Nesta data querida

por Simone Dutra 22/09/2011 10:27

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Gustavo Jácome/divulgaão, Geraldo Goulart
Baseado no conto homônimo de Caio Fernando Abreu, Aqueles Dois é o primeiro espetáculo (foto: Gustavo Jácome/divulgaão, Geraldo Goulart)

A plateia lota o teatro para assistir ao espetáculo que está pronto para começar. Dessa vez a peça tem um sabor especial, principalmente para os integrantes do grupo Luna Lunera, companhia mineira que está comemorando uma década de trajetória, com a Mostra 10 Anos. Trata-se da reapresentação de três espetáculos que sintetizam a carreira do grupo: Cortiços, Aqueles Dois e Nesta Data Querida. As exibições começaram em agosto e terminam no fim de setembro. “Procuramos rever toda nossa trajetória, num momento de reflexão, voltando o olhar para nós mesmos. Foi então que decidimos que estas peças resumem bem o percurso dos 10 anos”, explica o ator Odilon Esteves, que se divide entre o teatro, o cinema e a televisão.

 

O nome Luna Lunera veio do título de uma canção do espanhol Gregório Barrios, usada como trilha sonora da peça Perdoa-me por me Traíres, de Nelson Rodrigues e direção de Kalluh Araújo, montada pelo grupo que nascia, em 2001, no Centro de Formação Artística do Palácio das Artes (Cefar). “A música fazia parte de um momento muito especial no espetáculo, quando o grupo inteiro estava junto no palco. Era um instante bastante surreal”.

 

Os integrantes da Luna Lunera estão de volta com a reapresentação de três peças de seu repertório: “Nosso grupo se baseia em uma tríade que é a dramaturgia, a atuação e a direção, trabalhando sem hierarquia”, diz o ator e diretor Odilon Esteves
 

 

Para os integrantes da companhia, Luna Lunera é um nome forte, uma expressão metafórica e poética quase intraduzível – lua de aura encantadora, enluarante, que não remete necessariamente à lua cheia (luna llena). “É como se a lua tivesse a capacidade de enluarar, no sentido metafórico da palavra, como se cada um pudesse pensar a reação que tem com a lua, que tem o poder de nos encantar, de nos enluarar”, revela Esteves.

 

Esse momento mágico, único, esteve presente em mais quatro espetáculos: Nesta Data Querida (2003), direção de Rita Clemente; Não Desperdice sua Única Vida ou... (2005), direção de Cida Falabella; Aqueles Dois (2007), direção de Cláudio Dias, Marcelo Souza e Silva, Odilon Esteves, Rômulo Braga e Zé Walter Albinati; e Cortiços (2008), direção de Tuca Pinheiro. A companhia teve sua formação inicial com 11 atores e hoje conta com sete: Cláudia Corrêa, Cláudio Dias, Fernanda Kahal, Isabela Paes, Marcelo Souza e Silva, Odilon Esteves e Zé Walter Albinati. Eles se alternam nos papéis de atores e diretores, de forma participativa, tanto na proposição de ideias quanto na realização das mesmas.

 

 

 

Essa fórmula deu certo, e logo na primeira apresentação, há 10 anos, eles emplacaram uma peça de sucesso, Aqueles Dois, que ficou em cartaz durante dois anos. Imediatamente o grupo caiu nas graças do público e da crítica e recebeu prêmios e patrocínios, como o do Instituto Cultural Usiminas, há quase uma década. Isso facilitou o trabalho da companhia, que levou seus espetáculos para importantes palcos e festivais do país e do exterior.

 

Além disso, participou de festivais e mostras, como o Palco Giratório Sesc, que percorreu 44 cidades e 14 estados, e o Projetos Cena 3x4, iniciativa do Grupo Galpão e da Maldita Cia. de Investigação Teatral. “Éramos quatro grupos para difundir em BH o processo colaborativo de criação. O nosso grupo se baseia em uma tríade que é a dramaturgia, a atuação e a direção, trabalhando sem hierarquia”, diz Esteves.

 

Para depois da mostra, com data de encerramento em 25 de setembro, o grupo, que utiliza linguagens diferentes para interpretar o cotidiano, já está estudando nova peça, com previsão de estreia para o ano que vem. Com a lua como inspiração.

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