Paixão em duas rodas

por Daniela Costa 09/06/2011 12:22

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Geraldo Goulart e Maíra Vieira
None (foto: Geraldo Goulart e Maíra Vieira)

Ouvir o ronco do motor e encarar uma longa estrada é o sonho compartilhado por vários casais motociclistas. Para eles, a viagem só tem graça se for a bordo de motos possantes. E mais: eles garantem que as horas na moto ajudam a turbinar a relação.

 

Pai de seis filhos – dois de seu primeiro casamento e quatro do relacionamento anterior da esposa, a dentista Vanessa Maria Costa Fiúza Lage –, o professor universitário Sérgio Márcio Abou-Id diz que desde os 17 anos é vidrado em motos. “Tudo que eu queria era encontrar uma mulher que tivesse a mesma paixão”, afirma. Desejo atendido. Com 20 anos de casado com Vanessa, Sérgio já perdeu as contas das viagens que os dois já fizeram.

 

Para o empresário Hermano Carvalho, viajar com a mulher Érica Vilaça é especial: “A moto é a integração perfeita entre homem, mulher e máquina”

 

Em sua menina dos olhos, a Suzuki Marauder de 800 cilindradas, ano 2005, o casal chegou a rodar 800 quilômetros até Alcobaça, no sul da Bahia. “Não tem cansaço que me segure”, orgulha-se Sérgio. O professor não é apegado a carros, mas sua possante tem que estar sempre impecável, brilhando. “Não faço questão de carro zero, mas nunca tive moto usada”. A esposa apoia o hobby. “Viajar de moto é uma atividade muito saudável e a estrada fica ainda mais bonita”, explica Vanessa. O casal garante que as viagens são oportunidades únicas para renovar o relacionamento. “O bom nessas viagens é que se ela estiver com raiva de mim não tem como ficar longe”, brinca o professor.

 

Segundo a Abraciclo, que representa os fabricantes de motocicletas, somente em abril foram vendidas 173.735 motos no país, aumento de 0,2% em relação a 2010. No varejo, foram emplacadas 146.124 motocicletas, 2,1% a mais.

 

O professor Sérgio Abou-Id procurou, durante anos, uma mulher com a mesma paixão pelas motos. Encontrou a dentista Vanessa Lage

 

De acordo com o Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG), na capital mineira elas representam 13% da frota total de veículos, com 170 mil unidades nas ruas. Nos últimos cinco anos, tiveram expansão de 76,5%, bem mais que os 41% dos carros de passeio.

 

É fácil explicar o crescimento, uma vez que as motos atendem a todos os estilos e bolsos. As mais comuns são as chamadas street, próprias para uso no trânsito urbano por serem pequenas, fáceis de manobrar, de custo baixo e principalmente econômicas. Já as custom são motos baixas, largas, pesadas, de cilindrada variada e guidão alto, seguindo o estilo da americana Harley Davidson. São indicadas para estrada de asfalto.

 

Adinei e Ivana Freitas afirmam que viajar na DL 1000 V-Stron é motivo para muita descontração. “Ganhei até um pica-pau no lugar de um urso de pelúcia”, brinca Ivana

 

A custom Boulevard 800 é vendida na autorizada Suzuki Super Bikes por R$ 33 mil, em média. É responsável por 30% das vendas da concessionária. “A maioria das vendas da Boulevard 800 é feita para casais”, diz Paulo César de Jesus, gerente da concessionária.

 

Influenciado pela família e por um presente de um ex-patrão aos 17 anos – uma moto de 125 cilindradas –, o analista de compras Adinei Silva Freitas realizou seu sonho de consumo e comprou uma DL 1000 V-Strom em 2009. A DL 1000 é uma moto big trail, própria para rodar tanto no asfalto como em estradas de terra. São máquinas pesadas, mas muito confortáveis e com pneus próprios para todos os tipos de terreno. Têm também tanques de combustível capazes de armazenar grande volume – característica essencial em um veículo para viagens longas.
Adinei e sua esposa, a técnica contábil Ivana Aparecida Martino Freitas, já percorreram vários estados brasileiros. A primeira viagem foi a Londrina (PR), mas já estiveram em Goiânia, Curitiba e Paulínia, no interior paulista. As viagens mais recentes foram ao Pantanal, Brasília e Florianópolis. O analista aproveita e revela um segredinho da esposa: “Como companheira de viagem ela é a maior dorminhoca. Tenho até que diminuir a velocidade”. Ivana, sua esposa, não se aborrece e dá o troco. “Uma vez pedi de presente ao meu marido um ursinho de pelúcia e ele me apareceu com um pica-pau.” Hoje, o pica-pau é companhia frequente do casal em suas viagens.

 

O time feminino faz diferença no universo do motociclismo. O empresário Paulo Roberto de Oliveira Bernardes, casado há 26 anos com Vânia Idalice Silva Bernardes, explica por quê: “Minha esposa sempre foi parceira em meus passeios de moto. Ela não me deixa correr muito: fica no banco de trás, sempre de olho no velocímetro, passa informações e me cutuca quando vê um quebra-molas”. A moto de Paulo Bernardes, uma Honda Varadero 1000, possui até computador de bordo. Mesmo sendo uma moto grande, é usada no trânsito urbano: “Deixo o carro na garagem e trabalho todos os dias com ela”.

 

O casal Paulo e Vânia Bernardes enfrenta a estrada na Honda Varadero: “A Vânia não me deixa correr, está sempre de olho no velocímetro”, diz o empresário

 

O gerente comercial da autorizada da Honda By Moto, Caio Ribeiro, explica que a Varadero 1000 é uma big trail do segmento luxo, procurada por um público muito específico, disposto a pagar caro pelo modelo. “A última importação que tivemos foi em 2009 e o modelo custava R$ 48 mil”. Uma opção para quem curte o estilo Varadero, já que ela não é mais fabricada, é a da Transalp-xl 700 v, de uso misto, indicada para todo tipo de terreno. “Podemos dizer que é uma Varadero reduzida, muito mais acessível, já que o seu preço médio é de R$ 32,9 mil. Nesse caso, o público consumidor é variado, 50% de solteiros e 50% de casados”, diz Caio.

 

Outro modelo muito procurado da Honda é a Shadow 750, uma custom que prioriza o conforto do piloto e é bastante usada por quem gosta de viajar sozinho. Seu preço médio é de R$ 29,9 mil. “Digo que 90% das compras desse modelo são feitas por pessoas casadas, mas 65% delas viaja sem garupeiro”, afirma Caio.

 

Mas a Shadow também agrada aos casais. O servidor público estadual Guilherme Elias de Oliveira e Silva e sua esposa, a também servidora pública Kelly de Fátima Fonseca e Silva, aprovaram o modelo. “Quando comprei minha VT 750 Shadow foi por oportunidade, nem pensava em ter uma. Mas agora não a vendo de jeito nenhum. Uso tanto para trabalhar quanto para passear”, diz Guilherme.

 

A moto, ano 2007, virou pretexto para Guilherme e Kelly viajarem a regiões vizinhas a BH. Tornou-se tão querida pelo casal que virou símbolo da união. “Não teve como ela não estar presente no dia do nosso casamento”, diz Kelly. “Como o noivo não podia chegar de cavalo branco, foi me buscar na igreja em um cavalo mais moderno, de aço.”

 

Mas talvez a moto mais famosa de todas seja a tradicional Harley-Davidson (HD). A marca se tornou ícone no segmento custom, ideal para quem curte cair na estrada. De suas singelas 25 cilindradas iniciais, chegou a inéditas 1600. “A HD possui uma ergonomia própria ,que proporciona conforto tanto para quem pilota quanto para quem vai à garupa. Seus motores de alta cilindrada, alto torque e suspensão acertada proporcionam um passeio seguro”, diz Marcelo Rohlfs, diretor-geral da concessionária BH Harley-Davidson, do grupo Catalão. Com um custo inicial de R$ 25,9 mil (moto de entrada 883 R), a marca atrai público com faixa etária a partir de 35 anos e de variado perfil socioeconômico. “Hoje, nossos modelos são acessíveis a todos.”

 

O empresário Hermano Carvalho não resistiu ao charme da Harley-Davidson e, há dois anos, comprou uma Dyna Super Glide, pagando na época R$ 40 mil. “É um investimento que vale a pena. Quando você está em cima dela, se esquece de tudo”, diz. Para ele, não há nada melhor do que sentir o vento no rosto e observar a paisagem nas estradas, principalmente se estiver bem acompanhado. “A integração entre o homem, a mulher e a motocicleta é fantástica.” Sua esposa, a empresária Érica Vilaça, afirma que não há nada melhor do que um passeio de moto a dois para acabar com o estresse do dia a dia.

 

 

Dicas de segurança

 

– Antes de viajar verifique a lubrificação da corrente de transmissão

 

– Verifique o estado de conservação dos pneus e rodas

 

– O sistema de freios, acelerador e cabo de embreagem devem estar devidamente regulados e lubrificados

 

– Veja o nível do óleo do motor

 

– Verifique o sistema elétrico (luzes de freio, piscas, lanterna, farol, painel, e também baterias)

 

– Verifique o prazo de validade do capacete

 

– Leve sempre consigo um kit extra contendo ferramentas, câmara de ar, lâmpada de farol e da lanterna traseira

 

– Roupas de cor clara facilitam a visão de outros motociclistas na estrada, sendo indicadas as apropriadas como calças e jaquetas em tecido grosso, e também botas, luvas e capas de chuva

 

– A cada 90 minutos de viagem faça uma parada para descanso e alongamento

 

– Programe o roteiro com antecedência

 

 

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