Pesquisadores da UFMG criam alambique que retira toxinas da cachaça

Ainda em fase de testes, o equipamento garante a fabricação de uma aguardente livre de impurezas

por Encontro Digital 01/11/2016 09:37

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Eugênio Sávio/Divulgação
Segundo o responsável pela pesquisa que criou o alambique capaz de retirar as toxinas da cachaça artesanal, equipamento enfrenta resistência de produtores do interior de Minas (foto: Eugênio Sávio/Divulgação)
Após uma visita à região do Alto Jequitinhonha, em Minas Gerais, Helmuth Guido Siebald, professor do departamento de Química da UFMG, conheceu a realidade dos pequenos produtores de cachaça artesanal da região e percebeu que os processos de fabricação da aguardente não eram adequados. Com isso, era difícil obter um produto de qualidade.

Com o objetivo de ajudar os produtores locais a fabricar uma cachaça certificada e de melhor qualidade, o professor deu início a um projeto de desenvolvimento de equipamentos para produção de cachaça artesanal com controle de substâncias tóxicas, levando em conta o padrão internacional de qualidade da bebida. O estudo resultou na criação de protótipo de equipamento para produção da cachaça capaz de livrá-la das impurezas e toxinas que fazem mal à saúde, preservando os processos artesanais e tradicionais de produção da bebida.

O protótipo desenvolvido, além de abrigar um tipo diferente de condensador, possibilita a remoção dos elementos tóxicos da bebida, fazendo a cachaça alcançar os níveis de qualidade exigidos para a certificação internacional e consequente exportação. "Quando se faz a cachaça de forma artesanal, o processo gera uma série de subprodutos tóxicos, tais como cobre, uretano (que é cancerígeno) e metanol, este último, um álcool extremamente maléfico para a saúde, com efeitos danosos, por exemplo, ao fígado. Garantindo a ausência desses subprodutos, os produtores vão conseguir a certificação internacional para então exportar o produto", explica Helmuth Siebald.

Resistência da tradição

Segundo o professor de Química, o maior obstáculo enfrentado pela equipe do projeto é a resistência de muitos produtores em mudar seus métodos de produção familiar, uma vez que o protótipo implica novos processos. "Muitas famílias produzem cachaça seguindo receitas de seus avós e antepassados, ou seja, adotam processos muito antigos e tradicionais que eles não querem mudar", diz Helmuth.

O alambique inovador já está sendo testado nos laboratórios do departamento de Química da UFMG, e a próxima etapa do estudo é analisar quais partes do processo de produção poderão ser objeto de patentes. "Já estamos testando a máquina e fazendo análises químicas da cachaça produzida. Esperamos que, em breve, o equipamento comece a ser usado por produtores da região metropolitana de Belo Horizonte. Acreditamos que será mais fácil pôr o protótipo em funcionamento entre fabricantes mais próximos da capital, onde a resistência em mudar processos é menor", conclui Helmuth Siebald.

(com Boletim da UFMG)

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