo quando a suspeita clínica é muito pequena.

As descobertas apontam que a condição é mais comum do que se pensava: em todo o mundo, de cada 133 pessoas, uma é celíaca, conforme dados do pesquisador Alessio Fasano, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. Um parente de celíaco, mesmo de segundo grau, como primo, tem aumentada a chance de também possuir a doença, já que existem os fatores genéticos associados.

Sensibilidade diferente

Quando há uma suspeita de doença celíaca, primeiro são realizados exames sorológicos (de sangue). Para orientar os profissionais de saúde sobre o diagnóstico e o tratamento desse problema em todo o país, o Ministério da Saúde sancionou, em setembro de 2009, uma portaria contendo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença Celíaca. Segundo essa “cartilha”, são três os principais testes para a detecção da intolerância ao glúten: anticorpo antigliadina, anticorpo antiendomísio e anticorpo antitransglutaminase.

Para confirmar o diagnóstico, é preciso fazer uma biópsia (retirar uma amostra de tecido interno) do intestino delgado. Assim, o médico consegue observar um padrão alterado característico da doença, a atrofia vilositária. É essa modificação no intestino que faz com que os nutrientes dos alimentos sejam mal absorvidos e isso pode causar uma carência de vitaminas e nutrientes séria nos pacientes. O mecanismo da doença se baseia em três fatores: predisposição genética, ingestão de glúten e a alteração na mucosa do intestino.

Algumas pessoas têm sensibilidade transitória ao glúten, mas podem voltar a comer normalmente depois de um tempo, e nunca mais manifestar sintomas.

“Isso não caracteriza doença celíaca, que é para a vida toda”, afirma José César Junqueira, especialista em gastropediatria do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ), no Rio de Janeiro. Mas mesmo entre os celíacos, o grau de sensibilidade varia de pessoa para pessoa. Algumas não podem entrar em contato nem com óleo que foi usado antes na fritura de uma carne ou peixe passados na farinha de trigo, por exemplo. “Há casos extremos descritos, de pessoas que não podem usar xampu de gérmen de trigo”, diz o médico.

Existem também pessoas sensíveis ao glúten não sintomáticas, ou seja, podem não ter problemas típicos como distensão abdominal (barriga “inchada”), diarréia, perda de peso ou lesões na pele, mas seus testes dão resultado positivo para doença celíaca. “Muitos destes pacientes assintomáticos apresentam outros distúrbios que estão associados, como síndrome de Down e diversas doenças autoimunes, e correm o risco de desenvolver o quadro em algum momento da vida”, conta Junqueira.

(com Portal EBC)

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