Brinquedinho caro

por Daniela Costa 08/05/2011 17:16

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Eugênio Gurgel, Geraldo Goulart e Cláudio Cunha
None (foto: Eugênio Gurgel, Geraldo Goulart e Cláudio Cunha)

Pequenos no tamanho, mas grandes no preço. Os carros compactos estão invadindo o mercado brasileiro. Com design moderno e a proposta de serem mais leves, sem deixar de ter os mesmos itens de série dos modelos convencionais da categoria premium, esses pequenos notáveis agregam luxo e sofisticação. E agradam aos consumidores que estão ascendendo socialmente e apostam em modelos arrojados.

Tanto conforto e luxo, porém, custa caro. Em geral, o preço destes minicarros varia de R$ 50 a 100 mil. Quem compra este tipo de carro busca luxo e praticidade. E está disposto a pagar por isso”, diz José Rezende Mahar, jornalista especializado em veículos.

Um dos precursores da categoria, o Mini Cooper, surgiu na Inglaterra em 1959. Com pouco mais de 3 metros de comprimento, 1,40 de largura e 1,35 de altura, o veículo foi criado como opção de carro econômico. Mas acabou agradando os famosos: os Beatles e até a rainha Elizabeth II se tornariam fãs do pequeno veículo.
 

 

Cássio Lima pagou R$ 78 mil pelo Smart Fortwo:
“Apostei em ter tecnologia em um espaço compacto”

 
Henrique Queiroga, designer de moda, optou pelo
Picanto e aprovou: “Foi o mais completo que encontrei”

 



Na época em que foi criado, o Mini Cooper possuía quatro cilindros, tração dianteira, 34 cavalos e fazia ousados 20 km/l. Décadas depois, o carrinho foi todo repaginado pela alemã BMW. E caiu no gosto dos mais exigentes consumidores do mundo inteiro.

No Brasil, o charmoso carrinho chegaria em 2009. Com o preço de R$ 95 mil, a meta inicial era vender 600 carros por ano. “A demanda pelo Mini é cada vez maior, apesar de não ser um carro com preço popular”, diz Andréia Magalhães Pinto Brasil, gerente comercial da concessionária Mini Euroville.

Hoje o carro custa um pouco mais barato e já pode ser achado a partir de R$ 81 mil. Em sua versão moderna, possui 3,73 metros de comprimento, 1,91 de largura e 1,40 de altura. “Nosso principal consumidor são pessoas descoladas. E que são ligadas à arte e cultura. Por ser um carro design e com perfil esportivo, também é muito procurado pelo público masculino”, revela Andréia.

O valor elevado se justifica pelos itens de série como seis airbags, controle de tração e rodas de liga leve. “O carro é completo”, assegura Andréia. Ainda segundo a gerente, apesar do tamanho, o Mini Cooper é seguro, já que possui controle de estabilidade e entre-eixo largo, o que o mantém firme ao chão.

Mas ele é beberrão. E a economia não é o seu forte. Por ter motor 1.6 turbo, e ter versões com 120, 184 e 211 cavalos, faz cerca de 9 km/l na cidade.

O consumo alto, no entanto, parece não assustar os fãs do carro. Este é o caso, por exemplo, do empresário Ricardo Guimarães, 37 anos, que diz não se importar de pagar mais caro para poder ter o veículo. Amante convicto do modelo, ele possui dois Mini Cooper em sua garagem.

“Sempre gostei deste carro. E até comprei o modelo mais antigo, aquele que era usado pelo Mr. Been e que é ainda menor que o atual”. Ricardo, no entanto, não ficaria satisfeito. E em setembro do ano passado acabaria comprando o Mini na versão John Cooper. O preço que pagaria pelo brinquedinho?  R$ 140 mil. “Apesar de não ser um carro barato, acho que valeu a pena. Ele me atende em todas as ocasiões. E, mesmo sendo pequeno, é muito estável”, diz Ricardo.

Preço também não foi problema para o empresário Cássio Leite, 38 anos. Há um ano e meio, ele pagou R$ 75 mil pelo modelo mais compacto do mercado, o Smart Fortwo da Mercedes-Benz. Com apenas dois lugares, desde 1998 o carro é comercializado na Europa onde totaliza mais de um milhão de unidades vendidas. “Comprei o carro por causa de sua sofisticada tecnologia e do seu espaço supercompacto. Para mim ele é ideal, pois não tenho problemas para estacionar”, diz Cássio. “Apesar de ele trepidar um pouco devido ao curto curso dos amortecedores, e do porta-malas ser pequeno, acredito que se todos tivessem um carro desse tamanho o trânsito não seria tão caótico”, analisa.

Com apenas 2,7 m de comprimento, 1,56 m de largura e 1,54 m de altura, o carro é um metro menor que alguns carros populares como o Fiat Mille e o Ford Ka. O motor 1.0 é de três cilindros, turbo, e possui 84 cavalos que suportam bem seus 750 quilos. Acabamentos como volante revestido em couro, teto de vidro e itens de série como câmbio automatizado atraem os consumidores. “Para mim, os acessórios fazem toda a diferença”, destaca Cássio.

Especialistas do setor automotivo explicam que as principais características dos compactos Premium são a exclusividade, a pouca ocupação do espaço urbano e o baixo consumo de combustível desses veículos.

“Todos esses itens oferecem um bom valor agregado. Além disso, o mercado de automóveis de luxo se comporta de maneira diferente do tradicional. Nem sempre estes carros estão relacionados ao uso diário e a preocupação com o valor de revenda é bem menor”, diz Ronaldo Rondinelli, superintendente executivo do WebMotors, site especializado em veículos. O especialista explica que, do ponto de vista financeiro, este tipo de veículo não é mesmo tão atrativo. “A curva de desvalorização destes carros é sempre mais violenta do que a de um carro popular. A revenda é muito mais complicada, já que você é que escolheu pagar tão caro por um carro tão específico”, explica o jornalista José Rezende Mahar.

Outro concorrente no mercado de compactos é o premiado Fiat 500 e que chegou ao Brasil em 2009 custando R$ 62 mil. Apesar do modelo mais recente ressurgir com design moderno, sem ter perdido o ar retrô, o Cinquecento começou a ser produzido em 1957 na Itália. Equipado com motor 1.4 de 16 válvulas e 100 cavalos, o carro superou as vendas previstas pela montadora de 80 mil unidades para 400 mil em apenas dois anos. E chama a atenção com seu design que traz linhas modernas e tecnologia avançada.

No carro, o consumidor encontra teto solar, direção elétrica dual drive e sete airbags, além de dispositivos que ajudam a controlar a direção. Possui 3.55 metros de comprimento, 1,63 de largura e 1,49 metros de altura.

“O Fiat 500 possui alto índice de segurança e baixa emissão de poluentes. É totalmente completo e oferece um ótimo custo benefício” diz Daniel Márcio Vieira, consultor premium da concessionária Strada Veículos. Quando foi presenteada pelo marido com um Cinquecento, a empresária Cristiane Reis Viana Coelho, 42 anos, adorou. “Gosto dele porque é pequeno, charmoso, confortável e muito fácil de dirigir. O porta-malas é menor, mas como o utilizo somente na cidade, para mim é ideal”.



Cristiane Coelho, empresária, e seu Cinquecento: "Porta-malas é pequeno, mas serve para quem dirige só na cidade"


O diretor de vendas da Jato do Brasil, consultoria especializada em veículos, diz que o perfil dos consumidores que compram os  carros premium é de pessoas de classe A, com idade entre 35 e 60 anos. “Podemos considerar que os modelos citados estão entre o quarto ou quinto veículo de garagem. Ou seja, a preocupação deste consumidor não está relacionada ao fator preço, e sim à exclusividade que o produto oferece”. Para ele, a demanda pelos compactos luxuosos está longe de alcançar a dos modelos populares. Mas garante que é um mercado cada vez mais crescente.

De olho no mercado brasileiro, a Kia trouxe para o Brasil, em 2006, uma proposta inovadora com o Picanto. O carro, que possui 3,53 m de comprimento, 1,59 de largura e 1,48 de altura, é considerado como o carro popular mais completo e que possui o melhor custo benefício. Popular no preço, já que é vendido a R$ 35 mil. Mas completo quando o assunto são itens de série.  Outra vantagem, é o motor 1.0, que possui 12 válvulas, 64 cavalos, com 9,9 Kgfm de torque, um dos mais econômicos do mercado.

“A procura pelo modelo tem sido tão grande que não temos mais carros para pronta entrega, só por encomenda”, diz Iran Célio Pinheiro, consultor de vendas da concessionária Kia Brisa. Além disso, possui  todos os acessórios de um compacto premium, como airbag duplo, direção elétrica, sistema remoto de abertura de portas e painel completo. “A demanda maior é do público feminino e universitários. É muito utilizado também como opção de presente pelos pais”. O designer de moda Henrique Queiroga Castro, 29 anos, aprovou a proposta da Kia. “Apesar do motor não ser tão potente, dentro do que eu estava disposto a investir foi o carro mais completo que encontrei”, afirma.


 

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