Alimentação pode diminuir os efeitos do autismo?

Apesar desse assunto ter virado 'moda' nas redes sociais, psiquiatra diz que não existe comprovação científica sobre o fato

por Vinícius Andrade 07/07/2015 10:14

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Diariomaedeumautista.blogspot.com/Reprodução
Claudia Marcelino diz que a dieta sem glúten, lactose, aditivos químicos, caseína, soja e conservantes teria melhorado o autismo de seu filho (foto: Diariomaedeumautista.blogspot.com/Reprodução)
A estudante de nutrição Claudia Marcelino decidiu apostar em uma dieta rigorosa para minimizar os efeitos do autismo em seu filho. Nada de glúten, lactose, aditivos químicos, caseína, soja e conservantes. Segundo ela, o novo cardápio ajudou a controlar a agitação, agressividade e espasmos musculares do garoto, além de contribuir para a socialização, imaginação, interesse e ganhos na área da saúde.

De acordo com a mãe, evidências científicas apontam que o autismo é uma espécie de inflamação cerebral. Sendo assim, a alimentação ajudaria a diminuir esse problema, dando chances para uma recuperação maior das funções do intelecto.

Contraponto

Conforme o psiquiatra Arthur Kümmer, do departamento de Saúde Mental da UFMG, não há evidências de que dietas ou suplementação alimentar tragam benefícios para as crianças com transtorno do espectro do autismo. "Dietas restritivas não são recomendadas, pois algumas crianças com autismo já têm um apetite caprichoso, com recusa da ingestão de uma ampla gama de alimentos. Portanto, uma dieta restritiva poderia impor ainda mais restrição ao repertório alimentar", comenta o especialista.

Para uma criança autista que tenha alguma intolerância alimentar, é importante estar atento ao cardápio. Ela pode ficar irritada e agitada, por exemplo, pelo fato de estar com cólica ou diarreia, decorrente de uma intolerância ao glúten ou à lactose. Neste caso, a dieta pode aliviar o mal estar gastrintestinal e o comportamento consequente dessa reação.

"Mas, a dieta em nada afetará o desenvolvimento das habilidades sociocomunicativas, cujo déficit é a marca do transtorno do espectro do autismo. Isso não é uma opinião pessoal sobre o assunto. É o atual estado científico da literatura", destaca Arthur Kümmer.

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