BH está a um passo de proibir a produção e a venda de foie gras

Projeto de lei foi aprovado na Câmara Municipal e segue para sanção ou veto do prefeito Marcio Lacerda

por João Paulo Martins 23/11/2016 12:29

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Air France/Divulgação e Éthique&Animaux L214/Reprodução
Muitos defensores dos animais argumentam que a produção do foie gras (patê de fígado de pato ou ganso) envolve maus-tratos. Será? (foto: Air France/Divulgação e Éthique&Animaux L214/Reprodução)
A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou em 2º turno, na segunda-feira, dia 21 de novembro, o Projeto de Lei 1637, de 2015, que proíbe a produção e a comercialização de foie gras (patê de fígado de ganso ou pato) nos estabelecimentos comerciais da capital mineira. Segundo a proposta, o objetivo é combater os maus-tratos aos animais. O texto segue, agora, para análise do prefeito Márcio Lacerda, que pode sancionar ou vetar o projeto.

De autoria do vereador Lúcio Bocão (PP), o PL 1637/15 foi aprovado na forma do substitutivo nº 1, proposto pelo mesmo parlamentar. De acordo com o texto, o desrespeito à proibição de venda e produção do foie gras acarretará ao infrator multa no valor de R$ 5 mil, que será aplicada em dobro nos casos de reincidência. Na justificativa da proposta, Lúcio Bocão argumenta que o patê de fígado de ganso é produzido a partir de técnicas que sujeitam os animais a situações de dor e crueldade extremas: "O foie gras é obtido por meio de método conhecido como 'gavage', no qual animais são submetidos a uma alimentação hipercalórica, forçada mecanicamente por meio de um tubo enfiado goela abaixo, fazendo seu fígado crescer até 10 vezes mais do que o normal’’, esclarece o parlamentar.

O prefeito tem o prazo de 15 dias para apreciar a proposta, podendo decidir pelo veto ou pela sanção da venda do polêmico e caro patê em BH.

Mercado

Surpreso com a notícia da possível proibição da comercializçaão do foie gras em BH, o chef Rodrigo Fonseca, proprietário do premiado restaurante francês taste-Vin, que fica no bairro de Lourdes, região centro-sul da capital, afirma que existe muita falta de informação sobre o processo de produção dessa iguaria francesa. "As pessoas alegam que os gansos e os patos são criados num sistema agressivo, mas não provam isso. Nunca vi um registro de maus-tratos a esses animais na produção do foie gras. Existe, sim, forma de se produzir o patê sem maus-tratos", comenta Rodrigo. Ele lembra que, às vezes, a divulgação de que algum produtor pequeno atua de forma errada costuma se transformar em "padrão" do mercado.

Segundo o chef do Taste-Vin, o patê de fígado de pato usado no prato Foie-gras Poêlé à La Mangue (escalope de foie gras grelhado com manga madura), um dos carros-chefe do restaurante belo-horizontino, é produzido sem maus-tratos pelo frigorífico Villa Germania, na cidade de Indaial, em Santa Catarina. "Sinto falta de informações mais claras por parte dos defensores dos animais. Existem produtores conscientes. Uma visita aos locais de criação poderia ajudar a esclarecer a questão", afirma Rodrigo Fonseca.

O chef se mostra triste pela possibilidade de sanção do Projeto de Lei 1637, de 2015, pelo prefeito Marcio Lacerda, o que levaria à retirada dos pratos à base de foie gras do cardápio do Taste-Vin. "Lamentaria muito ter de parar de serví-los", completa.

Em seu site oficial, o Villa Germania diz que usa matrizes de patos originárias da França e da Inglaterra e que todo o processo de criação é acompanhado por profissionais e segue padrões internacionais de qualidade e bem-estar animal. Além disso, o frigorífico revela que muitos de seus produtos são exportados para Hong Kong, Japão e Oriente Médio.

Confira, abaixo, um vídeo institucional com parte do processo de produção do frigorífico de Santa Catarina:


(com assessoria da CMBH)

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