Filme itinerante

por Marcelo Fiuza 08/05/2011 13:08

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Leo Araújo
None (foto: Leo Araújo)

Uma década em cartaz no Cine Humberto Mauro, em Belo Horizonte, sem interrupções. Mais de 1.600 filmes exibidos em aproximadamente 3.400 mil sessões semanais gratuitas. Invejável média de público com mais de 50% de ocupação da sala. É com esse excelente histórico que o Cineclube Curta Circuito celebra 10 anos de existência em 2011 e se prepara para novos desafios, como a ampliação dos locais de exibição na capital mineira e a expansão para o interior.

É, sem dúvida, o mais regular e longevo programa de exibição de filmes de curta duração do país, como destaca o cineasta Cláudio Constantino, atual coordenador e um dos criadores do projeto que promove debates entre os realizadores das obras e a plateia. “Desde o início, toda segunda-feira exibimos no Cine Humberto Mauro uma média de quatro produções, em sessões gratuitas. É uma vitrine do que se fez de curtas no país na última década. E temos todas essas programações guardadas, tanto originais como cópias”, diz o diretor, referindo-se ao acervo disponível na sede da Associação Curta Minas (ABD-MG), entidade idealizadora do evento.

Constantino conta com nostalgia que o primeiro ano do projeto foi feito na base do “amor e fé, sem muito envolvimento profissional”. Porém, a ideia vingou, obteve patrocínio financeiro já em 2002 e não parou mais de crescer. Desde 2006, passou a realizar sessões em cidades do interior. Hoje financiado pela Usiminas via Lei Estadual de Incentivo à Cultura, o Cineclube Curta Circuito se prepara para novos desafios, como a adoção do Centro Cultural do Alto Vera Cruz como mais um local regular de exibição na capital. “Vamos fornecer a programação, os projetores, o telão e as caixas de som, como ponto de apoio da Fundação Municipal de Cultura”, diz.
 

O cineasta italiano Andrea Tonacci, um dos convidados da edição 2011:
“É surpreendente saber o alcance que o Curta Circuito tem no interior”



O coordenador credita a longevidade do projeto à sua razão de ser: o curta-metragem. Segundo Constantino, um formato audiovisual “jovial por natureza”, o que explicaria o grande número de jovens e estudantes na plateia. “O curta é uma linguagem mais próxima do espectador, um caminho natural para o realizador. Por ser mais fácil de produzir, o curta é onde se experimenta muito mais. E há 10 anos essa difusão era diferente, havia menos mostras do que hoje, menos contatos e eventos”, analisa, falando sobre a atração que em maio chegará às cidades mineiras de Montes Claros, Araçuaí, Ipatinga e Santana do Paraíso.

Cineasta, crítico de cinema e presença frequente às segundas-feiras no cine Humberto Mauro, Paulo Augusto Gomes concorda com Constantino: “Grandes cineastas vieram do curta. É onde todo mundo do cinema começa”, diz o diretor do inédito O Doce Segredo de Bárbara. “Um projeto como esse do Curta Circuito é dos mais importantes, pois dá oportunidade às pessoas de conhecerem o que é feito nesse formato, mas dez anos em cartaz é uma proeza fantástica”, completa Gomes.

Andrea Tonacci, documentarista italiano radicado no Brasil, concorda com o colega mineiro. “É surpreendente saber o que o Curta Circuito faz, o alcance que tem no interior, o acesso a filmes que dá a pessoas interessadas, mas que não têm recursos. E, fundamental, é saber que consegue levar a essas pessoas a reflexão sobre o que é o cinema”, diz o diretor, que veio a Belo Horizonte em abril para a exibir seu documentário Araras.

Quanto à produção, uma análise rasa sobre a programação do Curta Circuito revela uma sutil mudança no temário ao longo da última década, apesar de a ficção se manter como o gênero mais comum. O coordenador Cláudio Constantino explica que, se antes havia mais roteiros baseados em contos e histórias, atualmente se fala com frequência de “relações interpessoais”. “Hoje é comum termos conflitos internos, cotidianos, com questões pessoais e sociais mais presentes”, explica o exibidor, que organiza as sessões do Cineclube Curta Circuito por eixos como panoramas, produções nacionais, experimentalismos e, claro, retrospectivas. Este último é, inclusive, o destaque da programação de maio, que traz uma rara seleta da Belair, produtora criada por Rogério Sganzerla e Júlio Bressane, que funcionou durante apenas cinco meses em 1970. E ainda faz a pré-estréia de um documentário inédito sobre emblemática realizadora de filmes do país. Imperdível.

Programação de maio do CineClube Curta Circuito

– Local: Cine Humberto Mauro, Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro)
– Quando: às segundas-feiras, 19h
– Entrada: gratuita (os ingressos são distribuídos na bilheteria do cinema, a partir das 18h30)
– Programação:

  • 2/5 – Panoramas I exibe  Lima Barreto, Cinema Inocente e Quem Seria o Feliz Conviva de Isadora Duncan, curtas de Júlio Bressane
  • 9/5 – Panoramas III (Bressane Belair) exibe A Miss e o Dinossauro (com Helena Ignez) e Família do Barulho, de Júlio Bressane
  • 16/5 – Panoramas III (Sganzerla Belair), com Noel por Noel e Sem essa Aranha, de Rogério Sganzerla
  • 23/5 – Panoramas IV (Bressane Belair II), com Viola Chinesa e Cuidado, Madame (Júlio Bressane)
  • 30/5 – Eixo Brasil exibe Belair (2010), documentário de Bruno Safadi e Noa Bressane

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