Pesquisa brasileira testa a produção de physalis no cerrado

Encabeçado pela Embrapa, o teste já deu resultado positivo, produzindo frutos com ótima concentração de açúcar

por Encontro Digital 19/05/2016 17:05

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Paula Rodrigues/Embrapa/Divulgação
A physalis é conhecida por sua cor, pelo gosto bem característico (com pequena acidez) e pela folhas de aparência seca que a protegem (foto: Paula Rodrigues/Embrapa/Divulgação)
Uma pesquisa em andamento no Brasil está avaliando a viabilidade de cultivar physalis (golden berry) no bioma cerrado. Essa frutinha é da família das solanáceas, da qual fazem parte o tomate, a berinjela e o pimentão. É pequena, de alto valor nutritivo e muito utilizada na ornamentação de sobremesas finas – especialmente bolos e tortas. Os resultados preliminares foram promissores e surpreenderam os pesquisadores que, apesar das adversidades climáticas, conseguiram garantir uma boa produção e qualidade do fruto.

"A proposta é estabelecer um sistema de produção para facilitar os tratos culturais e entender como a planta deve ser conduzida no campo e, ao mesmo tempo, avaliar as características do fruto que são essenciais para atender as demandas de mercado", diz o pesquisador Raphael Melo, da área de fitotecnia da Embrapa.

Realizado em Brasília (DF), o experimento foi conduzido em um sistema de transição, sem uso de qualquer adubo químico, e as plantas foram tutoradas com bambus e barbantes, para facilitar o trato diário a colheita, diminuindo a necessidade de intensa mão de obra.

O grande diferencial da pesquisa brasileira foi conduzir as plantas em espaldeira, mantendo uma altura de até 80 cm. Desta forma, a plantas ficaram menos suscetíveis às pragas, como lagartas, e obtiveram mais nutrientes. "O desenvolvimento da planta ocorreu em um período de alta temperatura e baixa umidade relativa do ar, condições que não são favoráveis para a cultura. Por isso, acreditamos que a forma de condução favoreceu a produção", explica Raphael, ao lembrar que o cerrado pode ser uma alternativa interessante para produção na entressafra.

Frutos mais doces

Além do bom rendimento das plantas, as primeiras avaliações relacionadas à qualidade do fruto indicaram um elevado teor de sólidos solúveis, que são compostos responsáveis pelo sabor, principalmente açúcares. Os valores medidos apontaram frutos com 1º de açúcares a cada 100 gramas de produtos testados. Os pesquisadores acreditam que a alta luminosidade da região do cerrado, aliada ao modo de condução da planta, possa ter favorecido uma maior concentração de sólidos solúveis.

"Vamos iniciar outras análises, como ponto de colheita e vida útil, sob sistema de armazenamento refrigerado e natural, porque a physalis é um fruto climatérico que, mesmo depois de colhido, atinge a maturação", explica a pesquisadora Neide Botrel, da área de pós-colheita da Embrapa, ao destacar que os resultados dos testes podem favorecer a logística de distribuição para mercados distantes.

Além disso, em parceria com a Embrapa Agroindústria de Alimentos, localizada no Rio de Janeiro, será realizada a caracterização nutricional da physalis para mensurar os teores de vitaminas e minerais. "Devido à coloração do fruto que, quando maduro, fica amarelo intenso, imaginamos que ele será rico em carotenoides precursores da vitamina A", sinaliza Neide.

A cereja dos doces

Fruto pequeno, mas de alto valor agregado, a physalis, ou golden berry, ocupa posição de destaque na ornamentação de doces finos e, além da leve acidez complementar ao sabor do chocolate, o tom alaranjado oferece um contraste e um belo efeito visual nas vitrines de confeitarias e nas mesas de festas. As pequenas folhas que envolvem a frutinha, na verdade, são chamadas de cálice ou capulho e funcionam como uma embalagem natural, protegendo o fruto que é delicado e possui casca bem fina.

(com Agência Embrapa)

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