Pequenos notáveis seduzem executivos

por João Paulo Martins 07/06/2011 14:22

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Cláudio Cunha, Geraldo Goulart e Eugênio Gurgel
None (foto: Cláudio Cunha, Geraldo Goulart e Eugênio Gurgel)

Numa quinta-feira, na cidade histórica de Cuzco, no Peru, Carlos Cipriano, diretor regional da Vivo em Minas Gerais, atende ligação da Encontro. Ele usava o Galaxy Tab, nome do tablet da Samsung, do qual se considera um fã. Questionado sobre a principal qualidade do aparelho, Cipriano responde sem pestanejar: “A primeira vantagem que a pessoa percebe é o uso fora de sua área de trabalho”. A praticidade dos tablets é seu ponto forte, tanto pelo acesso à internet 3G em qualquer lugar do mundo quanto por aplicativos que facilitam o trabalho. No caso do diretor da Vivo, até o GPS ajudou. Graças ao Galaxy Tab, ele encontrou o museu Qorikancha na cidade peruana. “O tablet integra todas as funcionalidades de um escritório em um aparelho móvel”, completa.

 

Mas não só o dispositivo da Samsung está fazendo sucesso. Na verdade, ele está tentando conquistar o terreno que vem sendo dominado pelo iPad, da Apple, que no ano passado respondeu por 83% das vendas de tablets no mundo, segundo dados da empresa de pesquisa de mercado Internet Data Corporation (IDC). A principal concorrente da empresa foi justamente a Samsung, com 17% das vendas. Mesmo sem a funcionalidade de um celular, o tablet de Steve Jobs (fundador da Apple) está nas mãos de empresários e executivos, que, cada vez mais, deixam de lado seus notebooks. Um bom exemplo é Dimitry Boczar, diretor da Digicomp. Apesar de ainda não largar totalmente o computador, ele diz que carrega sempre o iPad por sua rapidez no acesso aos aplicativos.

 

Carlos Cipriano, diretor regional da Vivo em Minas: “Tenho praticamente um escritório no meu tablet”

 

“Baixei programas que possibilitam o acesso à rede de minha empresa. Uso a conexão 3G para isso”, diz o empresário. Dimitry está tão ligado ao tablet que a central de PABX da empresa está preparada para direcionar as ligações para seu aparelho. “Se eu ficar sem celular não sofrerei tanto quanto se ficar sem meu iPad.”

 

Apesar de não ter grande capacidade de processamento, o iPad dispõe de aplicativos que o deixam apto a facilitar o trabalho. Com investimento de R$ 2,5 milhões na compra de 1,5 mil iPads, o grupo farmacêutico EMS pretende economizar R$ 4,2 milhões por ano apenas com a diminuição da impressão de material de divulgação, catálogos e textos científicos. Agora, seus representantes apresentam aos clientes o material de forma digital. “A demanda atual é forte, principalmente no segmento corporativo, com destaque para saúde e serviços”, diz Fernando Belfort, analista sênior de mercado da Frost & Sullivan.

 

 

Em 2010, foram vendidos 18,3 milhões de tablets no mundo, e esse número deve chegar a 46,8 milhões em 2011. As empresas devem responder por 25% das vendas. No ano passado, de acordo com a Frost & Sullivan, o país contava com aproximadamente 90 mil tablets. “Empresas pioneiras que contam com orçamentos relevantes não hesitaram em apostar nos benefícios e aplicações desses aparelhos”, diz Fernando Belfort.

 

O fascínio por esse dispositivo surge também de forma inesperada. O advogado Marcello Candiotto e seu sócio, Marcelo Fonseca, da Candiotto & Fonseca Advogados, receberam de presente um Galaxy Tab. Candiotto deixou o aparelho com o sócio, que o usa até hoje. Só que, devido à praticidade, o advogado acabou cedendo à novidade tecnológica e comprou um iPad. “Como cuidamos da imagem de empresas em redes sociais, recebemos demandas urgentes desses clientes e precisamos dar respostas o mais rápido possível. Com o tablet ficou mais fácil agilizar esse processo”, diz Marcello Candiotto. Os sócios pretendem comprar mais aparelhos para outros funcionários do escritório.

 

Dimitry Boczar, diretor da Digicomp: “Fiz o máximo que pude para eliminar o computador e substituir pelo Ipad”

 

A adoção do tablet como uma cultura da empresa é vista na Rede Record Minas. O setor comercial adotou o iPad como forma mais prática de relacionamento com os parceiros e para venda de anúncios. “Papel é coisa do passado”, decreta Wagner Espanha, diretor comercial da emissora. O departamento de TI da empresa lançou um aplicativo especialmente para eles. Só que a praticidade vai além. Como a emissora deve estar sempre atenta aos números da audiência do Ibope, o iPad foi uma mão na roda. “A gente usa o Real Time, que fornece a audiência em tempo real”, explica Espanha.

 

Os advogados Marcello Candiotto e Marcelo Fonseca receberam de presente um Galaxy Tab. Gostaram da portabilidade e decidiram conhecer também ozz iPad

 

Sair com o tablet trabalhando pela rua não é novidade. De acordo com pesquisa da iPass Enterprise Mobility Service, empresa americana de soluções em mobilidade, num universo de 3,5 mil empregados que realizam trabalho de campo para 1,1 mil empresas de todo o mundo, 20% utilizam a maquininha como dispositivo preferencial. Os smartphones ficaram em primeiro lugar, com 49% da preferência. Como a própria iPass diz, o tablet vai se tornar o notebook e este substituirá os computadores de mesa. Andréa Guerra, gerente de marketing e comunicação corporativa da Orguel, concorda. Ela conheceu o iPad há cinco meses e se diz encantada. “Eu já era uma pessoa 24 horas conectada na internet. Em casa sempre estive com o notebook por perto. O tablet me deu muita mobilidade.”

 

 

 

 

Andréa elogia também a qualidade da tela do iPad, que não cansa os olhos e é boa para digitação rápida. Como a Orguel usa o conceito de computação nas nuvens (os arquivos usados na empresa ficam em rede, acessíveis em qualquer lugar do mundo), o dispositivo da Apple acaba sendo fundamental para ganhar produtividade. Por exemplo, o QuickOffice, que permite visualização, edição e impressão de documentos de Word, Excel e Powerpoint. Nos momentos de folga, ela não abre mão da leitura de revistas e jornais, como o The New York Times, a Vogue, a The Economist, e passou também a acompanhar o jornal Estado de Minas – na sua opinião, o periódico mineiro ficou mais atraente na versão iPad.

 

Bernardo Gomide, gerente da Localiza Seminovos: ele não conseguiu esperar e comprou o tablet logo depois de lançado, nos EUA

 

Os executivos que estão sempre ligados às novas tecnologias são justamente os primeiros a trocarem os notebooks pelos tablets. Um exemplo é Bernardo Gomide, gerente de operações da Localiza Seminovos, que ficou de olho no site da loja Apple nos Estados Unidos para acompanhar os estoques de iPad na época do lançamento, em 2010. Não deu outra: Bernardo comprou seu tablet diretamente de uma loja americana. Em um primeiro momento, ele não conhecia as funcionalidades do aparelho, já que sua aquisição foi guiada pela inovação que esse item apresentava. “Os produtos da Apple estão acima dos concorrentes em termos de mobilidade, praticidade e usabilidade”, defende. Seu notebook já está aposentado: “É um caminho natural no mundo da tecnologia”. O iPad se integrou totalmente em seu trabalho na Localiza Seminovos, já que utiliza a internet como base.

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