Será que os food trucks vieram para ficar?

Após o boom há três anos, vendedores itinerantes de comida ainda mantêm o mercado aquecido em Belo Horizonte

por Encontro Digital 31/10/2016 13:41

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José Cruz/Agência Brasil/Divulgação
"Essa história de fechamento de food truck é muito mais devido ao perfil de quem montou e investiu do que de esgotamento do mercado", diz a analista do Sebrae Minas Alessandra Simões (foto: José Cruz/Agência Brasil/Divulgação)
Os food trucks – veículos adaptados para a comercialização de comida – surgiram há três anos como uma opção de alimentação. Logo ganharam o gosto das pessoas e se firmaram como figuras constantes na paisagem de muitas cidades brasileiras, especialmente em Belo Horizonte. O curioso deste mercado é que, como acontece no mundo dos negócios, toda novidade precisa ser bem entendida pelos empreendedores para se manterem. Caso contrário, eles correm o risco de fechar as portas tão rapidamente quanto abriram.

Com o vaivém do mercado, e a crise emoldurando tudo, é até natural que surjam boatos sugerindo que este é um nicho de mercado saturado. Conversa mole, evidentemente, como comprova o empresário Luciano Nery, dono do Crepioca, um dos pioneiros food trucks da capital mineira: "Comecei há três anos, com dinheiro emprestado. Tive lucro, reinvesti no negócio, diversifiquei os produtos, busquei novos mercados e hoje não devo nada".

Luciano não está mal das pernas. O sucesso ele credita ao trabalho incansável de se reciclar, buscar conhecimento e propor novidades. Ele tem um carro na região centro-sul de BH, já tradicional, e um outro no recém-descoberto mercado da zona norte, mais precisamente no bairro São João Batista, em Venda Nova. O empresário vende crepe, tapioca e crepioca; produz uma farinha de qualidade que, sob indicação de nutricionistas, vende bem, e está criando um "kart food" para shoppings. "O mercado realmente ficou inflado, mas a população de BH abraçou a ideia e quem trabalhar com apego, buscando conhecimento e entendimento das normas de como este negócio funciona, vai se sair bem", comemora o empreendedor, um exemplo de que o mercado só está mal para quem não sabe gerir o negócio.

De acordo com regras estabelecidas pela prefeitura de Belo Horizonte, para entrar em operação o food truck passa por um processo de licitação e deve seguir legislação específica do Detran. "No alvará que recebemos, não podemos estacionar a menos de 50 m de outro estabelecimento que venda comida, nem em espaços tombados ou em frente de faculdades e igrejas. De resto, podemos trabalhar tranquilamente", explica Luciano Nery.

Para Alessandra Simões, analista do Sebrae Minas, a atividade, apesar das adversidades, tem, sim, crescido e assegurado adeptos na capital mineira. "Podemos citar, como exemplos, as kombis da Cadê Meu Brigadeiro e da Donna Coxinha, e a caminhonete da Crepioca, que têm público cativo, com roteiros semanais e seguidores fiéis nas redes sociais. Vale a pena conferir o encontro de food trucks na praça Leonardo Gutierrez, às sextas-feiras", sugere a especialista.

Alessandra, que é uma das idealizadoras da cartilha Food Trucks do Sebrae, não entra no coro dos que preveem o fim desse setor. "Essa história de fechamento de food truck é muito mais devido ao perfil de quem montou e investiu do que de esgotamento do mercado. Em São Paulo, onde a atividade foi regulada em 2013, calcula-se que existam em torno de 3 mil food trucks. Considerando-se que BH comporta 10% do que há em São Paulo, teríamos aqui capacidade para 300 unidades. Temos em torno de 160, o que predispõe que há ainda espaço para crescimento do setor. Fica fácil deduzir, portanto, que quem fechou não tinha perfil para a atividade", esclarece a especialista.

(com Agência Sebrae)

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