Mudou, mas nem tanto

por Rafael Campos - Revista do Correio 05/07/2011 10:13

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Cláudio Cunha, Maíra Vieira e Divulgação
None (foto: Cláudio Cunha, Maíra Vieira e Divulgação)

Substituição nas ruas da capital: sai o outdoor de papel e entra o painel digital. Nos próximos meses, modernos equipamentos de publicidade de LED e de alta resolução serão instalados nas principais avenidas da capital. Além de propagandas, serão veiculadas campanhas sociais, previsão do tempo, hora e cotação do dólar. Empresas do setor de mídia exterior da capital anunciaram altos investimentos. Apenas na avenida Nossa Senhora do Carmo, principal corredor viário da região sul, dois equipamentos já foram instalados. Outro foi colocado a caminho do aeroporto de Confins, na rodovia MG-10.

 

Em Tóquio, os painéis eletrônicos ajudaram a formar a identidade do centro urbano: caso planejado

 

Especialistas de trânsito veem com preocupação esta nova tendência, pois, instalados indevidamente, os painéis digitais podem desviar a atenção de pedestres e motoristas. A Secretaria de Serviços Urbanos da prefeitura de Belo Horizonte (PBH), responsável pelos licenciamentos dos mobiliários urbanos, reconhece que não há ainda uma legislação específica em relação aos painéis digitais no código de posturas do município, criado em 2003. “Cada caso está sendo analisado e, se for comprovado prejuízo à segurança no trânsito, ele pode ser retirado ou sequer ser licenciado”, explica Vicente Arthur, assessor da secretaria de serviços urbanos.

 

A chegada desses equipamentos veio a reboque do cerco imposto pela PBH aos outdoors de papel. A partir do novo código de posturas, sancionado no ano passado, foi decidida a retirada de 85% dos engenhos de publicidade na capital. Foi proibida a instalação de outdoors ou painéis na área interna da avenida do Contorno e em sete bairros que fazem parte da Área de Diretriz Especial (ADE). Conforme Arthur, até o fim deste ano a meta é que estejam regularizados apenas 450 engenhos de publicidade, bem diferente dos 3,5 mil do início de 2010.

 

Ary Júnior, da AJ Comunicação: “Ou as empresas de mídia exterior morreriam ou se adaptariam à nova realidade”

 

Com espaços restritos na cidade, a saída para o setor de mídia exterior foi importar os painéis digitais de alta tecnologia e que podem veicular mais de 10 anúncios por equipamento. A PAD Comunicação, por exemplo, investiu recentemente R$ 9 milhões para importar nada menos que 30 painéis digitais de LED, com tamanho de 9mx3m, todos da China.

 

“Os outdoors de papel já acabaram. Os painéis digitais irão substituí-los”, garante Alexandre Davis, diretor de negócios da PAD. No galpão da empresa, no Caiçara, os painéis estão prontos, a espera do fim do chamamento público da PBH que irá autorizar a instalação nas avenidas. Segundo Davis, 10 serão colocados em BH e o restante em outros municípios do estado.

 

Ary Júnior, diretor da AJ Comunicação, também passou a direcionar os rumos dos negócios para os painéis digitais. “Depois da nova lei, ou as empresas de mídia exterior morreriam ou se adaptariam à nova realidade”, diz. A empresa já conta com um painel digital de LED e alta definição na avenida Nossa Senhora do Carmo. Outros quatro – adquiridos no Japão – serão instalados até a Copa do Mundo. Cada um deles, segundo empresários do setor, custa cerca de R$ 350 mil. Os novos devem começar a ser instalados em agosto, mês previsto para o fim do processo de chamamento público da PBH.

 

Alexandre Davis, diretor negócios da PAD: “Os outdoors de papel já acabaram e serão substituídos pelos painéis digitais”

 

De acordo com Dimas Alberto Gazolla, professor do departamento de engenharia de transporte da escola de engenharia da UFMG, os produtores de peças publicitárias a serem veiculadas em painéis devem evitar imagens chamativas. “Figuras de mulheres com pouca roupa ou situações cômicas devem ser evitadas para não distrair a atenção de motoristas ou pedestres”. Além disso, o professor demonstra preocupação com as cores que devem ser usadas nas propagandas. É recomendável evitar em demasia o uso de tonalidades semelhantes às encontradas na sinalização do tráfego, como verde e vermelho. “Dependendo da posição do painel, ele pode servir como pano de fundo de um semáforo, ou de placas indicativas de trânsito, e confundir o motorista”, afirma Gazolla.

 

A nova tendência acompanha, com grande atraso, importantes capitais do mundo que conseguiram aliar muito bem painéis digitais com o cenário urbano. A ideia é defendida pelo professor Renato Cesar Ferreira, da escola de arquitetura da UFMG. Ele destaca a importância dos painéis digitais, mas como serviço de utilidade pública e de formação da identidade de determinado lugar. É o caso de cidades como Tóquio, Londres e Nova Iorque. “É preciso pensar a legislação de forma coletiva. Os painéis digitais têm um potencial bem maior do que está sendo exposto por aí”, afirma.

 

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