Focinho de porco não é tomada

por João Paulo Martins 18/08/2011 12:39

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Maíra Vieria, Cláudio Cunha e Eugênio Gurgel
None (foto: Maíra Vieria, Cláudio Cunha e Eugênio Gurgel)

Há um velho ditado que diz que "focinho de porco não é tomada". Trata-se de uma variação do "nem tudo que parece, é". Pois a adoção do novo modelo brasileiro para as tomadas aplica esse surrado bordão - aliás, ironicamente, a nova tomada e plugue, com três pinos e três buracos, lembra o desenho de um focinho de porco.... Parece moderno, até tem seu lado positivo, mas é outra oportunidade perdida pelo país.

 

Para o consumidor, a vantagem é que a nova tomada reduz as chances de choques elétricos ao se conectar um aparelho. Mas o novo desenho não acaba com o problema de existirem duas tensões residenciais em uso no Brasil (110 e 220 volts). Além disso, o padrão escolhido não é inteiramente compatível com as normas internacionais, que indicam a tomada com três pinos redondos (o novo modelo brasileiro) apenas para redes de 220 ou 230 volts. Para 110v, recomenda-se o uso de dois pinos chatos. Continua, assim, existindo o risco de alguém queimar um aparelho de 110v ao ligá-lo, acidentalmente, a uma tomada de 220v.

 

José Geraldo Lanna, professor de engenharia elétrica: é preciso levar em
conta o aparelho antes de comprar tomadas e adaptadores
 

 

A mudança também não foi divulgada de forma ampla e o consumidor acabou tendo problemas. “Cheguei a comprar o adaptador errado. Tenho um rádio portátil com o novo plugue, e não encaixou no adaptador que comprei. Não sabia que havia diferença no tamanho do pino”, diz o dentista Paulo Roberto de Carvalho Costa, que se mostra indignado com a falta de informação.

 

Paulo Roberto de Carvalho Costa, dentista: "Foi uma dor de cabeça ter de
achar o adaptador certo"
 

 

A portaria entrou em vigor em 2000, mas as mudanças foram feitas por etapas. Primeiro, foram proibidas a fabricação e comercialização de tomadas e adaptadores dos sistemas antigos – no país, chegavam a 12 tipos de plugues e oito de tomadas – e, em julho de 2011, a normatização passou para os equipamentos eletroeletrônicos, que devem ser fabricados já com o novo padrão brasileiro de plugue. “Acho que a indústria ainda não se adaptou direito à nova regra”, reclama Paulo Roberto Costa.

 

 

 

Sua insatisfação pode ser associada também à falta de informação da população, já que, apesar de se acharem apenas as novas tomadas e adaptadores nas lojas, o fato de existirem dois tipos de plugues não foi bem esclarecido. Nesse caso, de acordo com o engenheiro eletricista e presidente da Associação Brasileira de Engenharia de Sistemas Prediais-Minas Gerais (Abrasip-MG), Marcelo Dicker, as duas opções de plugues correspondem à necessidade de corrente elétrica de cada aparelho: “O comércio tem de informar ao consumidor sobre as diferenças de potência entre os dispositivos. E não é só isso, já que a instalação elétrica tem de estar de acordo com a amperagem necessária”. Ou seja, no novo modelo, o plugue pode ser de 10 ou 20 ampères. Este último é mais utilizado por equipamentos que exigem maior potência, como geladeiras. Mas o presidente da Abrasip-MG esclarece que o consumidor deve ter atenção ao tentar resolver problemas de compatibilidade entre equipamento e tomada, que nem sempre se resolvem com uma simples troca ou adaptador.

 

Para o engenheiro eletricista Marcelo Dicker, a mudança foi importante:
"Os consumidores têm que perceber que a mudança visou à segurança"
 

 

Mas a mudança para o novo padrão é justificada. Para o professor do curso de engenharia elétrica da PUC Minas, José Geraldo Lanna, o principal motivo do uso do novo plugue é a segurança. “O novo formato blinda o acesso aos pinos do plugue, o que dificulta os choques elétricos”. Além disso, ele explica que equipamentos com maior potência necessitam de aterramento, e o novo padrão vem para auxiliar. “Nas residências mais antigas não havia aterramento, e agora é o momento para a população se adaptar. Aparelhos como geladeira, computador e máquina de lavar precisam da conexão do fio terra”, completa o professor. Mas antes de sair trocando a fiação da casa, saiba que a portaria do Inmetro permite o uso do sistema neutro da rede elétrica para se realizar o aterramento. O fato de se aterrar um aparelho inibe problemas de sobrecargas, choques e incêndios.

 

“A pessoa deve fazer a compra de tomada e adaptador em função do equipamento que possui”, explica o professor José Geraldo Lanna. Portanto, ao se dirigir a uma loja, saiba o tamanho e modelo dos pinos de seu aparelho, para fazer a compra certa e também não ser enganado.

 

 

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