Cafés especiais são o diferencial da produção mineira

Além de ser o maior produtor de café do Brasil, Minas ainda possui variedades exclusivas do grão

por Encontro Digital 16/05/2016 12:10

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Epamig/Divulgação
Com a ajuda da Epamig, foram criadas diversas variedades de grãos de café, que são produzidas com êxito no interior de Minas Gerais (foto: Epamig/Divulgação)
Quem não gosta de um bom cafezinho passado na hora? Em Minas Gerais, o café – seja ele puro ou misturado com leite – é uma tradição. Além disso, o estado é também o maior produtor brasileiro do grão. Graças às qualidades do produto, ele já conquistou os brasileiros e está presente em muitos países do mundo.

A produção cafeeira em Minas recebe o apoio da tecnologia e de pesquisas desenvolvidas pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). Estudos de melhoramento genético do café começaram na Epamig na década de 1970, após a ferrugem, principal doença do setor cafeeiro, ser constatada nas lavouras brasileiras. Desde então, já foram desenvolvidas 15 variedades do grão, que têm sido premiadas nacional e internacionalmente por sua qualidade de bebida. Além dessas, outras quatro estão em fase de pedido de registro junto ao Ministério da Agricultura.

O pesquisador da Epamig Sul, Gladyston Rodrigues Carvalho, acompanha o desenvolvimento de novos materiais genéticos de café no estado. "Quando a ferrugem deixou de ser um problema, passamos a nos preocupar em produzir cafés com outros valores agregados, como, por exemplo, boa capacidade de resposta à cultura mecanizada e melhor qualidade", explica.

Segundo Gladyston, foi na última década que os agricultores começaram a abrir os olhos e a renovar seus parques cafeeiros, com novas variedades de café. "Nossas espécies estão sendo muito premiadas. Isso gera interesse e motivação para os cafeicultores, que percebem, cada vez mais, que este material genético novo produz tão bem quanto os tradicionais e ainda oferece muitos diferenciais, como qualidade superior", ressalta o pesquisador da Epamig.

É o caso do cafeicultor Wagner Ferrero, de Patos de Minas, no noroeste mineiro. Há cinco anos, ele começou a testar em sua propriedade o cultivo da variedade MGS Paraíso 2, da Epamig. Deu tão certo que o grão desta espécie produzido em sua fazenda foi eleito o melhor café do Cerrado Mineiro nos dois últimos concursos estaduais de qualidade do grão.

"A Paraíso 2 recebeu na prova de xícara nota de 87,79 na escala americana SCCA, o que é muito bom. Mas, a maior surpresa veio quando a Nestlé experimentou e gostou. Estamos em negociação para sermos fornecedores para a Dolce Gusto e, se der certo, todo o nosso café Paraíso 2 será entregue para a empresa", comemora Ferrero, que herdou o ofício da família.

Tamanho sucesso não é por acaso. O cafeicultor investe no grão: além de ter 1.100 hectares plantados e produzir 50 mil sacas por ano, todas exportadas, ele tem mais de 250 variedades de café. Para fornecer para a Dolce Gusto, ele ainda construiu uma nova usina, que possibilitou a utilização do método adotado pela empresa, cujo café é fermentado. "Meu objetivo é sempre procurar as melhores bebidas. Então, tudo tem de ser muito bem feito", conclui o produtor.
Epamig/Divulgação
A variedade Paraíso 2 de café deu tão certo em Patos de Minas que foi cobiçada por uma grande multinacional francesa (foto: Epamig/Divulgação)

Em Pratinha, no Triângulo Mineiro, os irmãos André e Lincoln Ferreira, que produzem café há 30 anos, ficaram em segundo lugar no último Concurso Estadual de Qualidade do Café, com a variedade Catiguá MG2, desenvolvida pela Epamig. “Nosso engenheiro agrônomo conheceu a cultivar e trouxe para nós. Gostamos muito, porque a bebida é muito boa e saborosa. Já estou ansioso para começar a colher, daqui a três semanas”, diz.

Procura por cafés especiais

Em Capelinha, o cafeicultor Sérgio Meirelles planta duas variedades de café da Epamig, a Catiguá MG2 e a MGS Aranãs. "Antes de provar a Catiguá 2, eu não sabia que o café podia ter um sabor tão especial. Fiquei encantado. Hoje, apesar de plantar muitas espécies, eu só bebo essas duas: a Aranãs e a Catiguá", conta.

O sucesso dos grãos produzidos por ele é atestado pelo empresário Carlos Rocha, dono da Empório Palato, em Belo Horizonte, delikatessen que se especializou em cafés gourmets e especiais.

Foi durante a Semana Internacional do Café, em setembro do ano passado, que Carlos provou o café de Sérgio. Hoje, os pacotinhos são um dos itens mais procurados na loja. "Vendo em grão e também moído. E não param na prateleira, as pessoas já conhecem e procuram", diz o comerciante.

O negócio de Carlos, aliás, é mais uma prova da crescente qualidade e procura por cafés especiais no país. "Comecei com 20 rótulos de cafés na loja. Hoje, tenho 46 tipos, a maioria de Minas Gerais e, até dezembro, chegarei a 60. Os clientes buscam cafés puros e de qualidade, querem saber suas características, entendem mais do produto", conta o empresário de BH.

(com Agência Minas e Epamig)

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