Vale a pena ter um carro chinês?

por Fábio Doyle 09/06/2011 12:02

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Maíra Vieira e Geraldo Goulart
None (foto: Maíra Vieira e Geraldo Goulart)

Os carros chineses mal chegaram ao Brasil e já estão provocando uma revolução no mercado. A qualidade dos 19 modelos em oferta deixa a desejar, mas não está tão distante do nível ainda sofrível que, com algumas exceções, a indústria automobilística brasileira oferece nos segmentos de entrada, os de menor preço.

 

O acabamento e a dirigibilidade dos automóveis chineses assustam. Mas, em compensação, oferecem uma série de itens de segurança, conforto e prazos de garantia que fazem brilhar os olhos dos consumidores brasileiros. Quem compra um automóvel nessa faixa de mercado tem no preço e custo de manutenção os principais parâmetros de decisão na hora de fechar o negócio.

 

A pressão dos chineses já pode ser sentida na reação dos concorrentes nacionais. Eles já põem em prática ações para enfrentar os novos rivais. Estão todos trabalhando na adaptação dos seus carros compactos para que se aproximem dos moldes chineses e possam ser vendidos a preços mais competitivos.

 

Preço, garantia e itens de segurança são os principais atrativos dos carros chineses. Mas atenção: é preciso considerar outros aspectos na decisão da compra. Como recém-chegados no mercado, o consumidor deve ter em mente a ainda frágil rede de concessionários e assistência técnica das marcas chinesas no Brasil. Enquanto o proprietário de um Volkswagen, por exemplo, pode recorrer a 615 pontos de assistência no país, a Chery tem 73; a JAC, 50; a Chana, 41; e a Lifan, 19.

 

Em Minas, o número de revendas chinesas gira em torno de duas por marca, e elas se concentram apenas na região da Grande BH. A Chery tem duas, a Lifan/Effa tem uma em Contagem e outra em Juiz de Fora, a Chana tem duas em BH e a JAC uma na capital.
Os chineses, no entanto, são rápidos no gatilho. Todas as fábricas prometem aumentar rapidamente sua rede de concessionários.

 

A JAC promete, ainda para este ano, pelo menos mais duas revendas em Minas. “Será uma em Juiz de Fora e outra em Uberlândia”, afirma Sérgio Habib, que comanda as operações da JAC no Brasil.

 

As promessas de lançamentos são de carros de manutenção barata e planos de garantia amplos. A JAC, por exemplo, oferece garantia de seis anos para seus carros vendidos no Brasil. É a maior que existe no país. Na China, os carros da JAC têm garantia de “apenas” três anos...

 

Para testar a qualidade da assistência oferecida pela JAC em BH, fizemos um teste: ligamos três vezes, no papel de consumidor, em busca de assistência técnica. Resultado: não conseguimos falar com o setor responsável. O recepcionista que atendeu as ligações pedia sempre que ligássemos mais tarde porque o “atendente não está em sua mesa”.

 

Bruno Arruda e Ricardo Costin, que comandam a concessionária Chery Beijing: “Futuro dos carros populares é chinês”

 

O consumidor brasileiro ainda olha com desconfiança para os carros chineses. Mas a chegada em massa de novas marcas e a nova empreitada do empresário Sérgio Habib com a JAC, acompanhadas pela agressiva campanha de marketing, resultaram em maior credibilidade. É o sinal verde para que as vendas sigam crescendo.

 

É esse o caso do gerente de telecomunicações Junio Cesar. Dono de um Fiat Palio, Junio estava em busca de um modelo que lhe desse mais conforto, mas nem por isso fosse muito mais caro. A solução escolhida foi o chinês Chery Cielo Hatch.

 

“Eu procurava um carro zero e percebi, com o tempo, que os modelos nacionais completos contam apenas com vidros e travas elétricas. Já os chineses eram de fato completos em itens de conforto e segurança”, conta Junio, que se diz muito satisfeito com a compra. “Já fiz a primeira revisão e tive uma boa surpresa. O preço do filtro de óleo é quase a metade do meu outro carro. Estou tão feliz que fundei o Clube do Chery Cielo na internet para organizar encontros e trocar experiências”.

 

Ricardo Costin e Bruno Arruda, que comandam a concessionária Chery Beijing de Belo Horizonte, não têm dúvida de que o futuro do mercado automobilístico é dos chineses. E esse futuro está muito próximo, ressalta Costin. Eles reconhecem os problemas estruturais para grupos estrangeiros que investem no Brasil, mas confiam que o modo rápido, objetivo e profissional, característico dos chineses, fará com que a adaptação à complexidade logística e às dimensões continentais do mercado brasileiro seja rápida e eficaz. Costin, que foi o primeiro a acreditar no carro chinês em Minas, diz que os carros da Chery melhoram a olhos vistos. Ele nota melhorias técnicas e de acabamento a cada novo lote de veículos que chega à concessionária, “o que comprova a capacidade de rápida evolução na tropicalização dos carros”.

 

Já Arruda, responsável pelo departamento comercial do grupo, informa que vende todos os carros que recebe. E que, hoje, o prazo de entrega em sua revenda é cerca de 30 dias. Com a chegada do QQ, o carro mais barato do Brasil, a expectativa da Beijing é de fechar o mês de maio com 80 unidades vendidas.

 

 

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