Aposta grega

por Iane Costa e Kátia Massimo 20/09/2011 06:55

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Eugênio Gurgel, Maíra Vieira
Sérgio Alvarenga comanda a Intralot no Brasil (foto: Eugênio Gurgel, Maíra Vieira)

Conhecido no bairro Serra pela cervejinha gelada que serve no Bar da Tia, o proprietário Márcio Antônio dos Santos agora ficou famoso por outro motivo. Virou o pé quente da região, depois que instalou no estabelecimento uma máquina do Keno Minas, jogo da Loteria Mineira que faz sorteios de cinco em cinco minutos e distribui prêmios de até R$ 2 mil.

 

Nos últimos três meses, os clientes do bar ganharam R$ 40 mil – um jogador sortudo acumulou sozinho R$ 15 mil. Feliz da vida, seu Márcio vê o faturamento engordar de duas formas: além de receber comissão de 9% em cada aposta, o bar está sempre cheio. “O cliente agora fica aqui por mais tempo”, diz. “Enquanto toma a sua cervejinha, ele se distrai fazendo os lances”. Entusiasmado, o comerciante já ensaia levar o jogo para outro estabelecimento, no bairro Guarani.

 

Márcio Antônio dos Santos, dono do Bar da Tia,

na Serra: “Além de ganhar 9% por


aposta, o bar agora está sempre cheio”

 

 

O sucesso das apostas no Bar da Tia acende o sinal verde na Loteria Mineira. Afinal, Belo Horizonte é a primeira capital do país a receber o Keno Minas, jogo online com premiação em tempo real, lançado no fim de 2010 por uma das maiores empresas do mundo no setor de lotéricas, a Intralot. A empresa foi a vencedora da concorrência pública aberta pela Loteria Mineira para explorar essa modalidade de jogos em Minas. E a multinacional grega está apostando na fama que o mineiro tem de gostar de fazer uma fezinha. Tanto que está com outro jogo em fase de testes, o Multiplix, e já anunciou o lançamento de um terceiro até o fim do mês.

 

Paulo Menicucci, diretor-geral da Loteria Mineira, que já recebeu R$ 13,5 milhões graças ao contrato com a Intralot: expectativa de triplicar o valor em um ano
 

 

A proposta da multinacional é ousada e pretende atingir boa parte dos 20 milhões de habitantes de Minas Gerais. Sérgio Alvarenga, CEO da Intralot Brasil, informa que foram investidos em Minas R$ 40 milhões em tecnologia, compra de equipamentos e marketing. Igualmente alta é a expectativa de retorno. O valor do contrato é de R$ 460,2 milhões, além do repasse de 30,1% do faturamento líquido dos jogos. Só nos nove meses de operações da concessionária, o valor relativo ao faturamento repassado à Loteria Mineira foi de R$ 13,5 milhões. A expectativa do diretor-geral da lotérica, Paulo Roberto Menicucci, é de que o montante seja três vezes maior no segundo ano de funcionamento.

 

A entrada da multinacional em Minas é bem vista por especialistas como a economista Ângela Lage, coordenadora do curso de Gestão Financeira da Faculdade Estácio de Belo Horizonte. “A Loteria Mineira está entrando na era da globalização”, diz. É algo novo por aqui, mas disseminado em grandes metrópoles do mundo. Só na ilha de Manhattan, em Nova Iorque, existem 40 mil pontos de vendas de bilhetes. Se por um lado o estado favorece a expansão desse tipo de negócio, exatamente pelo gosto dos habitantes pelos jogos de azar, por outro, o maior desafio é vencer o jeito desconfiado do mineiro, acostumado a fazer suas apostas na rede de lotéricas. “Minas é reconhecida por ser mercado-teste para novos produtos, tamanha é a resistência que temos pelo novo”, diz Ângela.

 

 

 

Por enquanto, as máquinas estão instaladas em 800 bares e poucos restaurantes espalhados pela Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em breve, estarão também em redes de supermercados, drogarias, livrarias e bancas de jornal, a fim de atingir público mais diversificado – só em setembro serão mais 700 pontos. Os planos da Intralot não se restringem à região metropolitana. A intenção é atingir todo o estado nos próximos seis anos, começando pelas regiões do Triângulo Mineiro, Zona da Mata, norte e sul de Minas, com início das operações a partir de setembro. “O interior apresenta potencial ainda maior, pela baixa oferta de entretenimento”, enfatiza Sérgio Alvarenga.

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