Medo do volante

por Rafael Campos - Revista do Correio 08/05/2011 17:06

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Eugênio Gurgel
None (foto: Eugênio Gurgel)

“Minhas mãos suavam; as pernas tremiam. A única coisa que eu queria era sair de dentro daquele carro. E o mais rápido possível”. A frase da farmacêutica Adriana Carvalho Valadares, 38 anos, resume bem uma doença dos dias de hoje: a fobia de direção. O mal é muito mais comum do que se imagina. Principalmente nas grandes cidades, com o trânsito cada vez mais caótico e desumano. Não é nada fácil sair de casa e enfrentar ônibus lotado, sabendo que seu carro vai ficar na garagem.

Se a atitude agrada ecologistas e urbanistas, a situação muitas vezes esconde o pavor que certas pessoas têm de apenas encostar as mãos no volante. E mais: como se não bastasse, geralmente familiares e amigos pegam no pé da pessoa com piadas desagradáveis ou frases preconceituosas. “O pessoal de casa ficava me cobrando uma atitude”, revela Adriana, que resolveu procurar ajuda de uma escola especializada em tratar do assunto em Belo Horizonte.
 

Rosilene Freitas sempre gostou de dirigir, mas não se sentia segura até começar a tratar do problema:
“O medo de errar era sempre maior”

 



A doença não é fácil de ser identificada e o problema costuma ser deixado de lado pela pessoa, envergonhada de sua situação. Por isso mesmo, a maioria do público que busca ajuda de psicólogos ou outros especialistas ainda é o feminino. O velho preconceito de que direção não é coisa para mulher faz com que sejam raros os homens que assumam que sentem também insegurança ao volante. “O homem não tem coragem de reconhecer que tem medo de dirigir”, afirma Rafael Pessoa Lima, psicólogo de escola especializada em treinar motoristas, que chegou a Belo Horizonte no fim do ano passado.  
A secretária Rosilene Freitas Soares, 30 anos, também resolveu tomar uma atitude. Apesar de gostar de dirigir, não se sentia segura à direção, pois o medo de errar era maior: “Ao volante do carro eu podia matar ou morrer”, diz. A frase pode até soar dramática, mas representa o sentimento de várias pessoas que vivem o drama, como ela. João Carlos de Carvalho trabalha como gestor de aulas práticas e é um dos profissionais que acompanham os alunos nas ruas da capital. “O tempo de aula varia, pois cada um tem a sua necessidade”, explica. O profissional lembra que existem casos de motoristas que não conseguem nem fazer a primeira aula de avaliação, tamanho o nervosismo. Segundo ele, muitos alunos demonstram dificuldade em lidar com o controle da embreagem, principalmente em subidas.

Já para o psicólogo Rafael Pessoa Lima é praticamente impossível falar em um único motivo para todos os casos de fobia de direção. Ele, contudo, consegue enxergar um fator importante que predomina nas histórias: “As pessoas têm grande insegurança, de maneira geral”. Segundo o especialista, o grande problema está quando o condutor deixa a autoescola e tem que passar a dirigir sozinho. Com o instrutor ao lado, o aluno se sente seguro e as falhas podem ser corrigidas sem maiores consequências.

É normalmente nesse momento, ou depois de um trauma,  que surge a fobia. Rafael Lima lembra ainda que o medo ao volante pode também ser um reflexo de algum problema que o motorista esteja passando na vida pessoal. A solução para o medo estaria no próprio aluno. “Tem gente que vem procurando a fórmula mágica, mas ela não existe. Tudo depende muito da autoconfiança do aluno”, explica.
 

Medo de dirigir é coisa do passado para Joana D'arc da Silva: “Sempre quis levar minha filha à
escola e buscá-la nas festas. Hoje, faço isso e muito mais”

 



A supervisora comercial Joana D'arc da Silva, 50 anos, conseguiu se curar. Ela procurou ajuda numa clínica que há oito anos atende este tipo de público na capital. “Três meses depois de tirar minha carteira de habilitação eu já tinha comprado meu carro. Mas, na hora de dirigir, era um problema: sempre dava desculpas para não usá-lo”, confessa Joana. E isso já acontecia nas aulas de habilitação: “Tinha dias que eu chorava ao volante. E pedia pelo amor de Deus para o instrutor trocar de lugar comigo”, conta.

A supervisora lembra que dentro do carro era só pessimismo. Ela só pensava em acidentes e não relaxava. Passados quatro anos e livre do problema, Joana revela que dirige seu carro para cima e para baixo. O medo ficou para trás e nem o enxerga mais pelo retrovisor. “Sempre quis levar minha filha à escola e buscá-la nas festas, o que era impossível no passado. Hoje faço isso e muito mais”, comemora.

Elisângela Tobias Oliveira, psicóloga responsável da clínica Cecília Bellina, diz que um dos principais motivos da fobia está relacionado com a maneira como as autoescolas se relacionam com a questão: a maioria dos instrutores nem sabe que existe a doença e não leva o medo do aluno a sério. O psicólogo Rafael Pessoa concorda com Elisângela e afirma que o trabalho psicológico não existe nas autoescolas. “Se existisse um trabalho prévio, o aluno sairia de lá um vencedor”.

Você tem fobia de direção quando...

– Já teve alguma experiência de acidente de trânsito que o deixou impressionado?

– Sente medo quando no seu percurso habitual há uma alteração ou desvio (por exemplo, quando nas estradas há desvios para eventuais consertos)?

– Desconfia da sua habilidade para solução de problemas quando esta envolve confronto com outras pessoas?

– Tem a sensação de estar numa armadilha ou preso quando se encontra em lugares fechados?

– Acha que o carro domina a situação como se fosse sair sem controle, causando danos dos quais você seria responsável?

– Ao visualizar-se em uma situação de trânsito dirigindo seu carro, você sente algum desconforto como: taquicardia, transpiração excessiva, tontura, dor de estômago, pensamento confuso e tremores?

– Estar exposto à observação ou crítica dos outros é uma situação que o incomoda?

– Omitiria perante os outros que, apesar de habilitado, é incapaz de dirigir?

– Acredita que o medo de dirigir está relacionado à incapacidade de aprender?

– Evita o trânsito sentindo-se como intruso neste espaço comum?

Fonte: www.vencendomedodedirigir.com.br
 

ONDE PROCURAR AJUDA

– Clínica Cecília Bellina
Av. Brasil, 290, conjunto 8, Santa Efigênia
(31) 3241-4234

– Dirigindo Bem
Av. Nossa Senhora do Carmo,1.650, loja 26, Sion
(31) 3286-5011

Av. Presidente Carlos Luz, 160, Caiçara
(31) 2514-6524
 



 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

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