“O PSB não será bengala de ninguém”

por João Pombo Barile 20/09/2011 07:27

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Cláudio Cunha
None (foto: Cláudio Cunha)

Ele está de volta à política mineira. Depois de ter sido conduzido à presidência estadual do PSB no início deste ano, Walfrido dos Mares Guia se transformou no principal articulador da estratégia que pretende fazer PT e PSDB caminharem juntos em 2012.

 

Ex-ministro do Turismo e de Relações Institucionais, Walfrido trocou, em 2009, o PTB pelo PSB. Amigo de Lula, ele nega que a amizade com o líder petista possa fazer com que o seu atual partido seja utilizado apenas como uma legenda de aluguel. “Pode ficar tranquilo de uma coisa: o PSB não será bengala nem do PSDB, nem do PT, e nem de ninguém”.

 

1) ENCONTRO – O PSB mineiro trabalha para reeditar, em 2012, uma aliança entre PT e PSDB em torno da reeleição do prefeito de Belo Horizonte. O senhor já disse não acreditar que nenhum dos dois lados abandonará a candidatura de Marcio Lacerda. É isto mesmo?

WALFRIDO DOS MARES GUIA – Exato. Os partidos políticos só crescem se disputarem votos. Por isso é muito importante que eles procurem ter quadros para eleições majoritárias. É na eleição majoritária que você explicita o número do partido. E o número do partido facilita o voto da legenda. E aí se consegue, no caso de uma eleição municipal, eventualmente eleger mais vereadores. É natural, então, em partidos que têm muitos quadros e correntes, que eles pleiteiem a candidatura própria. É natural que partidos como o PT ou o PSDB queiram ter candidatos em todas as capitais e nas principais cidades brasileiras. A eleição majoritária é uma maneira de eles se consolidarem.

 

2) ENCONTRO – Mas o senhor acredita mesmo que a parceria, que acabou unindo PT e PSDB, pode se repetir no ano que vem?

WALFRIDO DOS MARES GUIA – Eu não participei diretamente das negociações de 2008 que resultaram na candidatura do Lacerda. Mas o que acontece é que estas questões são sempre costuradas pelas cúpulas. Nem sempre você consegue fazer as coisas por unanimidade. No Brasil não existem prévias, como nos Estados Unidos. E por isso acaba chegando um momento, geralmente uns seis ou oito meses antes da eleição, em que estas coisas são decididas. Tradicionalmente, a gente cuida da eleição apenas no ano da eleição: março, abril, maio... É ali que você costura tudo. Estou cansado de saber que é impossível agradar a gregos e troianos.

 

3) ENCONTRO – É bastante conhecida a sua amizade com o ex-presidente Lula. Quando o senhor foi conduzido à presidência do PSB em Minas, alguns analistas interpretaram a eleição como um claro sinal de que, numa eventual reeleição de Lacerda, o cargo de vice seria, inevitavelmente, do PT...

WALFRIDO DOS MARES GUIA – A primeira impressão é esta que fica mesmo. Tenho muita honra de ser amigo do presidente Lula. Tanto que ele até acabou de me convidar para ser sócio fundador do Instituto Lula. Agora, isto não significa que eu possa ser presidente do PSB para transformá-lo numa bengala do PT. Pode ficar tranquilo de uma coisa: o PSB não será bengala nem do PSDB, nem do PT e nem de ninguém. O PSB vai se afirmar como um partido forte em Minas Gerais.

 

4) ENCONTRO – A aliança, com o Lacerda na frente, tem mesmo tudo então para se repetir...

WALFRIDO DOS MARES GUIA – Eu acho. E sabe por quê? Porque a reeleição permite ao eleitor votar novamente naquela pessoa que ele acha que está fazendo um bom trabalho. A única razão da reeleição é esta. Se o prefeito, governador ou presidente está indo bem, por que não dar mais uma chance a ele? Eu falei muito, até aqui, de candidatura natural. E a questão é esta: se os partidos não tiverem candidaturas naturais, eles não podem se esquecer que quem se candidata a reeleição e tem uma boa avaliação entre o eleitorado sempre tem mais chance, já que começa em um patamar mais elevado.

 

5) ENCONTRO – Alguns analistas dizem que talvez o único candidato capaz de enfrentar o Lacerda, com reais chances de vitória, seria o ex-prefeito Patrus Ananias...

WALFRIDO DOS MARES GUIA – O Patrus é bom candidato para qualquer coisa: para prefeito, para governador, para senador e até para presidente. É um homem altamente qualificado, com valores pessoais e sociais extraordinários. Um homem cujo coração é naturalmente preocupado com a questão da desigualdade. Eu sou amigo dele e recentemente estivemos juntos. E, sinceramente, eu não o vejo, neste momento, com apetite de disputar uma eleição. Para disputar uma eleição, não basta ter apenas um grande potencial de votos como ele realmente tem. Você tem que ter apetite. Tem que estar disposto. Agora, o Patrus é uma reserva. É claro que ele pode ser candidato.

 

6)ENCONTRO – A aliança em Minas entre Aécio e Pimentel é a prova cabal de que a briga entre o PT e o PSDB só existe em São Paulo?

WALFRIDO DOS MARES GUIA – Sem dúvida. Esta briga não tem, nacionalmente, a mesma dimensão que existe em São Paulo. Lá existe uma polarização entre PT e PSDB que é enorme. Como São Paulo é muito grande e pesa muito no Brasil inteiro, isto é levado para o cenário nacional. Mas é uma briga ruim para o país. Os dois partidos tem quadros muito bons e que não se compõem. É uma pena. Eu conheço pessoas da melhor qualidade, tanto no PT quanto no PSDB, que poderiam estar trabalhando juntas pelo país.

 

7) ENCONTRO – E os dois acabam ficando reféns de partidos muito mais fisiológicos para conseguir governar...

WALFRIDO DOS MARES GUIA – Mas este é um problema do nosso sistema político. Ele não permite – e não permitirá jamais, se continuar deste jeito – que o presidente eleito também eleja junto com ele, majoritariamente, o seu partido. Você se lembra como Alfonsín venceu na Argentina? Ele conseguiu mudanças drásticas, em apenas seis meses, porque tinha 60% do partido com ele. Nosso sistema político é capaz de ser o pior do mundo. Tanto o Fernando Henrique quanto o Lula foram eleitos de forma massacrante. Mas na hora de governar, nenhum dos dois pôde ter maioria.

 

8) ENCONTRO – A reforma política é, então, absolutamente necessária...

WALFRIDO DOS MARES GUIA – Absolutamente necessária. Não para saber se o voto será distrital ou misto. As pessoas que estudam isto sabem que a cláusula de barreiras, que os partidos pequenos estrilam quando se fala nela, é necessária. Se tivéssemos menos partidos, não precisaríamos de tanta negociação para compor os governos. Nenhum destes partidos, são raríssimas as exceções, é ideológico. O sujeito às vezes quer se eleger deputado federal e monta um partido. E outra, hoje se fala muito em fidelidade partidária no Brasil, mas entre nós ela só existe para impedir que o sujeito saia do partido. Muitas vezes o deputado ou senador está numa legenda que apoia oficialmente o governo, vota contra o governo, e não acontece nada.

 

9) ENCONTRO – O senhor foi Ministro do Turismo no governo Lula. Como está acompanhando as denúncias contra o ex-secretário executivo da pasta, Frederico da Silva Costa?

WALFRIDO DOS MARES GUIA – Quando ele entrou no Ministério do Turismo, em 2003, foi indicado pelo José Carlos Martinez do PTB. Era um jovem recém-chegado dos EUA e tinha um bom currículo. Fazia um trabalho técnico na Secretaria Nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo. Depois que eu saí, em março de 2006, nunca tive mais notícias dele. Este assunto não me diz respeito.

 

10) ENCONTRO – Ele só foi conduzido ao cargo de secretário-executivo pelo atual ministro do Turismo, Pedro Novais...

WALFRIDO DOS MARES GUIA – Este rapaz eu nunca conheci. Ele nunca trabalhou comigo. Já tem quase cinco anos que eu saí do Ministério do Turismo, não sei mais o que aconteceu. Eu nunca tive intimidade com ele.

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